Frases sobre aberto
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“Rolar infinitamente, os olhos fechados oferecendo-se a não sei que olhar aberto.”

Franz Kafka (1883–1924) Escritor austro-húngaro-tchecoslovaco

Antologia de Páginas Íntimas

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“Ian permaneceria na aldeia por alguns dias, para se certificar de que Hiram e o povo de Pássaro estavam de comum acordo. No entanto, Jamie não estava absolutamente certo de que o senso de responsabilidade de Ian fosse sobrepujar seu senso de humor - de certa forma, o senso de humor de Ian tendia para o lado dos índios. Uma palavra da parte de Jamie poderia, portanto, vir a calhar, só por precaução.
- Ele tem mulher - Jamie disse a Pássaro, indicando Hiram com um movimento da cabeça, o qual agora estava empenhado em uma conversa séria com dois dos índios mais velhos. - Acho que ele não gostaria de uma mulher em sua cama. Ele pode ser indelicado com ela, não compreendendo o gesto de cortesia.
- Não se preocupe - Penstemon disse, ouvindo a conversa. Olhou para Hiram e seu lábio curvou-se com desdém. - Ninguém iria querer um filho DELE. Agora, um filho SEU, Matador-de-Urso… - Ela lhe lançou um longo olhar por baixo das pestanas e ele riu, saudando-a com um gesto de respeito.
Era uma noite perfeita, fria e revigorante, e a porta foi deixada aberta para que o ar pudesse entrar. A fumaça da fogueira erguia-se reta e branca, fluindo na direção do buraco no teto, seus fantasmas móveis parecendo espíritos ascendendo de alegria.
Todos haviam comido e bebido ao ponto de um agradável estupor, e houve um silêncio momentâneo e uma difusa sensação de paz e felicidade.
- É bom para os homens comerem como irmãos - Hiram observou para Urso-em-Pé, em seu titubeante tsalagi. Ou melhor, tentou. E afinal, Jamie refletiu, sentindo suas costelas rangerem sob a tensão, era realmente uma diferença muito pequena entre "como irmãos" e "seus irmãos".
Urso-em-Pé deu um olhar pensativo a Hiram e afastou-se disfarçadamente para longe dele.
Pássaro observou isso e, após um momento de silêncio, virou-se para Jamie.
- Você é um homem muito engraçado, Matador-de-Urso - ele repetiu, sacudindo a cabeça. - Você venceu.”

Diana Gabaldon (1952)

A Breath of Snow and Ashes

“O Édipo não serve estritamente para nada, a não ser para apertar o inconsciente dos dois lados. Veremos em que sentido é que o Édipo é estritamente ""indecidível», como dizem os matemáticos. Estamos fartos dessas histórias em que se está bem de saúde graças ao Édipo, doente do Édipo, e em que há várias doenças dentro do Édipo. Pode até acontecer que um analista se farte desse mito que é a gamela e a cova da psicanálise e que retorne às origens: «Freud nunca chegou a sair nemdo mundo do pai, nem da culpabilidade… Mas foi o primeiro que, ao criar a possibilidade de construir uma lógica de relação com o pai, abriu o caminho para o homem se libertar do domínio do pai. A possibilidade de viver para! d da lei do pai, para lá de qualquer lei, talvez seja a possibilidade mais essencial que a psicanálise freudiana criou. Mas, paradoxalmente, e talvez por causa do próprio Freud, tudo leva a crer que essa libertação que a psicanálise permite se fará - se faz já - fora dela,>. Todavia, não podemos partilhar nem deste pessimismo nem deste optimismo. Porque é preciso muito optimismo para pensar que, psicanálise permite uma verdadeira solução do Édipo: o Édipo é como Deus; o pai é como Deus; só se resolve o problema quando se suprimir tanto o problema (orno a solução. A esquizo-análise não se propõe resolver o Édipo, não pretende resolvê-Io melhor que a psicanálise edipiana. Propõe-se desedipianizar o inconsciente para poder chegar aos verdadeiros problemas. Propóe-se atingir essas regiões do inconsciente órfão «(para lá de todas as leis», em que o problema deixa de poder ser posto. E por consequência, também não partilhamos do pessimismo de pensar que essa mudança, essa libertação só se pode fazer fora da psicanálise. Pensamos, pelo contrário, que é possível dar-se uma reversão interna que. transforme a máquina analítica numa peça indispensável do aparelho revolucionário. Mais: já há mesmo condições objectivas para isso.
Tudo se passa, pois, como se o Édipo tivesse dois pólos: um pólo de figuras Imaginárias de identificação e um pólo de funçóes simbólicas diferenciantes. Mas seja como for estamos edipianizados: se não temos o Édipo como crise, temo-lo como estrutura. Então transmitimos a crise a OUtrOS, e tudo volta a começar. E é esta a disjunção edipiana, o movimento de pêndulo, a razão inversa exclusiva. E é por isso que quando nos convidam a superar uma concepção simplista do Édipo fundada em imagens paternas, por uma concepção em que se definem funções simbólicas numa estrutura, e se substitui o papá-mamá tradicional por uma função-mãe e uma função-pai, não vemos o que é que se ganha com isso, a não ser o fundar a universalidade do Édipo para além da variabilidade das imagens, soldar ainda melhor o desejo à lei e ao interdito, e levar a cabo o processo de edipianização do inconsciente. Estes são os dois extremos do Édipo, o seu mínimo e o seu máximo, consoante o consideremos como tendente para o valor indiferenciado das suas imagens variáveis, ou para a capacidade de diferenciação das suas funções simbólicas. «Quando nos aproximamos da imaginação material, função diferencial
diminui e tende-se para equivalências; quando nos aproximamos dos elementos
formadores, a função diferencial aumenta e tende-se para valências distintivas ». Depois disto, não nos espantava nada ouvir dizer que o Édipo como estrutura é a trindade cristã, enquanto que o Édipo como crise é a trindade familiar, insuficientemente estruturada pela fé; sempre os dois pólos em razão inversa, Édipo for ever.' Quantas interpretações do lacanismo, oculta ou abertamente piedosas, invocaram um Édipo estrutural para formar e fechar o duplo impasse, para nos reconduzirem à questão do pai, para conseguirem edipianizar o esquizo, e mostrar que uma lacuna no simbólico nos remete para o imaginário e que, inversamente, as insuficiências ou confusões imaginárias nos remetem para a estrutura. Como um célebre precursor dizia aos seus animais: chega de lengalenga…”

