„Em um cubilo bem no centro
da cidade,
debruçado em cima
de uma mesinha
de madeira,
sem grana para os cigarros,
com um prato de arroz
e ovo
e muitos,
muitos papeis jogados sobre
ela.
Não existe nada que ensine
mais sobre a poesia para
um homem
do que o fracasso.
Esqueça o resto.
Tudo o que nasce ao contrário
disso
não passa de literatura para
vender,
para enduzir,
para massagear o ego
de algum miserável
que se sente importante o bastante
ou especial
diante da tal beleza
que ele consegue ver
na vida.
Quer ver um homem sem máscaras?
O jogue dentro do calabouço,
o empurre para dentro dos
vulcões,
das favelas,
dos vales assombrados
pelos demônios.
Tire tudo o que ele tem,
deixe seu estomago roncar
ou as pálpebras abertas
por duas,
três noites seguidas.
Tire seu teto, sua cama,
largue-o dentro de um buraco
e não volte
para buscá-lo.
O deixe sozinho.
Um homem não possuí mascaras
quando está apenas
diante de si
mesmo.
O resto é história, faixada,
adaptação para o que o mundo
pede.
O dia a dia é complicadíssimo,
e eu sei que uma porrada
de gente não sabe como lidar
com eles.
Enquanto o Sol finje que vem e se vai,
mas sempre sem sair
do lugar.
Um farsante,
como nós.
Mas não há farsa dentro
desse quartinho,
não há farsa nesse prato
de comida,
e nem na falta de perspectiva.
Tudo é verdadeiro, e a verdade
é um horror,
e talvez, por isso as máscaras,
pois elas amenizam a tristeza
dessa coisa tenebrosa
que a gente é.“

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