Frases sobre seca

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da seca, folha, vida, vida.

Total 76 citações, filtro:

José Ortega Y Gasset photo
James Alfred Van Allen photo
Jorge Amado photo
Mário Quintana photo
Júlio Dinis photo
Aleksandr Solzhenitsyn photo

„Uma fome que apareceu algures sem seca e sem guerra.“

—  Aleksandr Solzhenitsyn romancista, dramaturgo e historiador russo 1918 - 2008

Aleksandr Solzhenitsyn, Arquipélago de Gulag; sobre Holodomor.

Antoine de Saint-Exupéry photo
Eros Grau photo

„Brasília é uma cidade afogada, seca, onde você não é uma pessoa, você é um cargo.“

—  Eros Grau 1940

Eros Grau em entrevista a Fausto Macedo, Felipe Recondo, jornal O Estado de S.Paulo, edição 03 de agosto de 2010, Fonte: Estadao: 'Lei da Ficha Limpa põe em risco o estado de direito' http://brasil.estadao.com.br/noticias/geral,lei-da-ficha-limpa-poe-em-risco-o-estado-de-direito-imp-,589608

Enéas Carneiro photo
Gerson De Rodrigues photo

„Imaginem que um Filósofo ao visitar uma velha Biblioteca se depara com um velho Sábio

- Estais perdido? Perguntou o Sábio

- Se estou perdido, como poderias tu orientar-me a razão? Disse o filósofo em tom questionador

O Sábio abaixa sua cabeça, caminha de um lado para o outro e indaga – Estais perdido!?

Filósofo: E não estamos todos?

O Completo e absoluto silencio gritava mais alto do que suas bocas caladas, embora suas mentes gritassem mais alto do que o mais feroz diabo.

Sábio: Não posso estar perdido, se eu sei exatamente aonde o verdadeiro eu estas, e deverias estar.

Filósofo: E Como poderias tu saber aonde deverias estar e aonde estas?

Sábio: Mas isso é muito simples, se estou em algum lugar, sigo a minha vontade. Está de acordo?

Filósofo: E Como saberias que segues a tua própria vontade? Se não foi influenciado pelo homem que vive em ti, o homem que crê em ti e nos deuses! Como poderias tu, saber aonde deverias ir?

O Sábio caminha a uma das muitas prateleiras e pega um livro, senta-se na frente do filósofo e diz de maneira serena

Sábio: Se leres este livro, e após a leitura tornar-se outro homem, como diferenciarias quem tu és, para quem tornou-se?

Filósofo: O Homem que leu este livro, para ti és um homem diferente antes deste mesmo livro? Digo, se hoje acredito no poder dos deuses, e amanhã perco completamente a fé por ler um livro ou dois, teria eu tornado me um homem sem fé, ou um homem diferente do que sempre fui?

Sábio: Tornarias outro homem

Filósofo: Mas isso é uma loucura, se torna-se outro homem a cada nova experiência, então tu, quem és afinal?

Sábio: Isso é muito simples…

O Sábio se levanta novamente e pega uma bíblia sagrada na escrivaninha a direita

Sábio: Se ao ler estas fábulas, e acreditares com toda as forças que és cristo, isso torna-te cristo?

Filósofo: Esse ato tornaria me um estudioso, um homem em busca de respostas

Sábio: Mas se as respostas levarem este homem a mais perguntas como poderias responde-las?

Filósofo: Não há respostas afinal.

Sábio: Quando tinhas dez anos de idade, pensavas o que?

Filósofo: Eu era uma criança comum, católico, vivia na cidade pequena, mas o que a minha infância tem a ver com tudo isso?

Sábio: Aquela criança ainda vive?

Filósofo: Eu a matei, ela tornou-se o homem que sou

Sábio: E ao matar o passado, tornou-se quem tu és!

Filósofo: Mas esse argumento não sustenta a sua teoria, que ao lermos novos livros tornamo-nos outro homem

Sábio: Ao ler as palavras de cristo, tens dois homens prontos a nascer. Se ao leres a bíblia, e acreditar com toda a sua fé que és cristo, e que cristo vives em ti, o que tornarias?