Gilles Deleuze livro Anti-Oedipus

Anti-Oedipus: Capitalism and Schizophrenia

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“Sempre que alguém me faz essa pergunta, Sharon, eu digo "Estou bem, obrigada", mas, para ser sincera, não estou. Será que essas pessoas realmente querem saber como alguém se sente quando fazem essa pergunta? Ou simplesmente estão tentando ser educadas? - Holly sorriu - Da próxima vez que a minha vizinha me perguntar: "Como você está?", vou dizer "Olha, não estou muito bem, obrigada. Ando me sentindo deprimida e sozinha. Irritada com o mundo. Sentindo inveja de você e sua família perfeita, mas não sinto inveja de seu marido, que tem que viver com você". E então contarei que comecei em um novo emprego e conheci um monte de gente, e que estou me esforçando muito para me reerguer, mas que agora estou perdida, sem saber o que fazer. Depois, direi que fico fula da vida sempre que me dizem que o tempo cura quando, ao mesmo tempo, também dizem que a ausência aumenta a saudade, o que me deixa muito confusa, porque quer dizer que quanto mais tempo se passa, mais eu sinto falta dele. Direi que nada está sendo curado e que todas as manhãs, quando acordo e vejo a cama vazia, parece que estão esfregando sal em minhas feridas abertas. - Holly suspirou fundo - Depois, vou dizer a ela que sinto saudade de meu marido é que minha vida parece sem sentido sem ele. E que estou me desinteressando em continuar a fazer as coisas sem ele, e explicarei que parece que estou esperando o mundo acabar para reencontrá-lo. Ela provavelmente dura apenas "Ah, que bom", como sempre faz, vai beijar o marido e pronto, enquanto eu ainda estarei tentando decidir que cor de camisa vestir para trabalhar.”

Cecelia Ahern (1981) escritora irlandesa

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“O Conhecimento me trouxe um fardo, como uma assombração que me persegue por todos os cômodos da casa. Uma criatura negra que suga toda a felicidade que existe em mim afim de me transformar em algo tão sombrio quanto esta própria assombração (…)

Eu me lembro, sim eu me lembro! como se fosse ontem, em meus belos dias de ignorância víu, no auge de minha juventude. Aquele sorriso ao me entreter com a futilidade da vida, aqueles amigos falsos com sorrisos malditos prontos para me apunhalar pelas costas, o calor mentiroso embora aconchegante da religião. Aqueles eram dias felizes, a ignorância me trazia a paz e a felicidade que um homem precisa para viver neste planeta como mais uma formiga trabalhadora.

Mas ela veio até mim, a assombração do conhecimento. Aquela criatura negra e gélida apareceu pela primeira vez em forma de cálculos matemáticos em um livro do Stephen Hawking. E foi neste particular momento que meus olhos abriram-se pela primeira vez, como uma criança que acabou de nascer, e ao olhar para o céu eu não via apenas pontos luminosos eu via mundos inteiros, constelações e galáxias.

Algo tomou conta de mim… era aquela assombração e ela pedia por mais, ela implorava por mais e para que sua sede fosse saciada, caminhei lado a lado com aquela criatura negra até uma biblioteca.

E ao sentar em uma das cadeiras me vi embriagado em pensamentos e reflexões Filosóficas, Nietzsche, Camus, Carl Sagan e o sádico Aleister Crowley. Todos eles agora viviam em mim, o conhecimento agora havia aberto meus olhos para um mundo que sempre esteve ali, mas eu nunca pude vê-lo.

