“Ao ver pessoas de quase 90 anos perdendo a linha nas discussões com as de quase 5, começo a desconfiar que partiremos todos desse mundo esperando o fim dele.
Talvez uma das principais ilusões da vida seja acreditar que a idade, por si só, nos entrega a serenidade.
Como se os anos fossem um depósito automático de sabedoria, paciência e compreensão.
Mas basta observar uma criança em uma birra e um idoso em uma teimosia para perceber que o tempo não apaga certas características humanas; apenas muda suas roupagens.
Há algo curiosamente semelhante entre quem está chegando e quem está se despedindo da longa estrada da existência.
Ambos enxergam o mundo a partir de suas próprias certezas.
A criança porque ainda não aprendeu que o universo não gira ao seu redor.
O idoso, porque já viu tanto que às vezes acredita não haver mais nada novo sob o sol.
Entre um e outro, surgem discussões que parecem menos sobre razão e mais sobre a dificuldade de abrir mão do próprio ponto de vista.
Talvez seja por isso que tantas gerações se encontrem na mesma reclamação: a sensação de que o mundo está acabando.
A criança sente o fim do mundo quando lhe tiram um brinquedo.
O adulto sente quando seus planos fracassam.
E o idoso sente quando os costumes que conheceu desaparecem.
Em escalas diferentes, todos experimentamos pequenas versões do apocalipse particular.
A verdade é que o mundo muito raramente acaba.
O que acaba são as versões dele que construímos dentro de nós.
Acabam as referências, os hábitos, as certezas e os cenários que aprendemos a chamar de lar.
E cada despedida dessas exige uma adaptação que nem sempre estamos dispostos a fazer.
Talvez a maturidade não esteja em deixar de esperar o fim do mundo, mas em compreender que ele termina e recomeça inúmeras vezes ao longo da vida.
E que a grande arte de viver não é impedir essas transformações, mas atravessá-las sem transformar toda divergência em batalha.
Porque, no fundo, dos quase 5 aos quase 90 anos, seguimos aprendendo a mesma lição: o mundo não precisa terminar só porque deixou de ser exatamente como gostaríamos que fosse.”
Tópicos
ser , idoso , humano , esperando , todo , mundo , mão , hábito , sobra , ponto , fim , estrada , sensação , dificuldade , ainda , certo , disposto , começo , redor , lição , outro , cada , cenário , divergência , existência , ponta , fundo , novo , discussão , toda , verdade , referência , criança , roupagem , arte , maturidade , próprio , lar , chamar , plano , paciência , adulto , ponte , ilusão , principal , curioso , compreensão , brinquedo , sempre , razão , adaptação , depósito , entrega , certeza , universo , linha , costume , esperar , versão , ver , sol , vida , grande , nada , escala , sabedoria , reclamação , tanto , transformação , crianças , pessoas , verdade , menos , idade , mundo , batalha , particular , basto , longe , término , arte , idade , partir , pequeno , despedida , vistos , característica , aprendendo , ano , vez , tempo , geração , vida , pessoaCitações relacionadas
Fragmento da poesia "Onde está o teu corpo".
Escrita em 2009 para ser apresentado no TAL (Tempo de Arte Literária), na Escola Estadual Nossa Senhora de Fátima, não foi apresentado no dia.
Apresentado no TAL (Tempo de Arte Literária), noColégio Estadual Dinah Gonçalves, ficando na primeira colocação, em 2013.
Apresentado na Exposição & Sarau Mulher Pedra, organizada pela poetisa Varenka de Fátima Araújo, em 2014.
Fonte: O Diferencial da Favela, organizado por Sandro Ribeiro dos Santos, Onde está o teu corpo, Valter Bitencourt Júnior, Galinha Pulando, pág. 89, 2014, ISBN: 9788566465129.
Fonte: Toque de Acalanto: Poesias, Valter Bitencourt Júnior, Amazon/Clube de Autores, 2017, pág. 06, ISBN: 9781549710971.
“Minha lembrança mais velha é quando eu estuprei minha babá com 5 anos de idade… ela tinha 15”
“Só tenho paciência para agüentar briga de crianças com menos de 35 anos.”
Heloísa Helena, líder do PT no Senado, sobre a briga entre ACM e Jader Barbalho
Fonte: Revista Veja, Edição 1 671 - 18/10/2000 http://veja.abril.com.br/181000/vejaessa.html
“Só que a novela acabou há quase 20 anos e as pessoas ainda me chamam de Odete. Odeio isso.”
Sobre a sua personagem mais famosa, a vilã Odete Roitmann de Vale Tudo
Fonte: Revista ISTO É Gente, Edição 363 http://www.terra.com.br/istoegente/363/frases/index.htm.