Esta frase aguardando revisão.

“O curioso não são soldados do exército pintando meio-fio, mas isso incomodar só os especialistas de uma guerra só: a Palavrosa.

Porque há algo profundamente revelador no tipo de indignação que escolhemos cultivar.

Não é a fome que escandaliza.

Nem é o abandono.

E nem é a corrupção cotidiana que envelhece o país antes do tempo.

O que incomoda é a estética da simplicidade.

Um homem com enxada parece digno. 

Um operário com uniforme parece digno. 

Um gari varrendo rua parece digno. 

Mas um soldado limpando praça ou pintando meio-fio vira símbolo de humilhação nacional para quem aprendeu a confundir utilidade com discurso.

Talvez porque a guerra palavrosa precise desesperadamente parecer mais importante do que é.

Existe uma elite emocional que vive da liturgia da crítica. 

Não produz ponte, não recolhe lixo, não organiza fila, não constrói muro, não protege fronteira, não assenta tijolo — mas comenta tudo como se governasse o universo pela força do vocabulário rebuscado. 

E, quando vê alguém executando uma tarefa simples, concreta e visível, reage com ironia, porque o concreto expõe a esterilidade do excesso de abstração.

Há gente que prefere um país perfeitamente teorizado e completamente abandonado a um país imperfeito, mas funcionando.

A tragédia moderna talvez esteja nisso: transformamos toda ação em símbolo, ideologia e todo símbolo em guerra moral. 

Já não perguntamos se algo ajuda, organiza, melhora ou serve. 

Perguntamos apenas se aquilo alimenta a narrativa que escolhemos.

E assim, pintar um meio-fio deixa de ser manutenção urbana e vira tese acadêmica improvisada.

Enquanto isso, o país real continua existindo longe dos debates performáticos.

Porque o país real pega ônibus cedo…

Troca de turno.

Limpa-chão.

Carrega peso.

Conserta rede elétrica.

Desentope outras.

Entrega comida.

Bate continência.

E, no fim do dia, entende uma verdade silenciosa que os sacerdotes da guerra palavrosa raramente suportam admitir:

Toda civilização depende muito mais de quem faz do que de quem só tenta diminuir quem fez.”

Última atualização 12 de Maio de 2026. História

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“Um homem que não morreria por algo não é digno de viver.”

Martin Luther King Junior (1929–1968) líder do movimento dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos
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“Me incomoda a tamanha beleza da minha voz… isso parece incrivelmente imodesto, mas me incomoda o quanto ela pode soar gentil quando talvez o que estou cantando seja profundamente ácido.”

Thom Yorke (1968)

Taipei Times (2006). Radiohead rejuvenated http://www.taipeitimes.com/News/feat/archives/2006/07/10/2003318167

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“Testar a popularidade de um presidente NO MEIO DOS PROTESTOS me parece algo bem tendencioso.”

Rafinha Bastos (1976) Humorista brasileiro

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“O soldado melhor parece morto na luta do que livre na fuga.”

Miguel de Cervantes (1547–1616)

El soldado más bien parece muerto en la batalla que libre en la fuga
El ingenioso hidalgo Don Quijote de la Mancha - Volume 3, Página 467 https://books.google.com.br/books?id=JEQoAQAAIAAJ&pg=PA467, Miguel de Cervantes Saavedra - Post Tenebras Spero Lvcem, 1605 - 983 páginas
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