Agora eu estou aqui, sozinho em uma casa velha com as luzes apagadas e uma vela que ilumina um velho caderno, do qual escrevo textos melancólicos sobre a vida. Para que algum dia outros conheçam está assombração.

Ela… Que é a minha melhor amiga.”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

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“Voto, portanto, pelo voto aberto nas condições que o regimento agora nos oferece, em todas as situações. Mas fica meu registro que perdemos a possibilidade, com voto aberto para vetos, perdemos parcela das prerrogativas do Parlamento brasileir0.”

Aécio Neves (1960) político brasileiro

Aécio Neves Aécio Neves votou pelo voto aberto dia 26 de novembro 2013 <br class="br">Fonte PSDB http://www.psdb.org.br/aecio-neves-vota-voto-secreto-congresso/

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“Fui presidente da Câmara dos Deputados, líder por vários mandatos, parlamentar por 16. Chego hoje ao Senado. Acho que o voto aberto na grande maioria dos casos é absolutamente necessário, um instrumento de conexão maior do Parlamento, dos representantes com seus representados.”

Aécio Neves (1960) político brasileiro

Aécio Neves Aécio Neves votou pelo voto aberto dia 26 de novembro 2013 <br class="br">Fonte PSDB http://www.psdb.org.br/aecio-neves-vota-voto-secreto-congresso/

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“Estou votando pelo voto aberto, já que essa é a opção e me parece o caminho mais adequado. Mas não quero deixar de registrar de forma clara e manter a coerência do meu pensamento. E todos devemos ser julgados pela coerência dos nossos pensamentos e atitudes.”

Aécio Neves (1960) político brasileiro

Aécio Neves Aécio Neves votou pelo voto aberto dia 26 de novembro 2013 <br class="br">Fonte PSDB http://www.psdb.org.br/aecio-neves-vota-voto-secreto-congresso/

“A boa sociedade, como a própria bondade, não pode ser reduzida a uma única fonte: o pluralismo ético é a precondição necessária para uma democracia aberta.”

Tony Judt (1948–2010)

No original: "The good society, like goodness itself, cannot be reduced to a single source; ethical pluralism is the necessary precondition for an open democracy."
Pensando o Século XX (2012)
Fonte: Capítulo 6 - Geração do Entendimento: Liberal Europeu Oriental. Tradução de Otacílio Nunes.

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“Enquanto o socialismo visa abolir o capitalismo abertamente, o fascismo dá-lhe a aparência de uma economia baseada no mercado, mesmo ela se pautando pesadamente pelo planejamento central de todas as atividades econômicas.”

L.K. Samuels (1951) escritor e ativista libertário norte-americano

A economia socialista do fascismo italiano https://fascismoblog.wordpress.com/2015/11/15/a-economia-socialista-do-fascismo-italiano/ — 6 de julho de 2015.

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“Quem quiser existir na nudez de sua natureza, livre de toda mediação, deve ter deixado atrás de si toda distinção de pessoa, de forma que seja tão aberto àquele que está longínquo, e a quem nunca tenha visto, quanto à pessoa com a qual se encontra agora, e de quem seja amigo pessoal.”

Mestre Eckhart (1260–1328) professor académico alemão

Sermões Alemães Completos, Nono Sermão, Página 21 http://caminhodomeio.files.wordpress.com/2009/06/meister-eckhart-os-sermoes-alemaes.pdf, Mestre Eckhart - Tradução de Marcos Beltrão.

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“Para as pessoas que têm visto e desfrutado da internet livre e aberta, cabe a nós preservar essa liberdade para a próxima geração desfrutar dela..”

Edward Snowden (1983) delator americano e ex-funcionário da NSA

Fonte: Father of the Web Meets a Robot Edward Snowden, Calls Him a Hero http://www.wired.com/2014/03/ed-snowden-meets-father-web-stage-ted/ Tim Berners-Lee, o pai da Internet encontra Snowden, agradece a ele e o chama de herói - Wired - 18 de março de 2014 <br class="br">Fonte: Edward Snowden says more revelations to come TED http://www.theglobeandmail.com/news/news-video/watch-edward-snowden-says-more-revelations-to-come-in-surprise-ted-appearance/article17560138/ Video: conferência TED - Edward Snowden - The Globe and Mail - 18 de março de 2014]

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“Onde há fragmentação partidária, maiorias só podem ser obtidas por coalizão de partidos. As moedas do compromisso e das alianças nem sempre são abertas e mostradas ao grande público, mas o governo exibe sempre uma postura protocolar de grandeza e de dignidade, o que às vezes retrata a realidade, mas nem sempre.”

