Citações de arte
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“Vale a pena destacar [vários] pontos ao mesmo tempo [que desafiam a Loucura e a Civilização de Foucault]: (1) Há ampla evidência de crueldade medieval em relação aos insanos; (2) No final da Idade Média e do Renascimento, os loucos já estavam confinados, em celas, prisões ou até gaiolas; (3) 'diálogo' ou nenhum 'diálogo', até a loucura naqueles tempos estava freqüentemente relacionada ao pecado - mesmo na mitologia do navio dos tolos; e, nessa medida, era considerado sob uma luz muito menos benevolente do que sugerida por Foucault (mentes pré-modernas aceitavam a realidade da loucura - "loucura como parte da verdade" - assim como aceitavam a realidade do pecado; mas isso não significa que eles valorizavam a loucura, mais do que o pecado; (4) como Martin Schrenk (ele próprio um crítico severo Foucault) mostrou, os primeiros hospícios modernos se desenvolveram em hospitais e mosteiros medievais, em vez de leprosária reaberta; (5) o Grande O confinamento visava primariamente não ao desvio, mas à pobreza - pobreza criminal, pobreza louca ou simplesmente pobreza; a noção de que ela anunciava (em nome da crescente burguesia) uma segregação moral não suporta um exame minucioso; (6) nota, como salientou Klaus Doerner, outro crítico de Foucault (Madmen e a Burguesia, 1969), que não havia um confinamento controlado pelo Estado uniforme: os padrões inglês e alemão, por exemplo, se desviaram bastante do Grande Renfermínio Louis Quatorziano; (7) Fouca A periodização de ult parece-me errada. No final do século XVIII, o confinamento dos pobres era geralmente considerado um fracasso; mas é então que o confinamento dos loucos realmente avançou, como tão conclusivamente mostrado nas estatísticas relativas à Inglaterra, França e Estados Unidos; (8) Tuke e Pinel não 'inventaram' a doença mental. Em vez disso, eles devem muito a terapias anteriores e, com frequência, também se baseiam em seus métodos; (9) além disso, na Inglaterra do século XIX, o tratamento moral não era tão central na medicalização da loucura. Longe disso: como demonstrado por Andrew Scull, os médicos viam a terapia moral tukeana como uma ameaça leiga à sua arte e esforçavam-se para evitá-la ou adaptá-la à sua própria prática. Mais uma vez, os monólitos da época de Foucault desmoronam diante da riqueza contraditória da evidência histórica.”

José Guilherme Merquior (1941–1991) acadêmico, diplomata e escritor brasileiro

“DOCUMENTÁRIO
GUERRA INVISÍVEL – COVID-19
Produtora paulista Strada Filmes e Entretenimento inicia produção de um documentário através de depoimentos via vídeo

Durante o período da pandemia global oriunda do novo coronavírus, produtores brasileiros de diferentes regiões do país trabalham na produção de documentário a respeito da doença e as consequências socioeconômicas que esta época trará ao mundo daqui pra frente.
O objetivo do projeto é abordar do epicentro à transmissão global do vírus, e de como todo o planeta teve que se adequar frente à crise causada pela COVID-19. Desde os heróis da saúde até os trabalhadores autônomos; das principais medidas de quarentena às dificuldades do isolamento social; das notícias reais às fakenews espalhadas em redes sociais; em suma, um levantamento geral será posto em prática durante a própria pandemia, trazendo à equipe o desafio de apurar e selecionar as informações mais relevantes, com o intuito de produzir um documentário com o máximo de informação possível para registrar essa fase.
Para Anderson Del Duque, Diretor Geral do projeto, produzir um documentário sobre um tema tão delicado e atual será um grande desafio. Não só pela abrangência que o tema exige, mas em respeito e solidariedade a todos que enfrentam esse período das mais diversas formas possíveis.
Para completar o trabalho, o documentário apresentará depoimentos de pessoas que estão vivendo diante do isolamento social. Mais do que ilustrar toda a informação que será abordada, os depoimentos são uma forma de dar voz aos reais envolvidos na história: nós. De diversas partes do país, e do mundo, as participações são fundamentais para que o projeto cumpra o dever social de informar e aproximar os espectadores dos depoimentos recolhidos, tanto que este trabalho é continuo, e a produtora ainda reúne vídeos de quem se propõem a participar dessa grande produção.
O Diretor de Jornalismo, Renan Rezende, ressalta que o tratamento humanista deve ser e sempre será o norte para a produção do filme. “Não se trata de uma abordagem fria e distante da sociedade, mas algo que coloque as pessoas e tudo o que elas viveram e presenciaram durante este difícil período em primeiro lugar. E, para tal, apresentaremos esses relatos de vida da forma mais verídica e delicada possível”.
A concepção e início de produção tiveram início há cerca de um mês, e o documentário não tem data de lançamento definida. Entretanto, a Strada Filmes e Entretenimento continuará a divulgar maiores informações no decorrer do projeto.

