„É questão de certo interesse perceber que as artes populares dos EUA da virada do milênio tratam a anedonia e o vazio interno como coisas descoladas e cool. De repente são vestígios da glorificação romântica do mundo e sofisticada e aí consumida por pessoas mais jovens que não apenas consomem arte mas a examinam em busca de pistas de como ser chique, cool - e não esqueça que, para os jovens em geral, ser chique e cool é o mesmo que ser admirado, aceito e incluído e portanto assolitário. Esqueça a dita pressão-dos-pares. É mais tipo uma fome-de-pares. Não? Nós entramos numa puberdade espiritual em que nos ligamos ao fato de que o grande horror transcendente é a solidão, fora o enjaulamento em si próprio. Depois que chegamos a essa idade, nós agora daremos ou aceitaremos qualquer coisa, usaremos qualquer máscara para nos encaixar, ser parte-de, não estar Sós, nós os jovens. As artes dos EU são o nosso guia para a inclusão. Um modo-de-usar. Elas nos mostram como construir máscaras de tédio e de ironia cínica ainda jovens, quando o rosto é maleável o suficiente para assumir a forma daquilo que vier a usar. E aí ele se prende ao rosto, o cinismo cansado que nos salva do sentimentalismo brega e do simplismo não sofisticado. Sentimento é igual a simplismo neste continente (ao menos desde a Reconfiguração). […] Hal, que é vazio mas não é besta, teoriza privadamente que o que passa pela transcendência descolada do sentimentalismo é na verdade algum tipo de medo de ser realmente humano, já que ser realmente humano (ao menos como ele conceitualiza essa ideia) é provavelmente ser inevitavelmente sentimental, simplista, pró-brega e patético de modo geral, é ser de alguma maneira básica e interior para sempre infantil, um tipo de bebê de aparência meio estranha que se arrasta anacliticamente pelo mapa, com grandes olhos úmidos e uma pele macia de sapo, crânio enorme, baba gosmenta. Uma das coisas realmente americanas no Hal, provavelmente, é como ele despreza o que na verdade gera a sua solidão: esse horrendo eu interno, incontinente de sentimentos e necessidades, que lamenta e se contorce logo abaixo da máscara vazia e descolada, a anedonia.“

Última atualização 16 de Outubro de 2019. História

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„Ser jovem e não ser revolucionário é uma contradição genética.“

—  Che Guevara guerrilheiro e político, líder da Revolução Cubana 1928 - 1967

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„O drama da idade avançada não é o de ser velho mas o de ser jovem.“

—  Oscar Wilde Escritor, poeta e dramaturgo britânico de origem irlandesa 1854 - 1900

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„Quando se é velho, é preciso ser mais ativo do que quando jovem.“

—  Johann Goethe

Variante: Quando se é velho, é preciso ser mais activo do que quando jovem.

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„A última coisa que quero ser é este tipo de monstro.“

—  Mel Gibson 1956

sobre as frases anti-semitas que proferiu ao ser preso por dirigir bêbado
Fonte: Revista IstoÉ Gente. Edição 374 http://www.terra.com.br/istoegente/374/frases/index.htm

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„Qualquer idiota consegue ser jovem. É preciso muito talento pra envelhecer.“

—  Millôr Fernandes cartunista, humorista e dramaturgo brasileiro. 1923 - 2012