Filósofo: Um tolo

Sábio: E o que este tolo faria após tornar-se um tolo?

Filósofo: Viverias como um tolo

Sábio: Ao leres as palavras de cristo e duvidares de sua existência, o que tornarias?

Filósofo: Um sábio…

Sábio: Então tornarias tu, outro homem

O Filósofo pensativo caminha até uma seção na velha biblioteca, e pega uma série de livros matemáticos, senta-se em uma velha mesa acompanhada de uma pequena cadeira. Abre um dos velhos livros, aponta seu dedo sobre uma teoria matemática cientifica

Filósofo: O Que compreendes ao ler esta teoria?

Sábio: A Gravidade em sua mais bela e poética sinfonia matemática

Filósofo: E Quem a escreveu? Poderias me dizer?

Sábio: Isaac Newton

Filósofo: Consideravas Newton um sábio?

Sábio: Mas é claro, um homem de muitas virtudes

Filósofo: Mas este acreditava nos deuses

Sábio: E o que queres dizer com estas alegações?

O Filósofo se levanta novamente e vai a uma pilha de livros ao lado, pegando então Assim falou Zaratustra de Friedrich Nietzsche

Filósofo: Conheces Nietzsche?

Sábio: Mas é claro, estais a insultar-me?

Filósofo: Se ao leres Newton e Nietzsche, o que tornarias?

Sábio: Um novo homem…

Filósofo: Este novo homem, serias quem? Nietzsche? Ou Newton? Como este homem diferenciaria os deuses da matemática? Friedrich de Newton?

O Que eu quero dizer, como poderias tu, tornar-se outro homem ao leres dois autores distintos, se não o mesmo homem que agregou a si mesmo novas categorias do conhecimento.

Sábio: Então alegas descaradamente, que sou o mesmo homem todos os dias da minha vida?

Filósofo: E Como não poderias ser? Se ao leres mil livros, mudas-te de opinião mil vezes, és um metamorfo. Se ao escreveres mil livros, es um deus sobre os homens. Mas, se ao leres mil livros e aprenderes com estes próprios és o mesmo homem, com um intelecto refinado ao homem que eras anteriormente.

Sábio: Queres dizer que o conhecimento é como um diabo possessor?

Filósofo: Um diabo possessor?

Sábio: Um diabo que tomas o corpo de um homem, mas não toma sua verdadeira essência.

Filósofo: Estou de acordo, então voltamos a mesma questão ao nos conhecermos, como sabes que estais a seguir a sua própria vontade e não a de outros homens ou deuses

Sábio: Deixe-me responder essa questão, com uma alegoria que irá também sustentar meu outro ponto de vista

Imagines que és um crente, que acreditas no poder do divino. Vives então em templos sagrados, seu mundo é o louvor, então descobres por um telescópio apontado aos céus que lá não há deuses, e sim homenzinhos verdes em outros mundos, descobririas então que neste novo mundo há também novos deuses como saberias tu que o deus que pregas e rezas és o verdadeiro?

Filósofo: Não saberias, questionaria também os outros deuses

Sábio: E Se ao descobrires que além destes homenzinhos verdes, também existem tantos outros, e que o cosmos é repleto de deuses e vida. O Que tornarias a sua crença em um deus de carne?

Filósofo: Se tornaria insensata, ausente de razão, mas ainda questionadora pela vontade de questionar e aprender sobre esses novos deuses.

Sábio: Então responda-me, ao descobrir novos mundos tornou-se um homem diferente daquele pobre religioso de pés sujos em templos falsos?

Filósofo: Deixaria de ser um crente, e tornaria me um questionador. Mas ainda seria o mesmo homem

Sábio: Se és o mesmo homem, por que não crê nos mesmos deuses? Tornou-se um novo homem ao conhecer outros mundos, pois o homem que fois um dia, suicidou-se diante das cordas sinceras da realidade

Filósofo: Se o que diz é verdade, e somos de fato, diabos possessores, possuídos pelo conhecimento que mata o homem mas não mata sua essência, como sabes que não estás perdido? Como diferencias a decisão do homem com a decisão do diabo?