Texto por Renan Rezende
SINOPSE
Segunda-feira, 20 de janeiro de 2020. Portais de grandes veículos de comunicação como o “G1”, “O Estado de São Paulo” e “BBC News” relatam os casos iniciais de um vírus misterioso que teria surgido na virada do ano em Wuhan, China, e que começara a se espalhar em países vizinhos, cuja transmissão entre humanos já havia sido confirmada. O governo Chinês estava confiante na contenção da nova ameaça, mas medidas de precaução já estavam sendo tomadas em aeroportos na Ásia e nos Estados Unidos. Entre especialistas e pesquisadores, a situação era inquietante, pois um novo vírus em contato com células humanas poderia causar mutações cujo sistema imunológico não estava familiarizado em conter.
Em menos de três meses, o novo coronavírus (Sars-Cov-2) tornou-se uma pandemia sem precedentes. O vírus atingiu quase dois milhões de pessoas em todo mundo, com aproximadamente 125 mil mortes*, e o número não para de crescer. Frente a uma situação emergencial, informações, verdadeiras ou não, circulam diariamente na rede e em mídias sociais. Medicações são apontadas como aliadas ou inimigas ao combate da doença. Profissionais da saúde tornam-se verdadeiros heróis, assim como os trabalhadores de serviços essenciais, mas grande parte da população se encontra literalmente isolada do mundo.
Como a principal medida de prevenção à doença COVID-19, o isolamento social transforma a vida das pessoas, além de revelar uma crise econômica em escala global, semelhante somente ao grande “crash” de 1929. O trabalho se reinventa, o ensino não tem alternativa a não ser a distância. Setores, como a Cultura, são amplamente prejudicados, e trabalhadores autônomos não têm alternativas. Alguns governos ao redor do planeta se veem obrigados a tomarem medidas de supressão para obrigar pessoas a manterem-se em suas casas.
Avanços tecnológicos e medicinais parecem não conter a contaminação acelerada da doença, isso somado ao número limitado de leitos e hospitais disponíveis, obrigando o mundo a pensar em alternativas emergenciais para atender toda a população. Mas nem todos têm os mesmos privilégios ou até acesso aos serviços de saúde, nem mesmo os mais básicos.
Em contrapartida, no anseio a uma fagulha de esperança, a humanidade se une. Correntes em mídias sociais visam à aproximação das pessoas por meio de ações que possam entreter ou divertir. Redes de solidariedade ajudam comunidades carentes e aqueles que mais necessitam. O contato nunca se fez tão necessário, e o ser humano passa a dar valor a algo que antes era corriqueiro e, portanto, esquecível. A cultura do “selfie”, o individualismo que tanto é compartilhado nas redes sociais, dá espaço à valorização do plural.
Como na teoria darwinista, o ser humano se vê obrigado a evoluir. Quais as consequências de uma pandemia em um mundo globalizado, só o tempo dirá.
*informações captadas até 14/04/2020
Texto por Renan Rezende
Ficha Técnica:
Direção Geral e autoria - Anderson Del Duque
Diretor, produtor e roteirista, Anderson é morador da cidade de Sumaré, na região metropolitana de Campinas, e trabalhou em 16 produções cinematográficas ao longo da carreira em diversas funções, sendo vencedor de três prêmios em festivais. Anderson também é colunista e crítico de cinema, com textos publicados na revista Adoro Cinema. Além de ter participado como júri e banca em diversos eventos relacionados ao cinema e ao audiovisual.
Diretor de Jornalismo – Renan Rezende
Renan iniciou a carreira nas extintas Rádio Estadão ESPN e Rádio Estadão, do Grupo O Estado de São Paulo, como produtor e redator. Em seguida atuou como roteirista e produtor numa produtora audiovisual e tem experiência em agência de análise de mídia. Além disso, trabalhou como repórter e redator freelancer para o MEON, veículo que cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo. Renan também é ator profissional.
Diretora de Produção – Patricia Iglésias
Patricia tem vasta experiência na produção executiva de novelas, programas de TV e eventos. Com carreira consolidada na TV Globo, destacam-se produções como, Os Maias, Queridos Amigos, Vídeo Show, Criança Esperança, e as novelas Sol Nascente e Malhação. Para a Rede Record, participou de títulos como Apocalipse, Jesus e Jezabel. Além disso, também é especialista em gestão de planejamento, orçamento e gerenciamento e possui domínio de roteirizarão.
Colaborador de matérias jornalísticas - Jean Custo
Produção Executiva -
Renata Di Carmo

Assistente de Produção – Henrique Zeferino

Arte finalista – Adrian Silva Adrian Silva ten em seu currículo trabalhos como;
Editor, diretor de fotografia, operador de câmera, fotógrafo de making-of e assistente de Produção.

