Frases sobre conceito
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“Pensar consiste, ordinariamente, em ir dos conceitos às coisas, e não das coisas aos conceitos.”

Henri Bergson (1859–1941)

Fonte: "Introdução à Metafísica"

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“Marques de Sade, o mais livre dos espíritos que já viveu até hoje, tinha conceitos próprios em relação a mulher: ele queria que ela fosse tão livre quanto o homem. Dessas ideias - que tomarão forma algum dia - nasceu duas novelas Justine e Juliette. Não foi mero acidente Sade ter escolhido heroínas ao invés de heróis. Justine é a mulher como ela tem sido até hoje, escravizada, miserável e menos que humana; seu oposto, Juliette, representa a mulher cujo advento ele antecipou, uma figura da qual as mentes ainda não tinham uma concepção, que está ascendendo na humanidade, que deverá ganhar asas, e que deverá renovar o mundo.”

Guillaume Apollinaire (1880–1918)

Variante: Marques de Sade, o mais livre dos espíritos que já viveu até hoje, tinha conceitos próprios em relação a mulher: ele queria que ela fosse tão livre quanto os homem. Dessas ideias - que tomarão forma algum dia - nasceu duas novelas Justine e Juliette. Não foi mero acidente Sade ter escolhido heroínas ao invés de heróis. Justine é a mulher como ela tem sido até hoje, escravizada, miserável e menos que humana; seu oposto, Juliette, representa a mulher cujo advento ele antecipou, uma figura da qual as mentes ainda não tinham uma concepção, que está ascendendo na humanidade, que deverá ganhar asas, e que deverá renovar o mundo.

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“Quando falamos dos comunistas, poderíamos começar com conceitos. Os fascistas não têm realmente conceitos. Eles têm atitudes. Têm respostas características à guerra, à depressão e ao atraso. Mas não começam com um conjunto de ideias que depois aplicam ao mundo.”

Tony Judt (1948–2010)

No original: "When we spoke of the Marxists we could begin with concepts. The fascists don’t really have concepts. They have attitudes. They have distinctive responses to war, depression and backwardness. But they don’t start out with a set of ideas that they then apply to the world."
Pensando o Século XX (2012)
Fonte: Capítulo 5 - Paris, Califórnia: Intelectual Francês. Tradução de Otacílio Nunes.

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“Uma pessoa comum toma o dito em seguida por natural e real, no começo, não só crê que os conceitos sejam representantes da realidade, também considera os métodos e caminhos do pensamento idênticos aos caminhos e luz do ser.”

Hans Vaihinger (1852–1933) professor académico alemão

A filosofia do como se, páginas 251-252, Hans Vaihinger; Tradução e apresentação de Johannes Kretschmer - Chapecó: Argos, 2011 - 723 páginas.
A Filosofia do como se (1911), Parte I

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“O importante não é ser um intelectual, mas um espiritual e um sensual. A chama de um círio, o calor de um corpo adolescente, isso é o que faz a vida apaixonante. As idéias, os conceitos, são muito secundários.”

Gabriel Matzneff (1936)

L’important n’est pas d’être un intellectuel, mais d’être un spirituel et un sensuel. La flamme d’un cierge, la chaleur d’un corps adolescent, voilà ce qui rend la vie passionnante. Les idées, les concepts, c’est très secondaire.
Les passions schismatiques
Fonte: Matzneff, Gabriel, Les passions schismatiques, Paris, Stock, 1977, p. 39

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“⁠A Janela do Discurso sempre se moveu pelas Mãos Invisíveis das Narrativas.


Se reinventar já era mais do que esperado…


Mas nada foi tão Medonho quanto a vê-la se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.


A Janela de Overton — esse mecanismo silencioso e traiçoeiro que define os limites do que é socialmente aceitável — sempre se moveu pelas mãos invisíveis das narrativas.


Ideias outrora impensáveis se tornam plausíveis, discutíveis, desejáveis… e até aceitáveis.


Nada disso é novo.


Mas há deslocamentos que ultrapassam o jogo das ideias: eles tocam em pilares que, uma vez manipulados, comprometem a própria estrutura da convivência civilizada.


Nada foi tão medonho quanto assistir a essa janela se valer da “Idoneidade Policial” e da “Fé Religiosa”.


Ambas, por natureza, deveriam inspirar confiança — não manipulação.


Quando começam a ser usadas como régua para definir quem merece voz, respeito ou até mesmo existência, o que está em jogo não é mais apenas a opinião pública: é a própria noção de justiça e espiritualidade.


A confiança na justiça perde o chão quando o discurso sobre “idoneidade” é moldado para blindar abusos e silenciar denúncias.


E a fé, que deveria acolher, se torna instrumento de controle quando usada para validar narrativas de exclusão, discurso de ódio, intolerância ou superioridade moral.


Quando a Janela do Discurso se move por esses vetores, não estamos apenas assistindo a uma mudança de ideias.


Estamos permitindo que conceitos sagrados e instituições essenciais sejam descaradamente arrastados para a seara da manipulação.


Toda e qualquer forma de manipulação é ruim, mas valer-se das autoridades presumidas para inviabilizar o debate e a crítica é de uma sordidez sem precedentes.


E isso, sim, é digno de temor.


Tenho medo…”

Alessandro Teodoro

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“Talvez se os “de bem” se libertassem da hipocrisia, já seria o bastante para resolver metade dos problemas no mundo.