Moreira Franco (1944) político brasileiro

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, em artigo A realidade de governar <br class="br"> Folha de S. Paulo http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/09/1917909-a-realidade-de-governar.shtml, 13/09/17

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“Era uma vez uma época, e ela não está muito longe, em que também aqui se podia fazer sucesso com um bocadinho de ironia, que compensava todas as lacunas em outros aspectos, favorecia alguém com honrarias e lhe dava a reputação de ser culto, de compreender a vida e o caracterizava ante os iniciados como membro de uma vasta franco-maçonaria espiritual. Ainda nos deparamos de vez em quando com um ou outro representante deste mundo desaparecido, que conserva este fino sorriso, significativo, ambiguamente revelador de tanta coisa, este tom de cortesão espiritual, com o qual ele fez fortuna em sua juventude e sobre o qual construiu todo o seu futuro, na esperança de ter vencido o mundo. Mas ah! foi uma decepção! Em vão procura seu olhar explorador por uma alma irmã, e caso a época de seu esplendor não estivesse ainda fresca na memória de um ou de outro, suas caretas permaneceriam um enigmático hieroglifo para uma época na qual ele vive como hóspede e estrangeiro.  Pois nosso tempo exige mais, exige se não um pathos elevado, pelo menos altissonante, se não especulação, pelo menos resultados; quando não verdade, pelo menos convicção, quando não sinceridade, pelo menos protestos de sinceridade; e, na falta de sensibilidade, pelo menos discursos intermináveis a respeito desta. Por isso, nosso tempo cunha uma espécie bem diferente de rostos privilegiados. Não permite que a boca se feche obstinada, ou que o lábio superior trema com ar travesso, ele exige que a boca fique aberta; pois como poderíamos imaginar um verdadeiro e autêntico patriota, senão discursando, o rosto dogmático de um pensador profundo, senão com uma boca que fosse capaz de engolir o mundo todo; como nos poderíamos representar um virtuose da copiosa palavra vivente, senão com a boca escancarada? Ele não permite que paremos quietos e nos aprofundemos; andar devagar já desperta suspeita; e como nos poderíamos contentar com isso no instante movimentado em que vivemos, não época prenhe do destino, que, como todos reconhecem, está grávida do extraordinário? Nosso tempo odeia o isolamento, e como suportaria que um homem chegasse à ideia desesperada de andar sozinho através da vida, esse nosso tempo, que de mãos e braços dados (como membros viajantes das corporações de ofício e soldados rasos), vive para a ideia da comunidade?”

Søren Kierkegaard (1813–1855)

Fonte: O Conceito de Ironia - Constantemente Referido a Sócrates, p. 245-246

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“Afinal, o Porto, para verdadeiramente honrar o nome que tem, é, primeiro que tudo, este largo regaço aberto para o rio, mas que só do rio se vê, ou então, por estreitas bocas fechadas por muretes, pode o viajante debruçar-se para o ar livre e ter a ilusão de que todo o Porto é Ribeira. A encosta cobre-se de casas, as casas desenham ruas, e, como todo o chão é granito sobre granito, cuida o viajante que está percorrendo veredas de montanha.”

José Saramago livro Viagem a Portugal

Viagens. Contos. Romances, José Saramago, Lello &amp; Irmão, 1991, p. 136 https://books.google.com.br/books?hl=pt-BR&amp;id=f2RfAAAAMAAJ&amp;dq=inauthor%3A%22Jos%C3%A9+Saramago%22+Viagem+a+portugal&amp;focus=searchwithinvolume&amp;q=%22Afinal%2C+o+Porto%2C+para+verdadeiramente+honrar+o+nome+que+tem%2C+%C3%A9%2C+primeiro+que+tudo%2C+este+largo+rega%C3%A7o+aberto+para+o+rio%2C+mas+que+s%C3%B3+do+rio+se+v%C3%AA%2C+ou+ent%C3%A3o%2C+por+estreitas+bocas+fechadas+por+muretes%2C+pode+o+viajante+debru%C3%A7ar-se+para+o+ar+livre+e+ter+a+ilus%C3%A3o+de+que+todo+o+Porto+%C3%A9+Ribeira.+A+encosta+cobre-se+de+casas%2C+as+casas+desenham+ruas%2C+e%2C+como+todo+o+ch%C3%A3o+%C3%A9+granito+sobre+granito%2C+cuida+o+viajante+que+est%C3%A1+percorrendo+veredas+de+montanha.%22 <br class="br">Viagem a Portugal

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“Quando uma porta está fechada, muitas outras estão abertas.”

