„Em 9 de junho de 1958, menos de duas semanas antes, um membro do parlamento piemontês, isto é, o parlamento presidido por Cavour e que se reportava ao rei Victor Emmanuel II, levantou-se para falar. "Em Módena", disse ele aos seus colegas deputados, "têm ocorrido muitos casos de crianças judias serem batizadas devido a uma vingança, ou por estupidez ou devido ao fanatismo de algum empregado. Se estas ações extralegais não tivessem outra consequência a não ser de um pouco de água espargida por alguém que não deveria fazê-lo, elas teriam pouca importância." Contudo, o caso infelizmente não era esse, disse ele, pois bastava aquela aspersão de água pela mão de uma empregada para que um esquadrão da polícia fosse enviado para invadir um lar e tirar a criança de sua família, para que ela pudesse ser educada como católica. Aquilo era, trovejou ele, "o maior ultraje contra os sentimentos puros da natureza, contrário às regras mais elementares de moralidade, produzindo a mais infame opressão imaginável". Diante dessas palavras, ergueram-se murmúrios de protesto dos bancos à direita, onde ficavam os membros conservadores do parlamento, defensores da Igreja.

O deputado olhou para eles e prosseguiu: "Para poupar meus adversários de mais esforços, quero dizer desde já que fui informado de tudo isso por meus amigos judeus em Módena, que forneceram toda a documentação relevante". De fato, disse ele, "há hoje em Turim uma família judia que precisou fugir de Módena com sua filha, por medo que ela lhes fosse tirada porque uma jovem empregada afirmou tê-la batizado."

O deputado concluiu patrioticamente: "Falei disto como uma questão de consciência. Falei porque tal ultraje contra as leis da natureza e da moralidade deve ser, neste século XIX, no mínimo estigmatizado no único parlamento italiano, no único lugar da Itália que, graças aos esforços do povo e à lealdade do governante, ainda é livre." Ao descer do pódio, ele recebeu saudações de "bravo" dos deputados à sua esquerda e insultos e resmungos daqueles à sua direita.“

—  David I. Kertzer, The Kidnapping of Edgardo Mortara
Publicidade

Citações relacionadas

Vergílio Ferreira photo
Aécio Neves photo
Publicidade
Jair Bolsonaro photo
Antônio Carlos Magalhães photo
José Sócrates photo

„Sou o primeiro-ministro que mais vezes foi ao Parlamento“

—  José Sócrates Primeiro-ministro de Portugal 1957
Especial José Sócrates, entrevista à SIC, Março de 2008

Shinzō Abe photo

„O governo de Abe deve ser ainda mais conservador porque ele vem de uma família política que sempre foi da direita do PLD (Partido Liberal Democrata).“

—  Shinzō Abe político japonês, atual primeiro-ministro do Japão 1954
Expectativas para seu governo, Richard J. Samuels, diretor do Centro de Estudos Internacionais do MIT. Por telefone à Folha Online http://www1.folha.uol.com.br/folha/mundo/ult94u100458.shtml

Getúlio Dornelles Vargas photo
Antoine de Saint-Exupéry photo
Jair Bolsonaro photo

„Em vídeo de quando era deputado federal.“

—  Jair Bolsonaro 38º Presidente do Brasil 1955
Década de 2010, Source: Viraliza vídeo em que Bolsonaro critica “liberaizinhos da vida, que tomam quick e danoninho”, criados pela vovó https://revistaforum.com.br/politica/bolsonaro/viraliza-video-em-que-bolsonaro-critica-liberaizinhos-da-vida-que-tomam-quick-e-danoninho-criados-pela-vovo/. Revista Fórum, 26/10/2019.

Edmund Burke photo
Friedrich Nietzsche photo
Severino Cavalcanti photo

„A Câmara dos Deputados não vai ser apenas o supositório do Poder Executivo.“

—  Severino Cavalcanti político brasileiro 1930
Prometendo limitar a aprovação das medidas provisórias do governo Lula (2005). Fonte: Do bestial ao genial: frases da política - Página 19 - de Paulo Buchsbaum e André Buchsbaum - Editora Ediouro Publicações, 2006, ISBN 850002075X, 9788500020759

Aécio Neves photo

„A presidente tem uma maioria espantosa no Parlamento. Bastasse dizer, e ela não disse ainda, o que acha sobre cada um desses temas, tentar direcionar, ou negociar, com a sua base a aprovação desses temas pelo Congresso e depois submetê-los a um referendo.“

—  Aécio Neves político brasileiro 1960
Aécio Neves entrevista coletiva 2 de julho de 2013. Fonte PSDB http://www.psdb.org.br/aecio-mais-uma-vez-o-governo-mostra-que-nao-entendeu-absolutamente-nada-que-a-populacao-quis-dizer/

„Lorem ipsum dolor sit amet, consectetuer adipiscing elit. Etiam egestas wisi a erat. Morbi imperdiet, mauris ac auctor dictum.“