Isso incomoda porque expõe uma contradição silenciosa: o rótulo de “bem” muitas vezes não nasce de virtude, mas de conveniência.

É mais fácil vestir a moral como um uniforme do que praticá-la como um exercício diário.

A hipocrisia, nesse cenário, deixa de ser um desvio e passa a ser um mecanismo de proteção — um escudo que permite condenar no outro aquilo que não se quer reconhecer em si mesmo.

Há uma espécie de conforto em apontar o erro alheio.

Ele cria a ilusão de superioridade sem exigir transformação.

Enquanto isso, a coerência — essa sim, exigente — cobra silêncio antes do julgamento, escuta antes da reação, e, principalmente, revisão antes da acusação.

Não é à toa que ela é tão rara.

O problema não está apenas nos que erram, mas nos que se absolvem com facilidade demais.

Porque quando a régua moral muda de acordo com o interesse, o conceito de “bem” se torna elástico, moldado pela conveniência e não pela consciência.

E aí, o discurso vira palco, mas a prática continua nos bastidores — muitas vezes em desacordo com tudo o que se defende em voz alta.

Libertar-se da hipocrisia não é só um gesto grandioso, é um exercício muito incômodo.

Exige reconhecer falhas sem terceirizá-las, alinhar discurso e atitude, e abrir mão da necessidade constante de só parecer certo.

Talvez por isso seja tão evitado: porque é mais difícil ser íntegro do que parecer correto.

Se metade dos problemas do mundo nascem dessa incoerência cotidiana, então a solução não está em grandes revoluções, mas em pequenos alinhamentos.

Menos discurso inflamado, mais prática silenciosa.

Menos julgamento, mais autocrítica.

Menos aparência de virtude, mais esforço real para vivê-la.

No fim, não é sobre deixar de errar — isso é inevitável.

É sobre deixar de fingir que não erramos.

Porque, talvez, o verdadeiro “bem” comece justamente onde termina a necessidade de parecer bom.

Sem a covardia de muitos que se julgam bons, os maus jamais subsistiriam.”

Alessandro Teodoro

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“O mundo e quase tudo que nele existe foi criado pela palavra… Mas é pela ironia que ele quase sempre subsiste.

Antes de ser matéria, quase tudo foi ideia.

Antes de ser gesto, foi intenção.

Antes de ganhar forma, alguém precisou nomear, imaginar, ordenar ou simplesmente dizer: seja.

A palavra tem esse estranho poder de inaugurar realidades.

Com ela fazemos promessas, construímos pontes, declaramos amores, iniciamos guerras, criamos leis e inventamos futuros.

Uma palavra pode levantar alguém do chão ou empurrá-lo ainda mais para dentro de si.

Pode aproximar desconhecidos, separar amigos e transformar um instante em memória.

Mas há algo curioso na condição humana: aquilo que construímos com tanta seriedade, frequentemente só consegue continuar existindo porque aprendemos a rir de sua própria seriedade.

É aí que entra a ironia.

A ironia talvez seja uma das formas mais sofisticadas de lucidez.

Ela nasce quando percebemos que o mundo raramente corresponde ao que dizemos sobre ele.

Falamos em justiça, mas almejamos privilégios.

Pregamos a tolerância, mas escolhemos cuidadosamente aquilo que estamos dispostos a tolerar.

Defendemos a verdade, desde que ela não contrarie aquilo em que já acreditamos.

E seguimos…

Talvez porque a ironia nos permita suportar essa distância entre o que somos e aquilo que gostaríamos de ser.

Rimos de nossas contradições porque, muitas vezes, levá-las inteiramente a sério seria insuportável.

O homem constrói monumentos à eternidade sabendo que morrerá.

Escreve declarações de amor como se o sentimento pudesse vencer o tempo.

Cria regras para organizar o caos e, logo depois, inventa exceções para conseguir viver dentro delas.

Somos criaturas paradoxais: precisamos acreditar nas palavras que criamos, mas também precisamos desconfiar delas.

Porque a palavra constrói, mas pode aprisionar.

Um nome transforma uma coisa em conceito.

Um conceito transforma-se em certeza.

E uma certeza, quando ninguém mais ousa questioná-la, pode se transformar em dogma.

Talvez por isso a ironia seja tão necessária.

Ela abre uma pequena fresta na parede das nossas certezas.

Não necessariamente para destruir aquilo que acreditamos, mas para lembrar que nenhuma construção humana deveria ser tão sagrada a ponto de não suportar uma pergunta.

A ironia nos sussurra: olhe novamente.

Olhe para aquilo que você chama de sucesso.

Olhe para aquilo que chama de fracasso.

Olhe para as convicções que herdou e que nunca examinou.

Olhe para as verdades que defende com tanta veemência — e pergunte se ainda acredita nelas ou apenas aprendeu a repeti-las.

Talvez a maturidade esteja justamente nesse movimento: continuar usando a palavra para construir, sem esquecer que toda construção humana é provisória.

Criamos o mundo quando falamos sobre ele.

Mas também podemos recriá-lo quando encontramos novas palavras para aquilo que antes parecia definitivo.

No fim, talvez a existência seja essa curiosa negociação entre a palavra e a ironia.

A palavra diz: “É assim.”

A ironia pergunta:“Será?”

E, entre as duas, nesse pequeno espaço aberto pela dúvida, talvez esteja aquilo que chamamos de liberdade.”

Alessandro Teodoro