Produção de Elenco – Penha Penaforte
Pesquisa de matérias jornalísticas – Lorena Valentini”

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“Obrigado pela desgraça. Eu preciso dela para minha arte.”

Kurt Cobain (1967–1994) Vocalista, guitarrista, compositor e músico
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“⁠Para quem não sabe, o artista produz a arte e a arte é liberdade.”

Valter Bitencourt Júnior (1994) poeta e escritor brasileiro

Fonte: Revista LiteraLivre, 28ª edição, pág. 227, jul/ago. de 2021.

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“Fomos tão seduzidos pelo universo digital, ao ponto de romantizar um mundo onde políticos influencers — eleitos por nós — brincam de governá-lo.

Essa constatação medonha é um convite a pensar sobre a profunda transformação que a política sofreu na era digital.

Hoje, a figura do político tradicional se mistura com a do influencer, aquele que domina a arte da comunicação rápida, do espetáculo e da conexão emocional imediata.

Mas, ao transferirmos nossa confiança e votos para essas figuras, muitas vezes mais preocupadas com a imagem do que com o conteúdo, acabamos por trivializar o exercício do poder.

Quando políticos se tornam influencers, a política vira palco para likes e compartilhamentos, onde o debate se perde para a viralização.

A “brincadeira de governar” — expressão que revela a leveza e a superficialidade com que algumas lideranças assumem responsabilidades sérias — coloca em risco a qualidade da democracia e o futuro da sociedade.

Nós, eleitores e cidadãos, também somos parte desse processo: somos os que elegem, os que curtem, os que compartilham.

Cabe exercitarmos um olhar crítico, exigir transparência, responsabilidade e compromisso real.

Sem isso, continuaremos reféns de uma política de aparência, onde a profundidade das ideias e a seriedade das ações ficam em segundo plano, diante do espetáculo digital.

O desafio está lançado: usar o poder do universo digital para fortalecer a democracia, não para reduzi-la a um jogo de imagens e seguidores.”

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“⁠E eu que, vez em quando, deito um travessão na mensagem — só para ser confundido com um “Chatbot”.


Mas um travessão é muito mais do que sinal gráfico — é um gesto.


Um pequeno ato de ousadia que só pratica quem não teme ser percebido.


Quem escreve com consciência do que carrega, e com a leveza de quem não precisa provar nada além da própria honestidade com as palavras.


Porque, no fundo, escrever é isso:
um jogo silencioso entre coragem e sensibilidade.


Coragem para tocar onde dói —
Sensibilidade para não machucar lugar nenhum.


E um travessão, bem deitado, talvez seja o símbolo mais humilde dessa bela dança.


Ele separa, sim, mas também aproxima…


Às vezes, pausa… mas empurra adiante.


Ele corta… mas também convoca.


Às vezes parece apenas um traço, mas é um traço que fala:
"Ei, aqui entra algo que só os atentos percebem."


E quem ousa usá-lo não o faz por frescura gramatical —
mas por afeto estético, intuição narrativa,
e essa espécie de maturidade que só têm os bem resolvidos:
bem resolvidos consigo, com o que dizem,
e até com o que deixam de dizer.


No fim, o travessão é como o pincel que se deixa cair de propósito:
não é descuido, é assinatura.


Não é desatenção, é presença.


E se alguém confunde isso com um “Chatbot”…
ah! — que continue confundindo.


Porque a arte, quando bem feita, normalmente já confundiu até quem a criou.


E aqui para nós — risos — às vezes um travessão bem deitado é mesmo isso: um pincel que se joga, de caso pensado, sobre a tela.


Um atrevimento sereno, cheio dessa sinergia rara entre arte, responsabilidade e sensibilidade — um trio que costuma morar apenas nos que já fizeram as pazes consigo e com a própria forma de criar.


A intenção, claro, era fornecer lenha para queimar.


E o fogo aceitou.


Porque, é preciso muita coragem para se aventurar na arte de escrever.


É preciso alguma loucura mansa para deixar palavras escaparem sabendo que podem ferir, curar, provocar ou até acalmar.


E é preciso ainda mais sensibilidade para permitir que elas se entendam com as imagens — porque, quando elas resolvem brincar juntas, quem escreve vira mero coadjuvante.


A palavra abre caminho.


A imagem acende.


O travessão risca.


E o gesto final surge sozinho —
como se a chama tivesse vontade própria.


Talvez não haja atrevimento mais bonito e charmoso do que o dos que se aventuraram e se aventuram no ofício de escrever.


Porque escrever é primeiro se arriscar —
e só depois se revelar.


E haja atrevimento pra tocar quem se atreve a ler!


Pois, quem escreve, abre portas, mas quem lê, precisa ter coragem
de entrar.


No fim, talvez seja assim que a arte realmente nasce:
do encontro entre um risco, uma intenção e a ousadia de se deixar queimar.


