Frases sobre humilhação

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da humilhação, ser, outro, vida.

Frases sobre humilhação

Alain de Botton photo

“… Eu me desnudo emocionalmente quando confesso minha carência – que estarei perdido sem você, que não sou necessariamente a pessoa independente que tentei aparentar. Na verdade, não passo de um fraco, cuja noção dos rumos ou do significado da vida é muito restrita. Quando choro e lhe conto coisas que, confio, serão mantidas em segredo, coisas que me levarão à destruição, caso terceiros tomem conhecimento delas, quando vou a festas e não me entrego ao jogo da sedução porque reconheço que só você me interessa, estou me privando de uma ilusão há muito acalentada de invulnerabilidade. Me torno indefeso e confiante como a pessoa no truque circense, presa a uma prancha sobre a qual um atirador de facas exercita sua perícia e as lâminas que eu mesmo forneci passam a poucos centímetros da minha pele. Eu permito que você assista a minha humilhação, insegurança e tropeços. Exponho minha falta de amor-próprio, me tornando, dessa forma, incapaz de convencer você (seria realmente necessário?) a mudar de atitude. Sou fraco quando exibo meu rosto apavorado na madrugada, ansioso ante a existência, esquecido das filosofias otimistas e entusiasmadas que recitei durante o jantar. Aprendi a aceitar o enorme risco de que, embora eu não seja uma pessoa atraente e confiante, embora você tenha a seu dispor um catálogo vasto de meus medos e fobias, você pode, mesmo assim, me amar…”

Alain de Botton (1969)

The Romantic Movement: Sex, Shopping, and the Novel

Miguel Sousa Tavares photo
Emil Mihai Cioran photo
Ken Loach photo
Ingmar Bergman photo
Dom Hélder Câmara photo
Camilo Castelo Branco photo
Germaine de Staël photo
Henry Miller photo
Osama bin Laden photo
William Somerset Maugham photo
Gabriel García Márquez photo

“Ponha-se no meu lugar — suplicou Petra Cotes. Imagine o quanto eu o amei para agüentar esta humilhação.”

Gabriel García Márquez (1927–2014)

Não há humilhação que uma concubina não mereça — replicou Fernanda. — De maneira que pode esperar morra outro dos tantos para calçar-lhe estas botinas.
Cem anos de solidão, Capítulo 17

John le Carré photo
Paula Cole photo
Maurice Papon photo
William Tecumseh Sherman photo

“Qualquer tentativa de fazer a guerra mais fácil e segura resultará em humilhação e desastre.”

William Tecumseh Sherman (1820–1891)

Every attempt to make war easy and safe will result in humiliation and disaster <br class="br">Memoirs of General William T. Sherman. Vol. 2 - Página 408 http://books.google.com.br/books?id=5MO4FFydjJ8C&amp;pg=PA408, Gale Cengage Learning, 1875, ISBN 143281303X, 9781432813031

Olga Nikolaevna Romanova photo
Graciliano Ramos photo
Esta frase aguardando revisão.

“O curioso não são soldados do exército pintando meio-fio, mas isso incomodar só os especialistas de uma guerra só: a Palavrosa.

Porque há algo profundamente revelador no tipo de indignação que escolhemos cultivar.

Não é a fome que escandaliza.

Nem é o abandono.

E nem é a corrupção cotidiana que envelhece o país antes do tempo.

O que incomoda é a estética da simplicidade.

Um homem com enxada parece digno. 

Um operário com uniforme parece digno. 

Um gari varrendo rua parece digno. 

Mas um soldado limpando praça ou pintando meio-fio vira símbolo de humilhação nacional para quem aprendeu a confundir utilidade com discurso.

Talvez porque a guerra palavrosa precise desesperadamente parecer mais importante do que é.

Existe uma elite emocional que vive da liturgia da crítica. 

Não produz ponte, não recolhe lixo, não organiza fila, não constrói muro, não protege fronteira, não assenta tijolo — mas comenta tudo como se governasse o universo pela força do vocabulário rebuscado. 

E, quando vê alguém executando uma tarefa simples, concreta e visível, reage com ironia, porque o concreto expõe a esterilidade do excesso de abstração.

Há gente que prefere um país perfeitamente teorizado e completamente abandonado a um país imperfeito, mas funcionando.

A tragédia moderna talvez esteja nisso: transformamos toda ação em símbolo, ideologia e todo símbolo em guerra moral. 

Já não perguntamos se algo ajuda, organiza, melhora ou serve. 

Perguntamos apenas se aquilo alimenta a narrativa que escolhemos.

E assim, pintar um meio-fio deixa de ser manutenção urbana e vira tese acadêmica improvisada.

Enquanto isso, o país real continua existindo longe dos debates performáticos.

Porque o país real pega ônibus cedo…

Troca de turno.

Limpa-chão.

Carrega peso.

Conserta rede elétrica.

Desentope outras.

Entrega comida.

Bate continência.

E, no fim do dia, entende uma verdade silenciosa que os sacerdotes da guerra palavrosa raramente suportam admitir:

Toda civilização depende muito mais de quem faz do que de quem só tenta diminuir quem fez.”

Alessandro Teodoro

Esta frase aguardando revisão.

“Quem fura fila, sobretudo para votar, é só um qualquer um que pode votar em qualquer outro.

A frase parece muito dura, mas talvez seja justamente a dureza que nos faça pensar.

Porque furar uma fila não é apenas passar à frente de alguém.

É afirmar, silenciosamente, que o meu tempo vale mais que o do outro, que a minha urgência merece privilégio, que a regra pode ser relativizada quando me convém.

E, quando isso acontece justamente na hora de votar, a contradição se torna ainda maior.

O voto é um dos poucos momentos em que, pelo menos em princípio, todos deveriam estar em condições de igualdade.

Na fila, diferimos em histórias, opiniões, profissões e escolhas; diante da urna, cada cidadão deveria carregar o mesmo Peso Democrático.

Mas há quem queira igualdade no resultado e privilégio no caminho.

Talvez o problema não esteja apenas em quem fura a fila, mas na mentalidade que permite a alguém pensar que pode ou merece mais do que os outros.

É uma pequena transgressão que revela uma grande concepção de sociedade: a de que as regras existem só para os outros.

E é assim que a cidadania vai se desgastando.

Não necessariamente nos grandes escândalos, mas nos pequenos gestos cotidianos em que cada um decide que pode abrir uma exceção para si.

Quem não respeita a fila talvez não esteja escolhendo apenas quem vai governar o país.

Está também revelando, naquele instante, o tipo de país que considera aceitável construir.

Porque a Democracia não começa na urna.

Começa antes — na capacidade de esperar a sua vez, respeitar o outro e compreender que nenhum direito verdadeiro precisa nascer da humilhação ou do prejuízo de alguém.

No fim, votar em qualquer outro também é um direito.

Respeitar a fila é um dever…

E talvez uma sociedade mais justa comece justamente quando aprendemos a não confundir liberdade com licença para passar por cima dos outros.”

Alessandro Teodoro

Um desabafo gestado na fila que deveria ser no mínimo democrática...