Esta frase aguardando revisão.
“Onde o Estado Paralelo atua, existe até pena de morte; onde o Estado finge atuar, não existe quase pena nenhuma.
Há uma ironia bastante cruel nessa constatação: onde a lei deveria imperar, muitas vezes prevalece a impunidade; onde a lei não existe, ou foi substituída pela força, a punição costuma ser imediata, implacável e até definitiva.
O Estado Paralelo não precisa de tribunais legais, recursos ou códigos escritos.
Impõe suas próprias regras, estabelece seus próprios julgamentos e executa suas próprias sentenças.
Não há presunção de inocência, direito à defesa ou possibilidade de contestação.
Há apenas o poder de quem manda e o medo de quem obedece.
Ali, a Sentença pode ser a morte, e o julgamento, uma formalidade dispensável.
Já o Estado legítimo, aquele que deveria garantir a lei e a ordem sem sacrificar a justiça, parece, por vezes, preso a uma contradição que corrói sua própria autoridade: possui leis, instituições, tribunais e instrumentos de coerção, mas frequentemente falha em transformar tudo isso em consequências concretas para quem viola as regras.
A demora se torna rotina, a reincidência parece um detalhe estatístico e a impunidade, antes uma exceção vergonhosa, passa a ser percebida como parte do funcionamento do sistema.
É preciso, contudo, distinguir justiça de vingança.
A força de um Estado não se mede pela quantidade de pessoas que pune, muito menos pela brutalidade de suas penas, mas pela capacidade de investigar, julgar com imparcialidade e aplicar a lei de maneira efetiva, proporcional e igualitária.
A justiça não precisa ser cruel para ser respeitada; precisa ser confiável para não ser desprezada.
O problema começa quando o cidadão percebe que o criminoso teme mais a sentença de uma Organização Criminosa do que a resposta das instituições públicas.
Nesse momento, não é apenas a autoridade do Estado que se enfraquece: é a própria ideia de que a vida em sociedade pode ser organizada por regras comuns, e não pela vontade arbitrária de quem detém o poder.
E há algo ainda mais grave nessa inversão: quando o Estado deixa de ocupar os espaços que lhe cabem, outros poderes os ocupam.
Onde falta segurança, instala-se o domínio pelo medo.
Onde falta justiça, surge a justiça privada.
Onde falta presença institucional, cresce a autoridade paralela.
O vazio deixado pelo poder público raramente permanece vazio por muito tempo.
A sociedade, então, passa a conviver com duas realidades igualmente perturbadoras: de um lado, um poder clandestino que pune sem direito; de outro, um poder legítimo que, quando falha sistematicamente em responsabilizar, transmite a sensação de que o direito existe apenas no papel, e nem sempre alcança a realidade.
A questão fundamental, portanto, não é por que o Estado Paralelo consegue ser tão implacável, mas por que o Estado de Direito tantas vezes parece incapaz de ser efetivo.
A resposta não está em abolir garantias, naturalizar a violência ou desejar que o Estado se transforme naquilo que deveria combater.
Está em exigir instituições que funcionem, leis que sejam aplicadas e uma justiça que não seja nem instrumento de terror nem sinônimo de impunidade.
Porque uma Sociedade Civilizada não pode escolher entre o medo da execução clandestina e a descrença na justiça oficial.
Precisa ter o direito de confiar em uma terceira possibilidade: a de que ninguém esteja acima da lei, mas que ninguém esteja abaixo da proteção que ela deve oferecer.
Quando o Poder Paralelo mata, revela a tirania de quem se julga dono da vida alheia.
Quando o Estado se omite, revela a fragilidade de quem recebeu a responsabilidade de protegê-lo.
E quando ambos passam a coexistir sem que a sociedade consiga vislumbrar a autoridade da lei, o que está em julgamento já não é apenas a segurança pública: é a própria capacidade do Estado de justificar sua existência.”
Última atualização 18 de Outubro de 2026. História
Tópicos
vida, morte, pessoas, medo, justiça, leis, sentença, vez, tempo, vida, pessoa, parte, estado, público, lado, problema, direito, sistema, força, momento, ideia, lei, morte, questão, sociedade, ordem, papel, passo, maneira, espaço, recurso, falta, vontade, organização, segurança, presença, pena, justiça, resposta, realidade, medo, preso, possibilidade, defesa, regra, tribunal, instituição, capacidade, existência, próprio, autoridade, instrumento, quantidade, sentença, domínio, responsabilidade, torno, consequência, violência, cidadão, dono, privado, poder, vazio, garantia, sensação, código, funcionamento, costume, escrita, julgamento, ser, detalhe, falha, fragilidade, exceção, imparcialidade, constatação, terror, alcance, execução, rotina, imediato, onde, inocência, vingança, brutalidade, incapaz, punição, outro, criminoso, mata, menos, ali, então, efetivo, paralelo, legal, impunidade, sempre, formalidade, proteção, ainda, demora, tanto, grave, sinônimo, viola, legítimo, mando, sistemática, ironia, estatística, comum, oficial, começo, concreto, fundamental, inversão, terceiro, contradiçãoCitações relacionadas
Esta tradução está aguardando revisão. Está correcto?
“O homem existe por si próprio e não para adicionar um trabalhador ao estado.”
Ralph Waldo Emerson (1803–1882)
“A justiça não existe onde não há liberdade.”
Luigi Einaudi (1874–1961) economista e político italiano, 2° Presidente da Itália