Se a cada nova experiência somos possuídos por um diabo diferente, se a cada livro torno-me um novo homem, se a cada mundo matamos um novo deus, quem eres tu afinal?

Sábio: Mas isso é muito simples, imagine comigo a seguinte alegoria

Somos todos homens vagueando em um vale sem fim, pense que cada livro desta biblioteca és um diabo, ao seres possuído pelo diabo, torna-se o diabo, embora sua essência humana ainda prevaleça

Filósofo: Então acreditas que podes matar a si mesmo, e tornar-se o homem que eras, mas renovado em sabedoria?

Sábio: Novamente estamos de acordo, poderias por favor dizer-me o que fazes em uma velha biblioteca como essa?

Filósofo: Vim em busca de conhecimento, e autoconhecimento, mas acabei perdendo-me em tamanha sabedoria e tormento

Sábio: E ao encontrar-me continua com este tormento?

Filósofo: Não

Sábio: E Por que não?

Filósofo: Porque sei quem tu és, e vós não o conheceis, mas eu o conheço, e se disser que não o conheço, serei mentiroso como vós. Mas eu o conheço, e guardo a sua palavra.

Sábio: E quem sou eu?

Filósofo: Tu és o meu Deus, e eu te darei graças; tu és o meu Deus, e eu te exaltarei.

Sábio: Se eu sou o seu Deus, o único e verdadeiro Deus, sou tu enquanto falas sozinho para as paredes, divagando sobre quem tu és e o que tornou-se!

Tornas-te Deus, ao questionar a si, mas continuaste o homem que és, e que fois ao lembrar-se de si, e o que és.“

—  Gerson De Rodrigues poeta, escritor e anarquista Brasileiro 1995

John Steinbeck photo
Eça de Queiroz photo
Alice Ruiz photo
Rachel de Queiroz photo
Donald Trump photo

„Simplemente acordo, tomo um banho e lavo o cabelo. Ele seca sozinho enquanto leio jornais e assisto TV.“

—  Donald Trump político e empresário estadunidense, 45º presidente dos Estados Unidos da América 1946

Donald Trump, empresário, que nega fazer uso do secador para estar sempre bem penteado.
Variante: Simplesmente acordo, tomo um banho e lavo o cabelo. Ele seca sozinho enquanto leio jornais e assisto TV.
Fonte: Revista ISTOÉ Gente, edição 267 http://www.terra.com.br/istoegente/267/frases/index.htm (20/09/2004)

Mahmoud Ahmadinejad photo

„O regime sionista é uma árvore podre, seca, que será eliminada por uma tempestade.“

—  Mahmoud Ahmadinejad político iraniano, Ex-presidente do Irã 1956

declaração sobre o Estado de Israel, 3 dias após anunciar que o país conseguiu enriquecer urânio.; Folha http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u94829.shtml, 14/04/2006

„Flores para sempre


…seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente. v.8


Quando criança, meu filho Xavier gostava de me dar flores. Eu gostava de cada flor recém-colhida ou comprada por ele e seu pai, e a apreciava até a flor murchar e ser jogada fora.

Um dia, Xavier me deu um belo buquê de flores artificiais, e sorriu ao arranjar o lírio de seda branco, o girassol amarelo e a hortênsia roxa no vaso. E disse: “Olhe, mamãe, vão durar para sempre. Isso é o quanto eu te amo.”

Desde então, ele cresceu e agora é jovem. As pétalas de seda se desgastaram, as cores desapareceram. Ainda assim, as flores “para sempre” me lembram desse amor, e me trazem algo mais à mente — algo que realmente permanece para sempre: o amor ilimitado e duradouro de Deus, revelado em Sua Palavra infalível e duradoura (v.8).

Quando os israelitas enfrentaram provações, Isaías os confortou com confiança nas palavras consoladoras de Deus (v.1). Proclamou que Deus pagara a dívida causada pelo pecado deles (v.2), garantindo sua esperança no próximo Messias (vv.3-5). Eles confiaram no profeta porque o foco dele permanecia em Deus, não nas circunstâncias que os envolviam.