E nós apenas sopramos o fogo —
porque a Lenha, a Faísca e o Incêndio Poético
já estavam ali — todos —
pedindo pra brincar.”

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“⁠Aos que brigaram em defesa de políticos-influencers, talvez ainda seja cedo — cedo demais — para fazer as pazes.




Não porque o rancor seja nobre, mas, porque, ainda não reconhecemos a dimensão do estrago causado pelas paixões emprestadas.


O cheiro medonho de enxofre da polarização já volta a subir, reinventando-se com a mesma esperteza de sempre, à espera de corações inflamáveis, mentes exaustas e sequestráveis.


E no ano que se avizinha, quando o espetáculo reabrir suas cortinas, eles vão precisar muito mais da nossa chama do que da nossa lucidez.


Pois, paixão, quando sequestrada, vira munição nas mãos dos que nunca lutaram realmente por nós.


Talvez defender uma ideia — um posicionamento — sem paixão, seja a arte mais rara e mais corajosa do debate.


Porque, é sim, muito fácil incendiar-se; difícil é manter o fogo no tamanho certo.


É fácil berrar certezas; difícil é defendê-las sem ferir.


Mas há uma escolha ainda muito mais sombria:
Desumanizar quem pensa diferente.


Nada inviabiliza o debate com mais perfeição do que transformar pessoas em inimigos, divergências em crimes e opiniões contrárias em afrontas pessoais.


Quando fazemos isso, deixamos de debater com gente — e passamos a lutar contra caricaturas que nós mesmos pintamos.


No fim, talvez a verdadeira paz não seja aquela feita entre lados irreconciliáveis,
Mas a paz que fazemos conosco:
a de não entregar nossa humanidade ao primeiro que exigir fervor,
a de não perder a lucidez para quem vive de paixões alheias,
a de não permitir que o debate morra pela ausência de coragem
ou pelo excesso de convicções.


Porque não há independência mais urgente e necessária do que a da mente que se recusa a ser incendiada — ou sequestrada e desumanizada — em favor ou desfavor de qualquer bandeira que pintem por aí.”

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“⁠A psicóloga está acabando comigo:
mandou-me separar um caderno só para anotar as incidências de estresse…


Só estou fazendo para comprar caderno!


Parece brincadeira — e é também!


Mas, olhando mais de perto, percebe-se algo muito maior escondido nesse riso: quantas vezes tratamos o cuidado emocional como se fosse só mais um caderno novo na gaveta?


É a recusa disfarçada, o medo sutil de se conhecer,
de se colocar diante do espelho,
de admitir que dentro de nós também existem gavetas bagunçadas
que carecem de arrumação.


Escrever, no fundo, é isso:
um ato simples que revela abismos
e, ao mesmo tempo, constrói pontes sobre eles.


Pela palavra, evitamos novas feridas
e aliviamos as que insistem em se abrir.


Há textos que caminham sozinhos.


Nascem prontos, enxutos, inteiros.


Mas há outros que precisam calçar as sandálias da empatia
para não machucar ou confundir quem ainda anda descalço dentro da própria alma.


E, é nesse vai-e-vem entre provocar e acolher
que percebemos algo curioso:
quando aprendemos a brincar com as palavras e com as imagens,
elas se juntam para brincar conosco.


A escrita deixa de ser esforço
e passa a ser companhia.


A arte deixa de ser fuga
e vira travessia.


É aí que o caderno muda de função.


De simples objeto, ele se transforma em lugar:
um lugar onde a dor descansa,
onde a graça do cotidiano floresce,
onde a alma encontra espaço para respirar.


E se eu tenho um desejo para quem se senta para folhear conosco esse “nosso caderno”,
é que saia daqui um pouco melhor do que entrou.


Porque a palavra bem cuidada faz isso —
acolhe, reorganiza, ilumina.


E quando compartilhada com sinceridade,
cura quem escreve e quem lê.


No fim, terapia ou não,
a escrita é um jeito silencioso de cuidar do mundo.


E, quem sabe, de nós mesmos também.”

Esta frase aguardando revisão.
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“A Polarização rachou o Brasil no meio, levando seu povo ao ápice da Efervescência Social: metade se vale da música, metade se vale do Santo Nome de Deus — e todos protestam.

Essa “coisa medonha” não apenas dividiu opiniões — ela partiu afetos, rachou mesas de família e transformou a praça pública num coro dissonante. 

O Brasil ferve, e na ebulição cada metade encontrou seu próprio idioma para gritar: uns cantam ou fingem que cantam, outros oram ou fingem que oram.

Uns erguem cartazes ao som de refrões, outros levantam as mãos clamando o Santo Nome de Deus. 

E todos protestam, embora uns nem saibam o porquê… e outros só acham que saibam.

A música vira trincheira, o louvor vira escudo. 

O palco e o púlpito disputam o mesmo espaço simbólico: o de dar sentido ao caos. 

