Esta frase aguardando revisão.

“Qualquer Deslize estando sob o escrutínio popular é muito perigoso, não porque o povo em sua maioria se considere infalível, mas por quase sempre não admitir a livre concorrência.

Vivemos um tempo bastante curioso — e, de certo modo, muito contraditório. 

Nunca se falou tanto em liberdade de expressão, e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta vigilância sobre o que é dito, pensado ou sentido. 

A praça pública deixou de ser um espaço de encontro para se tornar um tribunal permanente, onde cada palavra pode ser retirada de contexto, amplificada e transformada em sentença.

O problema não está apenas no erro — errar é inerente à condição humana —, mas na forma como lidamos com ele. 

Há uma espécie de monopólio moral em disputa, como se apenas alguns poucos estivessem autorizados a falhar, rever, aprender e seguir adiante. 

Aos demais, resta apenas a condenação imediata, quase sempre desproporcional, quase nunca reflexiva.

Talvez o que mais assuste não seja a crítica em si, que é necessária e saudável, mas a ausência de espaço para o contraditório honesto. 

Não se trata mais de dialogar, mas de vencer; não de compreender, mas de expor; não de construir, mas de demolir. 

A intolerância moderna não grita — ela aponta, rotula e descarta.

E assim, pouco a pouco, vamos nos tornando mais cautelosos, menos autênticos, mais silenciosos…

Não por falta de ideias, mas por medo das consequências. 

O pensamento deixa de ser livre não quando é proibido, mas quando se torna perigoso demais exercê-lo.

Talvez seja hora de reaprender algo simples e profundamente humano: ninguém é definitivo. 

Somos todos versões em construção, sujeitos a revisões, quedas e recomeços. 

Admitir isso não nos torna frágeis — nos torna possíveis.

Porque, no fim das contas, uma sociedade que não tolera o erro também não sabe reconhecer o acerto. 

E sem essa medida, tudo se perde: o senso, o equilíbrio e, sobretudo, a própria humanidade.”

Última atualização 19 de Abril de 2026. História

Citações relacionadas

Immanuel Kant photo

“Age de modo que consideres a humanidade tanto na tua pessoa quanto na de qualquer outro, e sempre como objetivo, nunca como simples meio.”

Immanuel Kant (1724–1804)

Handle so, daß du die Menschheit, sowohl in deiner Person, als in der Person eines jeden andern, jederzeit zugleich als Zweck, niemals bloß als Mittel brauchest.
Werke in sechs Bänden: Schriften zur Ethik und Religionsphilosophie‎ - Página 61 http://books.google.com.br/books?pg=PA61, Immanuel Kant, Wilhelm Weischedel - Insel-Verlag, 1786

José Saramago photo
Albert Einstein photo

“O tempo e o espaço são modos pelos quais pensamos e não condições nas quais vivemos.”

Albert Einstein (1879–1955)

Time and space are modes by which we think and not conditions in which we live
Einstein: An Intimate Study of a Great Man - Página 62, Dimitri Marianoff, ‎Palma Wayne - Doubleday, Doran and Company, Incorporated, 1944, 211 páginas
Atribuídas

Castro Alves photo
Philippe Petit photo
Tati Bernardi photo

Tópicos relacionados