“Sou favorável à Democracia e contrário ao Conservadorismo, ao Patriotismo e ao Cristianismo igualmente Fabricados.
Não porque toda forma de Conservadorismo seja necessariamente ilegítima, nem porque amar o próprio país ou professar a fé cristã sejam, por si mesmos, problemas.
O que me inquieta, e muito, é outra coisa: quando essas palavras deixam de nomear convicções e passam a funcionar como Produtos Ideológicos cuidadosamente embalados para despertar medo, orgulho, culpa e até obediência cega.
Há um Conservadorismo que nasce da prudência, da experiência e do desejo de preservar aquilo que possui valor.
Mas existe também um Conservadorismo Fabricado, que transforma qualquer mudança em ameaça, qualquer questionamento em afronta e qualquer tradição em argumento de autoridade.
Nesse terreno, conservar deixa de significar cuidar do que merece permanecer e passa a significar simplesmente impedir que o mundo seja diferente.
Há também uma diferença entre amar um país e transformar o Patriotismo em instrumento de mobilização.
O Patriotismo Fabricado não pede apenas que amemos a terra onde nascemos; exige demonstrações públicas de lealdade, cria inimigos internos e externos e, muitas vezes, transforma símbolos nacionais em uma espécie de salvo-conduto moral.
Como se uma bandeira pudesse substituir uma consciência e um hino pudesse dispensar o Pensamento Crítico.
E há o Cristianismo Fabricado: não necessariamente aquele que nasce da fé, da espiritualidade e da busca sincera pelo Evangelho, mas aquele que é moldado conforme conveniências políticas.
Um cristianismo que fala muito de moral e pouco de misericórdia; que condena com facilidade, mas perdoa com dificuldade; que se preocupa mais em controlar comportamentos do que em interrogar a própria consciência.
Talvez o problema não esteja nas palavras — Conservadorismo, Patriotismo e Cristianismo —, mas na facilidade com que podemos esvaziá-las e preenchê-las com aquilo que desejamos que elas legitimem.
A Democracia, por sua vez, exige algo muito menos confortável: a possibilidade de convivermos com aquilo que não somos.
Ela não exige que abandonemos nossas convicções.
Exige que reconheçamos que nossas convicções não nos concedem propriedade sobre a verdade, nem autorização para retirar do outro o direito de existir, discordar e participar da vida pública.
Por isso, talvez seja necessário desconfiar das identidades que chegam prontas demais.
Daquelas que oferecem respostas antes das perguntas, inimigos antes do diálogo e certezas antes da reflexão.
Porque toda fabricação ideológica precisa de consumidores.
A Democracia, ao contrário, precisa de cidadãos.
E talvez a maior defesa da Democracia não seja escolher uma tribo para combater outra, mas preservar em nós mesmos a capacidade de pensar antes de pertencer, questionar antes de obedecer e compreender antes de condenar.
No fim, uma Sociedade Livre não é aquela em que todos pensam — ou acham que pensam — da mesma maneira.
É aquela em que ninguém precisa deixar de pensar por conta própria para poder pertencer.”
Tópicos
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George Bernard Shaw (1856–1950)
Patriotism is your conviction that this country is superior to all other countries because you were born in it
Bernard Shaw citado em "The Public: A journal of democracy": Volume 13 - página 1236,Louis Freeland Post, Alice Thatcher Post, Stoughton Cooley - The Public Publishing Co., 1910
Atribuídas
Daniel Hannan (1971) político britânico
Esquerdistas ruborizam-se enfurecidos quando lembrados das raízes socialistas do Nazismo https://fascismoblog.wordpress.com/2015/12/02/esquerdistas-ruborizam-se-enfurecidos-quando-lembrados-das-raizes-socialistas-do-nazismo/ — 25 de fevereiro de 2014.
Constantine's Sword: The Church and the Jews, A History
Hannah Arendt (1906–1975) escritora e pensadora judia, nascida na Alemanha e erradicada nos EUA
Atribuídas <br class="br">Fonte: Nova Escola http://novaescola.abril.com.br/ed/169_fev04/html/pensadores.htm