Frases sobre atraso

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da atraso, coisa, tempo, dia.

Frases sobre atraso

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“Mas don Rigoberto sabia que não havia outro remédio, tinha que se resignar e esperar. Provavelmente as únicas brigas do casal ao longo de todos os anos que estavam juntos foram causadas pelos atrasos de Lucrecia sempre que iam sair, para onde fosse, um cinema, um jantar, uma exposição, fazer compras, uma operação bancária, uma viagem. No começo, quando começaram a morar juntos, recém-casados, ele pensava que sua mulher demorava por mera inapetência e desprezo pela pontualidade. Tiveram discussões, desavenças, brigas por causa disso. Pouco a pouco, do Rigoberto, observando-a, refletindo, entendeu que esses atrasos da esposa na hora de sair para qualquer compromisso não eram uma coisa superficial, um desleixo de mulher orgulhosa. Obedeciam a algo mais profundo, um estado ontológico da alma, porque, sem que ela tivesse consciência do que lhe ocorria, toda vez que precisava sair de algum lugar, da sua própria casa, a de uma amiga que estava visitando, o restaurante onde acabara de jantar, era dominada por uma inquietação recôndita, uma insegurança, um medo obscuro, primitivo, de ter que ir embora, sair dali, mudar de lugar, e então inventava todo tipo de pretextos - pegar um lenço, trocar a bolsa, procurar as chaves, verificar se as janelas estavam bem fechadas, a televisão desligada, se o fogão não estava acesso ou o telefone fora do gancho -, qualquer coisa que atrasasse por alguns minutos ou segundos a pavorosa ação de partir.
Ela sempre foi assim? Quando era pequena também? Não se atreveu a perguntar. Mas já havia constatado que, com o passar dos anos, esse prurido, mania ou fatalidade se acentuava, a tal ponto que Rigoberto às vezes pensava, com um calafrio, que talvez chegasse o dia que Lucrecia, com a mesma benignidade do personagem de Melville, ia contrair a letargia ou indolência metafísica de Bartleby e decidir não mais sair da sua casa, quem sabe do seu quarto e até da sua cama. "Medo de abandonar o ser, de perder o ser, de ficar sem seu ser", pensou mais uma vez. Era o diagnóstico que havia chegado em relação aos atrasos da esposa.”

El héroe discreto

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“Pontualidade é a coincidência de duas pessoas chegarem com o mesmo atraso.”

Leon Eliachar (1922–1987)

"O homen ao quadrado" - Página 41; de Leon Eliachar - Publicado por Livraria Francisco Alves, 1963 - 265 páginas
O homem ao quadrado

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“Amigos, temos sofrido atrasos e até cancelamento de cenas porque alguns colegas decoram mal demais suas falas: ato imperdoável em atores de telenovela.”

Wolf Maya (1953)

Wolf Maya, diretor, em bilhete anexado ao roteiro de Senhora do Destino
Fonte: Revista ISTOÉ Gente, edição 273 http://www.terra.com.br/istoegente/273/frases/index.htm (1/11/2004)

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“O atraso das ciências económicas e sociais em relação às ciências da matéria é uma das causas das actuais infelicidades da Humanidade. A técnica arrasta o homem para horizontes imprevistos.”

Jean Fourastié (1907–1990) Economista francês

Variante: O atraso das ciências económicas e sociais em relação às ciências da matéria é uma das causas das atuais infelicidades da Humanidade. A técnica arrasta o homem para horizontes imprevistos.

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“Me chama de relógio que eu tiro o seu atraso.”

Rodrigo Faro (1973) Apresentador de televisão, ator e cantor brasileiro

No programa O Melhor do Brasil

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“A questão de fundo ultrapassa a mera razão aritmética das finanças dos governos e alcança um outro patamar de reflexão. Não há como superar a pobreza, o atraso e déficits gigantescos desconsiderando aqueles que deveriam ser parceiros da travessia para um novo patamar de desenvolvimento.”

Aécio Neves (1960) político brasileiro

Aécio Neves artigo do senador na Folha de S.Paulo, dia 18 de novembro 2013
Fonte Folha de S.Paulo http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/2013/11/1372801-federacao-ja.shtml

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“A verdade é que pagamos um alto preço pela ineficiência dos últimos anos. Com a infraestrutura deteriorada, o país vem perdendo competitividade no cenário internacional. Por questões ideológicas, o PT impôs um calendário de atraso ao país.”

Aécio Neves (1960) político brasileiro

Aécio Neves artigo do senador publicado dia 16 de setembro de 2013.
Fonte Folha de S.Paulo http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/2013/09/1342484-concessoes.shtml

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“O poder público faz propaganda de tudo. Se nós fizéssemos propaganda de tudo que nós fazemos, imagina quanto dinheiro agente teria que gastar. Mas o governo, infelizmente, faz propaganda de qualquer poste novo que ele acende. E, para isso, a propaganda é paga em dia e nossas casas de acolhimento para crianças abandonadas recebem sempre com imenso atraso, basta dizer aqui no município de Salvador.”

Fonte: Perla Ribeiro. Dom Geraldo Majella: ‘o governo faz propaganda de qualquer poste novo’ http://www.correio24horas.com.br/detalhe/bahia/noticia/dom-geraldo-majella-o-governo-faz-propaganda-de-qualquer-poste-novo/?cHash=fceef9e0ef77e027d5294aa8776543c1 Jornal Correio, Salvador, 11 de janeiro de 2009.

