„Quando aquela senhora que me lembrava minha tia disse que me conhecia, ela não estava dizendo que conhecia minha história de vida e minha família, que sabia onde eu morava, que escolas frequentei, os romances que escrevi e as dificuldades políticas que enfrentei. Nem que conhecia minha vida particular, meus hábitos pessoais ou minha natureza essencial e minha visão de mundo, que eu tentara expressar relacionando-as com minha cidade natal em meu livro Istambul. A velha senhora não estava confundindo a minha história com as histórias de minhas personagens fictícias. Ela parecia falar de algo mais profundo, mais íntimo, mais secreto, e senti que a entendia. O que permitiu que a tia perspicaz me conhecesse tão bem foram minhas próprias experiências sensoriais, que inconscientemente eu colocara em todos os meus livros, em todas as minhas personagens. Eu projetara minhas experiências em minhas personagens: como me sinto quando aspiro o cheiro da terra molhada de chuva, quando me embriago num restaurante barulhento, quando toco a dentadura de meu pai depois de sua morte, quando lamento estar apaixonado, quando eu consigo me safar quando conto uma mentirinha, quando aguardo na fila de uma repartição pública segurando um documento molhado de suor, quando observo as crianças jogando futebol na rua, quando corto o cabelo, quando vejo retratos de paxás e frutas pendurados nas bancas de Istambul, quando sou reprovado na prova de direção, quando fico triste depois que todo mundo deixou a praia no fim do verão, quando sou incapaz de me levantar e ir embora no final de uma longa visita a alguém apesar do adiantado da hora, quando desligo o falatório da TV na sala de espera do médico, quando encontro um velho amigo do serviço militar, quando há um súbito silêncio no meio de uma conversa interessante. Nunca me senti embaraçado quando meus leitores pensavam que as aventuras de meus heróis também haviam ocorrido comigo, porque eu sabia que isso não era verdade. Ademais, eu tinha o suporte de três séculos de teoria do romance e da ficção, que podia usar para me proteger dessas afirmações. E estava bem ciente de que a teoria do romance existia para defender e manter essa independência da imaginação em relação à realidade. No entanto, quando uma leitora inteligente me disse que sentira, nos detalhes do romance, a experiência da vida real que "os tornavam meus", eu me senti embaraçado como alguém que confessou coisas íntimas a respeito da própria alma, como alguém cujas confissões escritas foram lidas por outra pessoa.“

—  Orhan Pamuk, The Naive and the Sentimental Novelist
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Citações relacionadas

„Creio que meu sucesso se deve ao fato de que escrevo histórias que cativam a imaginação dos leitores. Meus romances têm personagens que o público costuma considerar interessantes, se passam em lugares glamourosos e geralmente são divertidos.“

—  Sidney Sheldon 1917 - 2007
Sidney Sheldon, ao ser indagado a respeito do porquê de sua fama. Fonte: Entrevista concedida ao jornal Folha, quarta-feira, 21 de dezembro de 2005 Source: http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u56189.shtml

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„A História é um romance que foi. O romance é a história que poderia ter sido.“

—  Jules De Goncourt 1830 - 1870
fontes: SQUARISI, Dad (10 de setembro de 2006). "Dicas de português - Demagogogos e busca-pés...". Correio Braziliense, Caderno C, p. 4 Idées et sensations, 1866, com Edmond de Goncourt

„Acho que a história do Brasil é um romance sem heróis.“

—  Raimundo Faoro 1925 - 2003
Em entrevista à Revista Veja, em abril de 1976

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„Então foi uma experiência profunda que levarei como um tesouro para a vida. Foi apenas um pouco estranho no início, porque era difícil dissociar a pessoa que você conhece tão bem e enxergar alguém por quem minha personagem tem tanto ressentimento. Mas em poucos dias conseguimos visualizar bem as personagens e a história que gostaríamos de construir no filme.“

—  Mamie Gummer 1983
Source: ‘Foi uma experiência profunda’, diz Mamie Gummer sobre ter atuado com a mãe, Meryl Streep, André Miranda, O Globo, 16 de janeiro de 2017 http://oglobo.globo.com/cultura/filmes/foi-uma-experiencia-profunda-diz-mamie-gummer-sobre-ter-atuado-com-mae-meryl-streep-17143755,

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„Eu tive lombriga sim. Sentia o cheiro da terra molhada depois da chuva e colocava na boca para comer.“

—  Wanessa 1982
Lembrando da infância pobre em entrevista a Jô Soares. Fonte: Revista ISTOÉ Gente, edição 256 http://www.terra.com.br/istoegente/256/frases/index.htm (05/07/2004)

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„Os romances nunca serão totalmente imaginários nem totalmente reais. Ler um romance é confrontar-se tanto com a imaginação do autor quanto com o mundo real cuja superfície arranhamos com uma curiosidade tão inquieta. Quando nos refugiamos num canto, nos deitamos numa cama, nos estendemos num divã com um romance nas mãos, nossa imaginação passa a trafegar o tempo entre o mundo daquele romance e o mundo no qual ainda vivemos. O romance em nossas mãos pode nos levar a um outro mundo onde nunca estivemos, que nunca vimos ou de que nunca tivemos notícia. Ou pode nos levar até as profundezas ocultas de um personagem que, na superfície, parece semelhante às pessoas que conhecemos melhor. Estou chamando atenção para cada uma dessas possibilidades isoladas porque há uma visão que acalento de tempos em tempos que abarca os dois extremos. Às vezes tento conjurar, um a um, uma multidão de leitores recolhidos num canto e aninhados em suas poltronas com um romance nas mãos; e também tento imaginar a geografia de sua vida cotidiana. E então, diante dos meus olhos, milhares, dezenas de milhares de leitores vão tomando forma, distribuídos por todas as ruas da cidade, enquanto eles lêem, sonham os sonhos do autor, imaginam a existência dos seus heróis e vêem o seu mundo. E então, agora, esses leitores, como o próprio autor, acabam tentando imaginar o outro; eles também se põem no lugar de outra pessoa. E são esses os momentos em que sentimos a presença da humanidade, da compaixão, da tolerância, da piedade e do amor no nosso coração: porque a grande literatura não se dirige à nossa capacidade de julgamento, e sim à nossa capacidade de nos colocarmos no lugar do outro.“

—  Orhan Pamuk 1952

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