Mas, enquanto cada lado acredita falar em nome do bem maior, o país sangra nas frestas do diálogo que não acontece. 

O grito abafou a escuta; a convicção atropelou a compaixão.

Talvez o problema já não esteja na canção nem na oração, mas na incapacidade de reconhecer que ambas nascem do mesmo desassossego. 

Às vezes há dor nos acordes e às vezes há medo e até arrogância nas preces. 

Mas também há um pouco de esperança em ambos, ainda que deformada pela raiva de não ser ouvido.

Quando a fé vira slogan e a arte vira arma, perde-se o sagrado de ambas. 

Deus não cabe na guerra palavrosa do palanque, e a música não foi feita para silenciar ninguém. 

O Brasil não precisa escolher entre cantar ou ajoelhar — precisa aprender, urgentemente, a caminhar junto.

Porque enquanto metade canta para resistir e a outra ora para vencer, o país segue dividido, protestando contra si mesmo, esquecendo que nenhuma nação se salva quando transforma sua própria alma em campo minado de batalha.

Nós contra eles não dialogam…

Não há diálogo possível entre os cheios de Certezas e os cheios de Dúvidas, ambos se demonizam…

Quando não fazem pior: se desumanizam.

Tropeçamos quase todos nos infortúnios da polarização.”

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“Talvez um dos fenômenos globais mais proeminentes — e perigosos — da atualidade seja a reinvenção da velha arte de dividir. 

A polarização se atualizou, ganhou verniz tecnológico, novas linguagens e plataformas, só para redescobrir, com atraso, mais do que trágico, o preço da humanidade.

E a lógica do “nós contra eles” nunca foi gratuita. 

Para que ela se sustente, é preciso mais do que slogans e inimigos fabricados: exige mentes disponíveis.

Algumas são alugadas por conveniência, outras vendidas por desespero, ambição ou fé cega. 

No mercado das manipulações, o contrato é raramente lido, mas quase sempre cobrado.

O aluguel se paga com verdades fabricadas, recortadas e maquiadas até parecerem legítimas. 

A compra, essa, exige a medonha moeda corrente: poder, visibilidade, likes, pertencimento, proteção, cargos ou silêncio cúmplice. 

E quanto mais cara a consciência, mais sofisticada a narrativa que a embala.

Não é tão difícil sequestrar uma mente humana. 

Basta oferecer uma certeza confortável, um culpado conveniente e a ilusão de pertencimento. 

Difícil mesmo — quase impossível — é alugar a cabeça da maioria de um povo sem antes comprar algumas. 

São essas poucas cabeças vendidas que legitimam o coro, afinam o discurso e tornam a manipulação socialmente aceitável.

Os inquilinos da manipulação certamente não movimentam somente as moedas simbólicas. 

Narrativas também têm lastro. 

Quando a mentira se sustenta por tempo demais, alguém está financiando sua permanência — seja com dinheiro, seja com influência, seja com o sacrifício deliberado da verdade.

E, no fim, quando tudo parece ruído, polarização e caos espontâneo, resta a constatação mais incômoda: não se trata somente de mentes enganadas. 

Trata-se de consciências negociadas.

Porque enquanto alguns alugam suas cabeças por ignorância transitória, outros as vendem com escritura registrada.

E alguém — invariavelmente — está se vendendo.

Há, porém, uma dobra ainda muito mais sutil nesse tecido: muitas verdades fabricadas deixam de ser só mentiras bem contadas para se tornarem verdades funcionais, dependendo de quem as defenda.

Não é o fato que as sustenta, mas o lugar de onde são proclamadas.

Quando a narrativa vem amparada por carisma, poder, fé ou pertencimento, ela dispensa provas. 

A autoridade simbólica substitui a realidade, e a repetição apaixonada ocupa o espaço onde antes morava a dúvida. 

A mentira, então, não precisa convencer — basta circular.

Mas o mundo apaixonado não percebe isso porque a paixão suspende o pensamento crítico. 

Troca-se a pergunta pelo aplauso, a escuta pela defesa, a busca da verdade pela necessidade de vencer.

A verdade deixa de ser algo a ser descoberto para ser algo sob proteção — mesmo quando é frágil, contraditória ou vazia.

Há conforto nessa entrega. 

Pensar exige risco. 

E pode custar o grupo, a identidade, o rótulo, o abrigo emocional. 

A paixão, ao contrário, oferece chão firme, ainda que falso, e a tranquilidade de não precisar rever nada.

Por isso, verdades fabricadas prosperam melhor em tempos de devoção do que em tempos de reflexão. 

Elas não exigem coerência, exigem lealdade. 

Não mendigam compreensão, mas repetição.

E talvez o mais perturbador não seja que muitos não percebam esse mecanismo — mas que alguns percebam… e ainda assim, escolham permanecer apaixonados, defendendo com fervor aquilo que jamais ousaram examinar.

A polarização é trevosa!”