“Quando falamos dos comunistas, poderíamos começar com conceitos. Os fascistas não têm realmente conceitos. Eles têm atitudes. Têm respostas características à guerra, à depressão e ao atraso. Mas não começam com um conjunto de ideias que depois aplicam ao mundo.”

Tony Judt (1948–2010)

No original: "When we spoke of the Marxists we could begin with concepts. The fascists don’t really have concepts. They have attitudes. They have distinctive responses to war, depression and backwardness. But they don’t start out with a set of ideas that they then apply to the world."
Pensando o Século XX (2012)
Fonte: Capítulo 5 - Paris, Califórnia: Intelectual Francês. Tradução de Otacílio Nunes.

Esta frase aguardando revisão.

“Receio que o termo “Textão” tenha surgido dos Leitores apressados que se alimentam da Superficialidade Digital.

É muito curioso como uma Palavra criada para diminuir o Tamanho de uma Reflexão acabou revelando muito mais sobre quem a utiliza do que sobre quem Escreve.

Chamar um texto de “textão” quase sempre carrega uma dose de impaciência, como se dedicar alguns minutos à leitura fosse um sacrifício incompatível com o ritmo frenético da vida online.

Vivemos a era da Velocidade…

Tudo precisa ser resumido, comprimido, editado, transformado em poucos segundos de vídeo, em frases de efeito ou em legendas que caibam entre uma propaganda e outra.

A profundidade passou a disputar espaço com o algoritmo, e o algoritmo muito raramente recompensa quem exige pausa, silêncio e Contemplação.

Não se trata de condenar a Tecnologia.

Ela democratizou o acesso à informação de uma forma jamais imaginada.

O problema começa quando confundimos informação com conhecimento, opinião com reflexão e consumo de conteúdo fragmentado com aprendizado.

Nunca lemos tanto; mas talvez nunca tenhamos compreendido tão pouco.

Há uma diferença enorme entre passar os olhos por centenas de publicações e permitir que uma ideia atravesse as nossas convicções.

A primeira alimenta o cérebro com estímulos constantes; a segunda exige algo muito mais raro: disposição para pensar.

Pensar dói, desmonta certezas e nos obriga a reconhecer que o mundo dificilmente cabe em frases feitas.

Talvez por isso os textos longos incomodem tanto.

Eles não permitem respostas automáticas.

Exigem tempo, interpretação e, principalmente, disposição para dialogar com ideias que podem contrariar as nossas próprias crenças.

Em uma cultura que premia reações instantâneas, qualquer convite à reflexão parece um atraso.

É muito curioso perceber que quase ninguém reclama de assistir horas de uma série, acompanhar partidas inteiras de futebol, maratonar vídeos ou permanecer incontáveis minutos, quiçá horas, deslizando o dedo sobre a tela.

O problema não é o tempo…

O problema é quando esse tempo precisa ser investido em algo que exige participação intelectual.

O entretenimento flui; a reflexão cobra presença.

Reduzir qualquer argumento elaborado ao rótulo de "Textão" também revela uma inversão muito preocupante de valores.

A brevidade deixou de ser uma qualidade para se tornar uma obrigação.

Como se toda ideia complexa pudesse — e devesse — caber em poucas linhas.

Mas a realidade não é simples.

Justiça, ética, liberdade, amor, política, fé, educação ou desigualdade jamais serão compreendidos em meia dúzia de caracteres.

A pressa também produz outro efeito silencioso: substitui o entendimento pelo julgamento.

Antes mesmo de compreender um raciocínio completo, muitos já formulam uma resposta.

Não dialogam com argumentos; combatem impressões.

Nem escutam para entender; escutam apenas o suficiente para responder.

Isso explica por que tantos debates se transformaram em disputas de frases de impacto.

Vence quem viraliza, não quem argumenta.

Ganha visibilidade quem simplifica, ainda que simplificar signifique distorcer.

Talvez o verdadeiro "Textão" não esteja nas palavras escritas, mas na complexidade da própria existência.

A vida nunca foi tão resumida.

Uma amizade não cabe em um emoji.

Um luto não se traduz em status ou stories.

Uma consciência não amadurece por meio de manchetes.

Os maiores aprendizados sempre exigiram tempo, escuta e profundidade.

Ler um texto longo não é apenas consumir palavras; é exercitar uma habilidade que está se tornando muito rara: permanência.

Permanecer diante de uma ideia até compreendê-la.

Permanecer diante de um argumento sem fugir para a próxima distração.

Permanecer diante do desconforto que uma boa reflexão inevitavelmente provoca.

Talvez o problema nunca tenha sido o “Textão”.

Talvez o problema seja a dificuldade crescente de permanecer tempo suficiente diante de qualquer coisa que não produza Gratificação Imediata.

E, quem sabe, o dia em que voltarmos a valorizar a Leitura Demorada, a Conversa Profunda e o Pensamento Paciente seja também o dia em que deixaremos de chamar Reflexão de Excesso de Palavras e reconheceremos nela aquilo que sempre foi: um convite para enxergar Além da Superfície.”