Bob Marley (1945–1981) foi um cantor, guitarrista (raggae) e compositor jamaicano famoso por popularizar o gênero

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“Se a física nos leva hoje a uma visão de mundo que é essencialmente holística, ela retorna, de certa forma, a seu início, 2.500 anos atrás. É interessante acompanhar a evolução da ciência ocidental
ao longo de seu caminho em espiral, começando com as filosofias místicas dos primeiros gregos, surgindo e desdobrando-se em um impressionante desenvolvimento do pensamento intelectual que cada vez mais se transformou longe de suas origens místicas para desenvolver uma visão de mundo que está em nítido contraste com a de o Extremo Oriente Em seus estágios mais recentes, a ciência ocidental está finalmente superando essa visão e voltando àquelas das primeiras filosofias grega e oriental. Desta vez, no entanto, não se baseia apenas na intuição, mas também em experimentos de grande precisão e sofisticação, e em um formalismo matemático rigoroso e consistente. Os paralelos com a física moderna aparecem não apenas nos Vedas do Hinduísmo, no I Ching ou nos sutras budistas, mas também nos fragmentos de Heráclito, Parmênides, Plotino, filosofia afro-americana, o teologia negativa oriental, no sufismo de Ibn Arabi, no espírito holístico de Giordano Bruno e Meister Eckhart, na monadologia de Leibniz, na Ideia Absoluta de Hegel e Descascar, e. t.

Todas as antigas tradições espirituais sugerem que o mundo é uma unidade e a multiplicidade é apenas aparente. A ciência moderna afirma que o mundo visível da matéria e da multiplicidade é apenas aparente, a realidade é invisível e invisível. Desde caminhos diferentes, o misticismo e o
o racionalismo leva à mesma visão, a visão da totalidade aberta do mundo. O místico
visão da espiritualidade e da mente racional da ciência levando ao pensamento aberto, o
sabedoria de vida. A experiência espiritual de unidade conduz ao mesmo insight que
raciocínio por meio da ciência. Ambos transmitem a percepção da interconexão fundamental entre
nós mesmos, outras pessoas, outras formas de vida, a biosfera e, em última análise, o universo.
Ciência e espiritualidade, longe de serem elementos mutuamente exclusivos e conflitantes, são
parceiros complementares na busca de um caminho que permita à humanidade recuperar sua
unidade com o mundo. A ciência demonstra a necessidade urgente e objetiva dela; e
a espiritualidade testemunha seu valor inerente e suprema desejabilidade. Podemos raciocinar para o nosso unidade no mundo, e podemos experimentar nossa unidade com o mundo. O tempo tem
vêm para fazer as duas coisas, pois são complementares e se reforçam mutuamente.
Apresenta um novo paradigma revolucionário do Pensamento Cósmico que faz a ponte entre
ciência e espiritualidade. Divulga as ramificações da consciência não localizada e como
o mundo físico e a experiência espiritual são dois aspectos do mesmo Cosmos. O que
os cientistas estão descobrindo que nas fronteiras mais externas de cada campo está derrubando todas as premissas concernentes à natureza da matéria e da realidade.”

Alexis Karpouzos livro consciência universal

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“O crime, de forma geral, jamais subsistiria sem a ajuda de parte da sociedade e de parte do Estado e seu braço armado.

É uma ferida aberta, dolorosa, incômoda — daquelas que muitos preferem cobrir com discursos prontos a encará-las com honestidade.

Mas ela está ali, latejando, lembrando que nenhuma estrutura criminosa se sustenta sozinha. 

Há sempre uma teia invisível de conveniências, silêncios e conivências que a mantém de pé.

Isso não é muito diferente de outras lutas sociais que, à primeira vista, parecem ter um inimigo bem definido. 

O combate ao machismo, por exemplo, torna-se ainda muito mais árduo quando se percebe que ele também é reproduzido por mulheres. 

Não por essência, mas por condicionamento, por cultura, por sobrevivência em um sistema que ensina, desde cedo, a normalizar o absurdo.

Da mesma forma, enfrentar o corporativismo e a leniência entre pares dentro do Estado é uma tarefa extremamente espinhosa. 

Durante décadas, construiu-se — e vendeu-se — uma imagem quase intocável de idoneidade, especialmente no que diz respeito às forças de segurança. 

Questionar isso, para muitos, soa como heresia. 

E é exatamente aí que mora o problema.

Porque, além das defesas técnicas e estratégicas entre os próprios agentes, existe ainda uma camada mais difícil de atravessar: a defesa cega, emocional, quase devocional de uma parcela da sociedade que se recusa a pensar por conta própria.

Que transforma crítica em ataque, e cobrança em traição.

Nesse cenário, abusos deixam de ser exceção para se tornarem relativizações. 

Agressões viram “excessos compreensíveis”. 

Autoridade se confunde com autoritarismo — e tudo isso vai sendo absorvido, digerido e, pior, justificado.

A indignação seletiva, nesse contexto, não é apenas um detalhe — é parte do problema. 

Ela é tão medonha quanto a própria barbárie que diz combater. 

Porque não se trata apenas de condenar o erro, mas de escolher quando e contra quem ele importa.

E talvez o retrato mais cruel disso seja imaginar: se a vítima em questão não fosse também uma policial, quantos dos juízes de plantão — esses togados da verdade das redes sociais — estariam, neste exato momento, invertendo papéis, buscando justificativas, insinuando culpas?

Quando a justiça depende de quem sofre, ela já deixou de ser justiça há muito tempo.”

