“Não bastassem os bandidos políticos se digladiando e se acusando, ainda têm os asseclas apaixonados de ambos os lados prestando o desserviço de reproduzir as narrativas dos seus inquilinos mentais.
E talvez seja justamente aí que a degradação do debate público deixe de ser um problema dos poderosos para se tornar um problema íntimo, cotidiano e coletivo.
Porque o político profissional muito raramente briga por princípios; quase sempre briga por poder, proteção, influência e permanência.
A guerra pública costuma ser apenas o teatro elegante dos interesses privados.
Mas o mais curioso é perceber que os verdadeiros combatentes dessa arena nem sempre estão no palanque — estão nas mesas de bar, nos grupos de família, nas redes sociais e nos comentários apodrecidos pela necessidade quase religiosa de defender um lado.
O fanático moderno já não pensa: ele terceiriza.
Aluga o próprio senso crítico.
Entrega a própria identidade para que algum líder, partido ou ideologia pense por ele.
E então nasce o fenômeno mais perigoso da política contemporânea: pessoas comuns transformadas em extensões emocionais de projetos de poder que jamais as enxergarão como algo além de massa de manobra.
Os escândalos deixam de importar se forem “do meu lado”.
As incoerências passam a ser relativizadas.
A corrupção vira detalhe quase semântico.
E a mentira torna-se estratégia aceitável ao derrotar o “inimigo maior”.
Nesse estágio, já não existe cidadania.
Existe torcida.
E torcida é incapaz de construir país, porque toda torcida necessita de um adversário permanente para continuar existindo.
A política deixa de ser instrumento de administração da realidade e vira campeonato emocional de pertencimento.
Talvez por isso tanta gente esteja exausta.
Não apenas pela violência dos políticos, mas pela colonização mental promovida pelos seus seguidores mais devotos.
Gente que acorda e dorme consumida por defender figuras públicas como se defendesse a própria alma.
Enquanto isso, os problemas reais seguem intactos:
o trabalhador continua sufocado,
o jovem continua sem horizontes, a educação continua remendada, e a dignidade segue sendo artigo de luxo para milhões.
Mas o espetáculo continua.
E os inquilinos mentais seguem cobrando aluguel em forma de raiva, cegueira e obediência emocional.
No fim, talvez a verdadeira liberdade política comece quando alguém consegue olhar para qualquer líder — de qualquer lado — sem paixão, sem devoção e sem medo de enxergar nele apenas aquilo que quase todos inevitavelmente são:
seres humanos disputando poder.”
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“Não há soluções políticas para problemas econômicos.”
There are two problems in my life. The political ones are insoluble and the economic ones are incomprehensible.
Alec Douglas-Home, in: New York Times, 9 de janeiro de 1964, conforme citado em "Political quotations: a worldwide dictionary of thoughts and pronouncements from politicians, literary figures, humorists, and others" - Página 47, de Michael C. Thomsett, Jean F. Thomsett - McFarland, 1994, ISBN 0899509517, 9780899509518 - 344 páginas
Aécio Neves artigo publicado no dia 2 de dezembro de 2013.
Fonte Folha de S.Paulo http://www1.folha.uol.com.br/colunas/aecioneves/2013/12/1379365-mentiras-e-verdades.shtml
"Na virada do milênio", Página 228, de Roberto de Oliveira Campos - Publicado por Topbooks, 1999 - 486 páginas
“É um problema de psicologia e não de política ou sociologia.”
Comentando o fato de ter sido atingido por um ovo
Durante campanha eleitoral
Fonte: Revista IstoÉ Edição 1600
Fidel Castro, presidente cubano, sobre a detenção de Augusto Pinochet na Inglaterra
Atribuídas
Fonte: Revista Veja http://veja.abril.com.br/231298/p_012.html de 23/12/98