Neste mundo de incertezas e aflições, nossas opiniões e sentimentos estão sempre mudando e são tão limitados quanto a nossa mortalidade (vv.6,7). Ainda assim, podemos confiar no amor e no caráter imutável de Deus, revelado em Sua Palavra constante e eternamente verdadeira.

Deus assegura o Seu amor em Sua Palavra imutável, 
hoje e eternamente. Xochitl Dixon“

—  pão_diário_é_só_noticias_boas

„O fardo da espera


Ensina-nos a contar os nossos dias, para que alcancemos coração sábio. v.12


Nos últimos anos, dois membros da minha família enfrentaram diagnósticos que ameaçavam a vida. Para mim, a parte mais difícil de apoiá-los em seus tratamentos tem sido a constante incerteza. Estou sempre desesperada por uma palavra definitiva vinda do médico, mas raramente as coisas são tão simples. Em vez de recebermos explicações claras, muitas vezes somos convidados a esperar.

É difícil suportar o fardo da incerteza, sempre questionando o que o próximo teste vai revelar. Teremos semanas, meses, anos ou décadas antes que a morte nos separe? Mas, independentemente da doença e do diagnóstico, cada um de nós morrerá um dia — doenças como o câncer apenas trazem a nossa mortalidade à cena, em vez de deixá-la ocultar-se nos recessos de nossa mente.

Diante desses lembretes sombrios da nossa mortalidade, encontro-me orando as palavras que Moisés certa vez orou. O Salmo 90 nos diz que, embora nossa vida seja como a grama que seca e se desvanece (vv.5,6), temos um lar eterno com Deus (v.1). Assim como Moisés, podemos pedir a Deus que nos ensine a contar os nossos dias para que possamos tomar decisões sábias (v.12) e tornar nossa breve vida fecunda fazendo valer o que realizamos para Ele (v.17). Em última análise, o salmo nos lembra de que a nossa esperança não está no diagnóstico de um médico, mas em Deus que é “de eternidade a eternidade”.

Podemos enfrentar a realidade da nossa própria mortalidade 
porque confiamos em Deus. Amy Peterson“

—  pão_diário_é_só_noticias_boas

Eça de Queiroz photo

„Ah nunca homem deste século batalhou mais esforçadamente contra a seca de viver.“

—  Eça de Queiroz Escritor e diplomata português 1845 - 1900

conto "Civilização" (1902), capítulo II (veja wikisource)
Aforismos

António Lobo Antunes photo
José Pacheco photo
Albert Camus photo
Paul Halmos photo
Robert Green Ingersoll photo
Thomas Fuller photo

„Enquanto o poço não seca, não sabemos dar valor à água.“

—  Thomas Fuller 1608 - 1661

We never know. the worth. of water till. the well is dry
Gnomologia: Adagies and Proverbs; Wise Sentences and Witty Sayings, Ancient and Modern, Foreign and British‎ - item 5451 Página 237 http://books.google.com.br/books?id=3y8JAAAAQAAJ&pg=PA237, de Thomas Fuller, Pre-1801 Imprint Collection (Library of Congress) - Publicado por Printed for B. Barker, 1732 - 297 páginas
Adágios e provérbios

Fernando Pessoa photo

„O relógio da casa, lugar certo lá ao fundo das coisas, soa a meia hora seca e nula. Tudo é tanto, tudo é tão fundo, tudo é tão negro e frio!“

—  Fernando Pessoa poeta português 1888 - 1935

"Autobiografia sem Factos". (Assírio & Alvim, Lisboa, 2006, p. 60)
Autobiografia sem Factos