Alessandro Teodoro

Justiça pela soldado PM, Gisele Alves Santana, de 32 anos, assassinada na manhã do dia 18 de fevereiro de 2026, pelo covarde escondido sob a segunda pele do Braço Armado do Estado que nem se constrangeu em passar pano para o bandido e chutar mais uma Mulher para as estatísticas.

Esta frase aguardando revisão.

“⁠Se os pilantras não divergissem, não se traíssem nem se digladiassem, os de bem da boca para dentro só fariam para pagar a conta.

Há um detalhe curioso na engrenagem da corrupção humana: raramente ela cai por virtude coletiva. 

Quase sempre desmorona pelo ego dos próprios corruptos. 

O silêncio, a fidelidade e a cumplicidade entre os desonestos duram apenas enquanto os interesses caminham lado a lado. 

Basta faltar espaço na mesa, poder no bolso ou protagonismo no palco para que a fraternidade do oportunismo se transforme em guerra aberta.

É por isso que tantos esquemas vêm à tona, não pela força moral de quem combate, mas pela vaidade de quem participa. 

O pilantra suporta dividir o lucro; o que ele não suporta é dividir o comando. 

E quando a ambição entra em conflito com a cumplicidade, surgem os vazamentos, as delações, os arquivos esquecidos, os aliados transformados em inimigos históricos da noite para o dia.

Enquanto isso, existe também o “homem de bem” performático — aquele honesto da boca para fora que condena a sujeira em público, mas a tolera em privado, desde que seu lado continue vencendo. 

É o moralista de conveniência, cheio de valores da boca para fora, indignado seletivo, que chama de princípio aquilo que, no fundo, é apenas preferência política, ideológica ou tribal. 

Esse tipo não combate o sistema; apenas deseja ocupar uma cadeira melhor dentro dele.

Se os desonestos fossem minimamente disciplinados entre si, talvez a sociedade jamais enxergasse as rachaduras do teatro. 

Porque muita verdade não aparece pela busca sincera de justiça, mas pelo colapso inevitável da confiança entre aqueles que jamais souberam ser leais a nada além de si próprios.

No fim, parte da esperança social repousa numa ironia desconfortável: a ganância dos maus frequentemente faz muito mais para expor a podridão do que a coragem dos bons acomodados.”

Alessandro Teodoro

Esta frase aguardando revisão.

“Um povo espiritual e intelectualmente corrompido merece toda má sorte de corruptos lhes disputando a Economia da Atenção.

A cada exposição da ferida aberta de um, aparece uma enxurrada de passadores de pano relativizando-a e justificando-a com a ferida de outro.

Os que tentam legitimar os desvios de um lado só porque o outro também falhou, são igualmente ou mais podres do que aquilo que fingem combater.

Ainda que todos os políticos fossem corruptos, seria menos grave do que se todos os corruptos fossem políticos.

Porque a corrupção mais perigosa não nasce nos palácios, nos parlamentos ou nos gabinetes.

Ela nasce quando a consciência abdica de julgar com honestidade e passa a medir o certo e o errado pela conveniência da própria tribo.

Quando a verdade deixa de ser um princípio e se torna apenas uma ferramenta de combate.

Uma sociedade não começa a apodrecer quando surgem os corruptos.

Ela começa a apodrecer quando os corruptos encontram defensores apaixonados.

Quando a indignação deixa de ser moral e passa a ser seletiva.

Quando o escândalo não é mais o crime, mas a identidade de quem o cometeu.

Há uma degradação espiritual profunda em quem transforma a própria consciência em advogado daquilo que condenaria sem hesitar se viesse do adversário.

E há uma degradação intelectual ainda mais grave em quem acredita que duas injustiças podem produzir uma justiça, ou que um erro deixa de ser erro porque existe outro semelhante do outro lado.

A verdade não muda de natureza conforme a bandeira que a carrega.

A mentira não se torna honesta por vestir as cores da nossa preferência.

O abuso não se torna aceitável porque foi praticado por alguém que defende as mesmas causas que nós.

Quando um povo perde essa capacidade elementar de discernimento, deixa de exigir integridade e passa a exigir apenas lealdade.

E, nesse momento medonho, os piores líderes prosperam.

Não porque sejam extraordinariamente astutos, mas porque descobriram que a cegueira voluntária é mais poderosa do que qualquer estratégia.

Os corruptos que ocupam cargos são um problema.

Os corruptos que ocupam consciências são uma tragédia.

Os primeiros roubam recursos; os segundos roubam a própria noção de verdade.

Os primeiros podem ser substituídos; os segundos reproduzem indefinidamente o ambiente que permite a ascensão de novos oportunistas.

Por isso, talvez a pergunta mais importante e necessária não seja quem está corrompendo as instituições, mas quem está corrompendo os critérios pelos quais as julgamos.

Pois nenhum sistema resiste quando a honestidade deixa de ser um valor universal e se transforma em privilégio concedido apenas aos aliados.