Esta frase aguardando revisão.
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“Na Política-Espetáculo, fingir preocupação é a Arte que o Estado domina com muita maestria; o intrigante é o povo acreditar.

Há algo de profundamente teatral na forma como o poder se apresenta. 

Discursos carregados de urgência, promessas anunciadas como salvação e gestos calculados só para as câmeras. 

O problema é raramente a ausência de palavras — estas nunca faltam —, mas a distância silenciosa entre o que se diz e o que se faz.

No palco da política contemporânea, a indignação tornou-se figurino e a empatia, um roteiro ensaiado. 

Tragédias sociais são tratadas como episódios de uma série que precisa continuar alimentando a Economia da Atenção. 

Anuncia-se uma comissão, cria-se um grupo de trabalho, promete-se um plano. 

A sensação de movimento substitui o próprio movimento.

E, enquanto o espetáculo se desenrola, o público aprende a confundir encenação com ação. 

A cada novo ato, a cada nova coletiva, a esperança é novamente convocada para assistir, acreditar e aguardar o próximo capítulo.

Talvez o elemento mais fascinante dessa dinâmica não seja a habilidade do Estado em representar — instituições sempre dominaram a arte da narrativa —, mas a persistência com que a plateia insiste em ignorar o cenário. 

Não por ingenuidade pura, mas, porque admitir a encenação exigiria algo mais desconfortável: assumir que a transformação não virá do palco.

O espetáculo funciona porque oferece catarse sem mudança, emoção sem responsabilidade e crítica sem consequência. 

Ele permite que todos participem da Indignação Coletiva enquanto a estrutura permanece cuidadosamente intacta.

No fim, a Política do Espetáculo não se sustenta apenas pela habilidade dos atores principais — os políticos-influencers —, mas pela cumplicidade silenciosa de quem continua comprando ingressos. 

Afinal, questionar o teatro é fácil; mais difícil é aceitar que, fora dele, a realidade exige Protagonistas — não Espectadores.”

Esta frase aguardando revisão.

“Os Opostos se atraem, mas o que sustenta as relações é o atrevimento respeitoso das Diferenças em flertar com as Semelhanças.

Há um fascínio inicial no contraste — como se o outro trouxesse respostas prontas para perguntas que ainda nem sequer sabíamos formular. 

O que é distante intriga, o que é diferente seduz, e nesse jogo de espelhos invertidos, encontramos um entusiasmo quase ingênuo de descoberta. 

Mas o tempo, esse artesão silencioso, vai revelando que o encanto não se mantém apenas na surpresa. 

Ele precisa de algo mais sólido para não se deixar sufocar pela agridoce rotina.

É então que as diferenças deixam de ser espetáculo e passam a nos cobrar diálogo. 

Não basta coexistir: é preciso traduzir-se. 

O outro não é um território a ser conquistado, mas um universo a ser compreendido — e isso pede muita escuta, paciência e, sobretudo, muita humildade. 

O verdadeiro encontro acontece quando ninguém precisa se diminuir  a pretexto de caber no mundo do outro, mas ambos se permitem expandir.

As semelhanças, por sua vez, são o chão firme. 

São elas que oferecem abrigo quando as divergências cansam. 

São os pontos de repouso, onde reconhecemos algo familiar em meio ao desconhecido. 

Não anulam as diferenças, mas criam pontes para que elas não se tornem abismos.

Sustentar uma relação, então, é uma arte bastante delicada: é ousar discordar sem ferir, é afirmar-se sem anular, é permitir que o outro exista em sua inteireza sem se sentir ameaçado com tão nobre atitude. 

É compreender que amar não é encontrar alguém igual, nem alguém completamente oposto — mas alguém com quem seja possível negociar sentidos, reinventar caminhos e, principalmente, permanecer curioso.

Porque, no fim, o que mantém duas pessoas não é a ausência de conflitos, mas a coragem de transformá-los em conversa. 

E talvez seja nesse atrevimento respeitoso — esse quase risco calculado de se expor e acolher — que mora a mais bela e verdadeira intimidade.”

Esta frase aguardando revisão.

“Se o Papagaio se desapegasse das Narrativas e focasse nas Ações do João-de-barro, certamente viraria um baita Ajudante de Pedreiro.

Há uma diferença muito profunda entre repetir discursos e aprender com exemplos práticos.

O papagaio domina a arte da reprodução; repete sons, frases e até opiniões sem necessariamente compreender o significado do que está dizendo.

E, infelizmente, nós já estamos fazendo o mesmo.

Já o João-de-barro não faz discursos sobre trabalho, planejamento ou construção..

Ele simplesmente constrói.

Vivemos em uma época em que muitos papagaios se transformaram em especialistas de quase tudo.

Repetem palavras de ordem, slogans, frases de efeito e verdades emprestadas.

Decoram narrativas inteiras e as reproduzem com impressionante fidelidade.