Gabriel García Márquez photo
Pedro Nava photo

„Eu penso que Jesus devia de nascer em Belém na Paraíba. Sim, em Belém, perto de Guarabira e vizinho de Pirpirituba. E se não bastasse a vizinhança a indicar a rima e o caminho, perto de Nova Cruz. Teria sido filho caçula de uma Dona Maria, mulher dona de beleza e inspiradora de bondade nas pessoas. Teria sido menino moreno, muito esperto, embalado em rede de algodão cru. Teria tido sandálias com currulepo entre os dedos e cajus, em dezembro, a lhe matar a sede. E seu pastor… um vaqueiro nordestino, de gibão e perneira e guarda-peito, para livrar as suas carnes da Jurema. Teriam vindo adorar o deus-menino os Santos Reis entrelaçados de bom jeito: um negro, um índio e um branco português. Teria sido fácil encontrar espinhos, para coroar a fronte de Jesus, e um pau de arara em São José do Egito para levá-lo, retirante, para São Paulo. Um santo feito para as grandes secas! 'Meu Deus, meu Deus, por que nos abandonaste…', exclamaria enquanto repartiria com o povo nu as suas vestes, multiplicadas como pães ou peixes. Quando criança, o Jesus da Paraíba teria sido carpinteiro como seu pai, teria feito caixões azuis para os anjos do lugar. E proezas num cavalo de pau. Sim, num cavalo de pau, pois seu jumento teria sido muito magro e nem teria servido para carne de jabá. Jesus teria sido um menino desnutrido a fazer o bem, desnutrido como os outros da região, onde as coisas só vão na base do milagre ou da força parida da vontade. Eu penso que Jesus devia de nascer em Belém, na Paraíba!""..“

—  Diógenes da Cunha Lima

Rachel de Queiroz photo
Rachel de Queiroz photo
Cecília Meireles photo
Raduan Nassar photo
Aloizio Mercadante photo

„No Nordeste vai faltar farinha e carne-seca.“

—  Aloizio Mercadante político brasileiro 1954

Aloizio Mercadante, líder do PT na Câmara, sobre a aprovação do mínimo de 180 reais
Fonte: Revista Veja http://veja.abril.com.br/061200/vejaessa.html, Edição 1 678 - 6 de dezembro de 2000.

Gino Amleto Meneghetti photo

„O repórter é um cupincha cheio de vícios que vive adulando seus chefes de seções, chefes que muitas vezes não primam por boa moral, às vezes mais venais que os próprios criminosos.“

—  Gino Amleto Meneghetti 1878 - 1976

Exprimindo todo o seu rancor com a imprensa, que não lhe dava sossego e, segundo ele, exagerava ao comentar seus roubos
reportagem de Miguel Roberto Nítolo, Revista Problemas Brasileiros, nº 333 http://www.sescsp.org.br/sesc/revistas_sesc/pb/artigo.cfm?Edicao_Id=60&breadcrumb=1&Artigo_ID=453&IDCategoria=689&reftype=1; mai/jun 1999

Tati Bernardi photo
Clarice Lispector photo
William Shakespeare photo
Fernando Pessoa photo
James Joyce photo

„As folhas secas cobrem em abundância o caminho das recordações.“

—  James Joyce escritor irlandês do século XX, mais conhecido por escrever Ulisses 1882 - 1941

Rogério Martins photo
Alcione Sortica photo
Henrique Maximiano Coelho Neto photo
Howard Cosell photo
Bertrand Russell photo
Alexei Bueno photo
Nolan Bushnell photo
Fernando Pessoa photo

„Grande é a poesia, a bondade e as danças…
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.“

—  Fernando Pessoa poeta português 1888 - 1935

Liberdade e outros Poemas Ortónimos
Variante: Grande é a poesia, a bondade e as danças...  Mas o melhor do mundo são as crianças,  Flores, música, o luar, e o sol que peca  Só quando, em vez de criar, seca.