Uma sociedade só começa a se curar quando abandona a idolatria política e recupera a coragem de condenar o erro mesmo quando ele veste o rosto dos seus.

Porque a integridade verdadeira não escolhe lados para existir.

Ela permanece de pé, solitária se necessário, diante de qualquer mentira, de qualquer abuso e de qualquer corrupção.

E é justamente por isso que ela se torna tão rara.”

Alessandro Teodoro

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“Talvez, sem uma dose moderada de Ceticismo, fosse impossível desenvolvermos a Criticidade.

Não porque devamos desconfiar de tudo, mas porque pensar, em seu sentido mais rigoroso, exige a coragem de interromper o impulso de simplesmente concordar.

Há uma diferença muito profunda entre possuir convicções e ser possuído por elas.

A primeira pode nascer do exercício da razão; a segunda, muitas vezes, nasce do desejo de encontrar certezas que nos dispensem do trabalho de pensar.

O Ceticismo, quando Moderado e Desapaixonado, não precisa destruir as verdades que encontramos.

Ele apenas nos pergunta se temos razões suficientes para chamá-las de verdade.

E essa pergunta, embora pareça muito modesta, talvez seja uma das principais expressões de Liberdade Intelectual.

Kant compreendeu que a razão não se torna livre quando abandona todos os limites, mas quando aprende a reconhecer os limites dentro dos quais pode legitimamente afirmar alguma coisa.

O Pensamento Crítico começa justamente aí: quando deixamos de tratar nossas impressões como evidências, nossas preferências como princípios e nossas convicções como se fossem conclusões irrefutáveis.

Há, portanto, uma espécie de Humildade Intelectual escondida no ato de duvidar.

Quem duvida, honestamente, admite que pode estar equivocado — e, ao fazê-lo, preserva aberta a possibilidade de aprender.

Já aquele que transforma sua crença em identidade passa a experimentar toda objeção como uma ameaça pessoal.

E quando uma ideia se confunde com o próprio ego, a razão deixa de ser instrumento de investigação e passa a funcionar como advogada de nossas paixões.

Talvez seja por isso que a criticidade exija certa distância emocional.

Não uma distância que nos torne indiferentes, mas aquela que nos permita olhar para aquilo que amamos sem precisar necessariamente defendê-lo; para aquilo que odiamos sem precisar necessariamente condená-lo; e para aquilo em que acreditamos sem exigir que o mundo inteiro se curve à nossa crença.

Pensar autonomamente é, em alguma medida, suportar o desconforto de não ter sempre uma resposta pronta.

É preferir a honestidade da pergunta à tranquilidade de uma certeza mal examinada.

É compreender que a razão não existe para confirmar aquilo que já sentimos, mas para submeter inclusive nossas próprias convicções ao Tribunal da Reflexão.

Talvez a verdadeira Maturidade Intelectual comece quando percebemos que não somos mais livres por acreditar intensamente, mas por sermos capazes de perguntar, inclusive sobre aquilo em que acreditamos intensamente: por que penso assim?

E talvez seja justamente nesse ínterim entre a paixão que afirma e a razão que examina que começa a nascer aquilo que chamamos de Criticidade.”

Alessandro Teodoro

Esta frase aguardando revisão.

“O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra… Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.

Antes de ser matéria, quase tudo foi ideia.

Antes de ser gesto, foi intenção.

Antes de ganhar forma, alguém precisou nomear, imaginar, ordenar ou simplesmente dizer: seja.

A palavra tem esse estranho poder de inaugurar realidades.

Com ela fazemos promessas, construímos pontes, declaramos amores, iniciamos guerras, criamos leis e inventamos futuros.

Uma palavra pode levantar alguém do chão ou empurrá-lo ainda mais para dentro de si.

Pode aproximar desconhecidos, separar amigos e transformar um instante em memória.

Mas há algo curioso na condição humana: aquilo que construímos com tanta seriedade, frequentemente só consegue continuar existindo porque aprendemos a rir de sua própria seriedade.

É aí que entra a ironia.

A ironia talvez seja uma das formas mais sofisticadas de lucidez.

Ela nasce quando percebemos que o mundo raramente corresponde ao que dizemos sobre ele.

Falamos em justiça, mas almejamos privilégios.

Pregamos a tolerância, mas escolhemos cuidadosamente aquilo que estamos dispostos a tolerar.

Defendemos a verdade, desde que ela não contrarie aquilo em que já acreditamos.

E seguimos…

Talvez porque a ironia nos permita suportar essa distância entre o que somos e aquilo que gostaríamos de ser.

Rimos de nossas contradições porque, muitas vezes, levá-las inteiramente a sério seria insuportável.

O homem constrói monumentos à eternidade sabendo que morrerá.

Escreve declarações de amor como se o sentimento pudesse vencer o tempo.

Cria regras para organizar o caos e, logo depois, inventa exceções para conseguir viver dentro delas.

Somos criaturas paradoxais: precisamos acreditar nas palavras que criamos, mas também precisamos desconfiar delas.