Mas, quando chega a hora de erguer algo concreto — uma ideia, um projeto, uma solução ou uma ponte entre pessoas — a habilidade desaparece.

O João-de-barro ensina uma lição bastante silenciosa.

Sua obra não nasce de discursos elaborados e inflamados, mas da prática persistente.

Com tijolo de barro sobre tijolo de barro, ele demonstra que resultados costumam ser filhos da ação disciplinada, não da retórica sofisticada ou rebuscada.

O maior problema das narrativas é que elas podem criar a ilusão de competência.

Quem fala muito sobre construção pode parecer construtor.

Os que falam muito sobre coragem podem parecer corajosos.

Quem fala muito sobre honestidade pode parecer íntegro…

Entretanto, a realidade sempre cobra a apresentação da obra.

Talvez uma das maiores armadilhas dos tempos modernos seja confundir a capacidade de comentar com a capacidade de realizar.

Há quem passe anos analisando casas sem jamais colocar a mão na massa para levantar uma parede.

Assim como há quem se torne mestre em discursos sobre transformação sem transformar sequer os próprios hábitos.

Talvez por isso essa reflexão se torne uma provocação tão incômoda.

Se o papagaio deixasse de admirar as histórias que contam sobre o João-de-barro e observasse como ele trabalha, descobriria que o conhecimento mais valioso não está nas narrativas, mas nos processos.

Não está no aplauso recebido pela obra pronta, mas na disciplina necessária para construí-la.

No fim das contas, o mundo precisa menos de ecoadores de certezas e mais de construtores de realidades.

Porque narrativas podem impressionar por um momento, mas são as ações que permanecem de pé quando o vento das opiniões muda de direção.

E é justamente nesse momento que se revela quem apenas repetia o que ouviu e quem realmente aprendeu a construir.”

Esta frase aguardando revisão.

“A Perícia da Escuta sempre morou entre a Beleza da Oratória e a Sabedoria do Silêncio.

Vivemos em uma época que celebra muito o falar…

Admira-se quem argumenta com eloquência, quem domina as palavras, quem convence, inspira e mobiliza.

A oratória, de fato, possui uma beleza singular: ela organiza pensamentos, constrói pontes entre ideias e transforma sentimentos em linguagem compartilhável.

Contudo, existe uma virtude muito menos visível e, talvez por isso, muito mais rara.

Antes da palavra que ilumina, existe o ouvido que acolhe.

E antes do discurso que convence, existe a escuta que compreende.

A Perícia da Escuta não consiste apenas em ouvir sons ou aguardar a vez de responder.

Trata-se de uma arte refinada de profunda presença.

É a capacidade de suspender julgamentos, desacelerar certezas e abrir espaço para que o outro de fato exista em sua inteireza.

Escutar é reconhecer que toda pessoa carrega uma história que não se revela por completo na superfície das palavras.

Entre a Beleza da Oratória e a Sabedoria do Silêncio, a Escuta ocupa um lugar de equilíbrio.

Se a oratória expressa, a escuta acolhe.

E se o silêncio preserva, a escuta conecta.

Ela é a ponte invisível entre o que é dito e o que realmente precisa ser compreendido.

Muitas vezes, o que transforma uma conversa não é a qualidade da resposta, mas a profundidade da atenção oferecida.

A Sabedoria do Silêncio ensina que nem toda lacuna precisa ser preenchida.

Há momentos em que a ausência de palavras comunica mais respeito do que qualquer conselho.

O silêncio maduro não é omissão; é discernimento.

Ele permite que a realidade se revele sem a pressa das interpretações imediatistas.

E é justamente nesse território silencioso que a escuta encontra sua força mais genuína.

Talvez por isso os grandes aprendizados da vida raramente aconteçam enquanto falamos.

Eles surgem quando observamos, quando acolhemos, quando permitimos que a experiência do outro encontre morada em nossa atenção.

Quem fala bem pode conquistar admiração.

E quem silencia com sabedoria pode alcançar serenidade.

Mas quem escuta com verdadeira perícia adquire algo ainda muito mais valioso: a compreensão.

Em um mundo saturado de opiniões, a escuta tornou-se um ato de generosidade.

Em uma sociedade que recompensa a exposição, ela permanece como uma forma discreta de sabedoria.

E talvez o verdadeiro amadurecimento humano aconteça quando percebemos que a grandeza não está apenas em ter algo importante a dizer, mas em ser capaz de ouvir aquilo que o outro ainda está tentando encontrar palavras para verbalizar.”

Valter Bitencourt Júnior photo
Esta frase aguardando revisão.

“Ao ver pessoas de quase 90 anos perdendo a linha nas discussões com as de quase 5, começo a desconfiar que partiremos todos desse mundo esperando o fim dele.

Talvez uma das principais ilusões da vida seja acreditar que a idade, por si só, nos entrega a serenidade.