Haruki Murakami photo
João Guimarães Rosa photo

„Montei, fui trotando travado. Diadorim e o Caçanje iam já mais longe, regulado umas duzentas braças. Arte que perceberam que eu vinha, se viraram nas selas. Diadorim levantou o braço, bateu mão. Eu ia estugar, esporeei, queria um meio-galope, para logo alcançar os dois. Mas, aí, meu cavalo f’losofou: refugou baixo e refugou alto, se puxando para a beira da mão esquerda da estrada, por pouco não deu comigo no chão. E o que era, que estava assombrando o animal, era uma folha seca esvoaçada, que sobre se viu quase nos olhos e nas orêlhas dele. Do vento. Do vento que vinha, rodopiado. Redemoinho: o senhor sabe — a briga de ventos. O quando um esbarra com outro, e se enrolam, o dôido espetáculo. A poeira subia, a dar que dava escuro, no alto, o ponto às voltas, folharada, e ramarêdo quebrado, no estalar de pios assovios, se torcendo turvo, esgarabulhando. Senti meu cavalo como meu corpo. Aquilo passou, embora, o ró-ró. A gente dava graças a Deus. Mas Diadorim e o Caçanje se estavam lá adiante, por me esperar chegar. — “Redemunho!” — o Caçanje falou, esconjurando. — “Vento que enviesa, que vinga da banda do mar…” — Diadorim disse. Mas o Caçanje não entendia que fosse: redemunho era d’Ele — do diabo. O demônio se vertia ali, dentro viajava. Estive dando risada. O demo! Digo ao senhor. Na hora, não ri? Pensei. O que pensei: o diabo, na rua, no meio do redemunho… Acho o mais terrível da minha vida, ditado nessas palavras, que o senhor nunca deve de renovar. Mas, me escute. A gente vamos chegar lá. E até o Caçanje e Diadorim se riram também. Aí, tocamos.“

—  João Guimarães Rosa, livro Grande Sertão: Veredas

Grande Sertão: Veredas

Pepetela photo
Jorge Amado photo
Miguel Sousa Tavares photo
Luís Vaz de Camões photo

„O Gênesis do absurdo.

No início não havia coisa alguma.
Não existia a fome.
A seca.
Os terremotos ou todo o monte
de destroços por cima de corpos
esmagados que eles acostumam
deixar para trás.

Não existia traições,
sacrifícios.

Não tinha homicídios,
as chacinas,
ou os temíveis
genocídios.

Não existia a sede e nem as pestes.

Não havia o governo,
cientistas
ou as bombas atômicas.

No início não existia qualquer tipo
de armas
ou muito menos
todas as guerras feitas
por elas.

No início não existia dinheiro
ou muito menos a buscar
por algum tipo
de poder.

No início não havia morte,
e muito menos
o luto.

Não tinha o choro,
a agonia,
as lamentações.

Não havia desesperança,
nem ossos mutilados.

Os vícios ou suas drogas.

Não tinha os estupros,
as torturas.
Não havia indignação.

Não existia vingança,
nem desistência.

No início tudo estava em sintonia,
não havia nada,
era algo singular,
sem quês ou porquês.

No início tudo era tudo.

Nem belo, nem feio.

Nem quente, nem frio.

Nem liso, ou aspero.

Na início nada era bom,
pois não tinha nada
que fosse mal.

Não tinham respostas, pois não
haviam perguntas para
serem feitas.

No início de tudo,
luz
e
escuridão
eram a mesma
coisa.

Até que alguma força,
que a maioria diz
ter sido alguma espécie de deus
benevolente,
de poder incomparável
e inteligência
absoluta,
resolveu que deveria dar início
há tudo.

Pelo visto, algo se cansou
de estar sozinho
e entendeu que a solução
seria espalhar
sua vasta energia
por ai,
criando todo o tempo
e o tecido do
espaço.

Resolveu que a perfeição era
uma besteira
e deu início a todo o
imperfeito.

Algum ser filho da puta
o suficiente,
há muito tempo
resolveu sem consultar a
ninguém
(Porque só havia ele)
que a vida deveria existir.

E assim fez, instalando o caos,
por dentro de absolutamente
todas as coisas.

Há muito, muito tempo,
alguém
ou algo
resolveu nos trazer até
aqui
e após perceber
o tamanho da merda que tinha
cometido,
se foi
e nunca mais
voltou.

Talvez por culpa
ou vergonha,
quem é que vai
saber?

Talvez, o universo seja a vasta criação
de alguma criatura covarde
que se foi pela fuga
de seu próprio infinito
quando percebeu que seu egoísmo
absurdo
fez com que cometesse
uma atrocidade.

E tudo o que sobrou, da bendita
imbecilidade do seu criacionismo
foram coisas como
a gente,
fazendo coisas como gente
e pagando pelos erros
de um
deus vergonhoso
que
segundo o cristianismo,
a coisa mais interessante que
conseguiu fazer enquanto
aqui esteve, foi ter feito a Terra,
antes mesmo
de criar
o Sol.“

—  Charlie Barkley