Porque a palavra constrói, mas pode aprisionar.

Um nome transforma uma coisa em conceito.

Um conceito transforma-se em certeza.

E uma certeza, quando ninguém mais ousa questioná-la, pode se transformar em dogma.

Talvez por isso a ironia seja tão necessária.

Ela abre uma pequena fresta na parede das nossas certezas.

Não necessariamente para destruir aquilo que acreditamos, mas para lembrar que nenhuma construção humana deveria ser tão sagrada a ponto de não suportar uma pergunta.

A ironia nos sussurra: olhe novamente.

Olhe para aquilo que você chama de sucesso.

Olhe para aquilo que chama de fracasso.

Olhe para as convicções que herdou e que nunca examinou.

Olhe para as verdades que defende com tanta veemência — e pergunte se ainda acredita nelas ou apenas aprendeu a repeti-las.

Talvez a maturidade esteja justamente nesse movimento: continuar usando a palavra para construir, sem esquecer que toda construção humana é provisória.

Criamos o mundo quando falamos sobre ele.

Mas também podemos recriá-lo quando encontramos novas palavras para aquilo que antes parecia definitivo.

No fim, talvez a existência seja essa curiosa negociação entre a palavra e a ironia.

A palavra diz: “É assim.”

A ironia pergunta:“Será?”

E, entre as duas, nesse pequeno espaço aberto pela dúvida, talvez esteja aquilo que chamamos de liberdade.”

Alessandro Teodoro

Esta frase aguardando revisão.

“Há Textos nos quais a gente Brinca com as Palavras; noutros, são elas que se juntam para Brincar com a gente.

E talvez seja justamente aí que a literatura deixe de ser apenas um exercício de linguagem para se tornar uma espécie de espelho da existência.

Porque há Palavras que obedecem à nossa vontade, mas há outras que, uma vez reunidas, escapam ao nosso controle, revelam o que escondíamos de nós mesmos e nos colocam diante de perguntas que não sabíamos nem formulá-las.

Escrevemos acreditando que conduzimos o pensamento, até descobrirmos que, às vezes, é ele quem nos conduz.

Escolhemos uma Palavra por sua beleza e, de repente, ela nos devolve uma lembrança.

Construímos uma frase em busca de sentido e terminamos diante de um silêncio que diz muito mais do que havíamos planejado.

Há Textos que nascem da inteligência; outros, das feridas abertas.

Alguns são arquitetados com rigor, enquanto outros parecem brotar de um lugar misterioso onde a razão não alcança e a sensibilidade compreende sem precisar explicar.

E existem aqueles que, sem pedir licença, encontram em nós uma porta entreaberta e entram justamente onde ainda não aprendemos a nos defender.

Talvez porque as Palavras não sejam apenas instrumentos de expressão, mas também de revelação.

Elas tanto podem organizar o caos que carregamos quanto desorganizar as certezas que nos mantêm confortáveis.

Podem nos oferecer respostas, mas também têm o poder de tornar nossas perguntas mais profundas.

E, não raro, uma única frase é suficiente para abalar uma convicção que julgávamos inabalável.

O curioso é que nem sempre compreendemos aquilo que escrevemos no instante em que escrevemos.

Às vezes, a consciência chega depois, como quem encontra, entre as linhas, vestígios de uma verdade que o coração já conhecia, mas que a razão ainda não tinha coragem de admitir.

É por isso que certos Textos não terminam no ponto final.

Continuam reverberando, deslocando ideias, provocando incômodos, revisitando memórias.

A gente fecha o livro, abandona a página, segue a vida — mas alguma coisa permanece aberta dentro de nós.

E talvez a maior virtude de um Texto não seja a de nos convencer de alguma coisa, mas a de nos tornar incapazes de continuar pensando exatamente como antes.

Porque Brincar com as palavras é uma arte; permitir que elas Brinquem com nossas certezas é um risco.

Exige Humildade Intelectual para reconhecer que nem tudo o que pensamos é verdade, coragem para rever o que acreditávamos e sensibilidade para perceber que, por trás de cada Palavra, pode existir uma experiência humana que não conhecemos por inteiro.

No fim, escrever talvez seja isso: tentar dar forma ao que sentimos, mesmo sabendo que nenhuma Palavra consegue conter a totalidade de uma experiência.

E ler, por sua vez, é aceitar a possibilidade de que aquilo que alguém escreveu sobre si possa, inesperadamente, revelar alguma coisa sobre nós.

Há Palavras que passam pelos olhos.

Outras atravessam a consciência.

E há aquelas, raras e inquietantes, que chegam tão fundo que já não sabemos se fomos nós que as interpretamos ou se foram elas que, finalmente, nos traduziram.

Porque, quando as Palavras começam a Brincar com a gente, o Texto deixa de ser apenas aquilo que lemos e passa a ser, também, aquilo que somos obrigados a descobrir em nós mesmos.”

Alessandro Teodoro