Como se os anos fossem um depósito automático de sabedoria, paciência e compreensão.

Mas basta observar uma criança em uma birra e um idoso em uma teimosia para perceber que o tempo não apaga certas características humanas; apenas muda suas roupagens.

Há algo curiosamente semelhante entre quem está chegando e quem está se despedindo da longa estrada da existência.

Ambos enxergam o mundo a partir de suas próprias certezas.

A criança porque ainda não aprendeu que o universo não gira ao seu redor.

O idoso, porque já viu tanto que às vezes acredita não haver mais nada novo sob o sol.

Entre um e outro, surgem discussões que parecem menos sobre razão e mais sobre a dificuldade de abrir mão do próprio ponto de vista.

Talvez seja por isso que tantas gerações se encontrem na mesma reclamação: a sensação de que o mundo está acabando.

A criança sente o fim do mundo quando lhe tiram um brinquedo.

O adulto sente quando seus planos fracassam.

E o idoso sente quando os costumes que conheceu desaparecem.

Em escalas diferentes, todos experimentamos pequenas versões do apocalipse particular.

A verdade é que o mundo muito raramente acaba.

O que acaba são as versões dele que construímos dentro de nós.

Acabam as referências, os hábitos, as certezas e os cenários que aprendemos a chamar de lar.

E cada despedida dessas exige uma adaptação que nem sempre estamos dispostos a fazer.

Talvez a maturidade não esteja em deixar de esperar o fim do mundo, mas em compreender que ele termina e recomeça inúmeras vezes ao longo da vida.

E que a grande arte de viver não é impedir essas transformações, mas atravessá-las sem transformar toda divergência em batalha.

Porque, no fundo, dos quase 5 aos quase 90 anos, seguimos aprendendo a mesma lição: o mundo não precisa terminar só porque deixou de ser exatamente como gostaríamos que fosse.”

Esta frase aguardando revisão.

“Desde que a CBF passou a pensar com os pés, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a alma, nem a cabeça.

E isso é tão provocativo quanto uma bicuda do meio de campo, mas toda provocação nasce da inquietação diante de uma realidade que insiste em se repetir.

O futebol brasileiro, que durante décadas encantou o mundo pela criatividade, pela inteligência e pela irreverência, parece ter trocado a ousadia pela burocracia, a inspiração pela previsibilidade e a identidade pela conveniência.

O futebol nunca foi só um mero esporte para o Brasil.

Sempre foi uma manifestação cultural, uma linguagem natural.

Cada drible era um ato de liberdade, cada passe revelava inteligência, cada gol carregava a alegria e a esperança de um povo que transformava dificuldades em espetáculo.

Mas, em algum momento, essa essência começou a flertar com agendas ocultas pelos corredores do poder.

Quando quem dirige o futebol demonstra falta de visão, planejamento e compromisso com um projeto de longo prazo, essa pobreza de ideias inevitavelmente chega ao gramado.

Jogadores passam a executar mais do que criar, obedecer mais do que interpretar o jogo.

O improviso deixa de ser virtude para se tornar risco, e o medo de errar sufoca a coragem de tentar.

Os pés, antes instrumentos da genialidade, tornaram-se mecânicos. 

A cabeça, que fazia do improviso uma estratégia, passou a seguir fórmulas prontas. 

E a alma — aquela chama que transformava partidas comuns em momentos inesquecíveis — parece ter sido deixada para trás, substituída por um futebol eficiente apenas na aparência, mas incapaz de emocionar.

Não faltam talentos ao Brasil. 

O que falta é uma direção capaz de compreender que o futebol não se resume a números, esquemas táticos ou interesses meramente políticos. 

Grandes jogadores precisam de um ambiente que estimule a inteligência, preserve a criatividade e respeite a personalidade de quem entra em campo. 

Afinal, o futebol sempre exigiu pés habilidosos, mas jamais dispensou uma cabeça pensante e uma alma apaixonada.

Perder faz parte do jogo. 

O que não pode fazer parte da nossa história é perder a identidade. 

Porque títulos podem voltar, como tantas vezes voltaram. 

O que será muito mais difícil recuperar é aquilo que fez o mundo olhar para o futebol brasileiro com admiração: a capacidade de jogar com alegria, pensar com inteligência e competir com coragem.

Enquanto a gestão continuar tropeçando nas próprias escolhas, continuaremos produzindo um grande paradoxo: um país que revela alguns dos maiores talentos do planeta, mas que insiste em desperdiçá-los por falta de direção. 

E talvez seja esse o retrato mais triste do nosso futebol: não a ausência de craques, mas a escassez de ideias.

Porque, no fim das contas, quando quem deveria pensar passa a fazê-lo com os pés, sobra aos que jogam apenas correr. 

E um futebol que deixa de usar os pés com arte, a cabeça com inteligência e a alma com paixão pode até vencer de vez em quando, mas jamais voltará a nos encantar como antes.”