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“Com tantas Guerras descaradamente ignoradas no “nosso” país, não deveríamos ter tanto tempo nem disposição para ficarmos escolhendo um lado nas guerras dos outros.

Quem vê a assustadora parte de um povo palpitar tanto em outras guerras, pode até acreditar que não temos tantos conflitos internos para lutar.

Mas temos. 

E não são poucos. 

São guerras sem sirenes internacionais, sem transmissões ao vivo em alta definição, sem mapas coloridos nos telejornais. 

São guerras silenciosas, travadas nas periferias esquecidas, nas filas dos hospitais, nas salas de aula sucateadas, nos lares onde a dignidade perdeu território para a sobrevivência.

Há uma guerra diária contra a desigualdade que normalizamos. 

Uma guerra contra a corrupção que denunciamos em ano eleitoral e relativizamos no resto do tempo. 

É guerra contra a ignorância cultivada, contra a desinformação compartilhada com convicção e preguiça de checar. 

Contra o desalento que transforma cidadãos em espectadores.

Ainda assim, muitos preferem empunhar bandeiras internacionais com a mesma facilidade com que ignoram as trincheiras da própria rua. 

Opinar sobre conflitos distantes exige apenas conexão à internet. 

Enfrentar os conflitos internos exige caráter, constância e compromisso — três virtudes que não rendem tantos aplausos nas redes.

Não se trata de indiferença ao sofrimento alheio. 

Solidariedade é uma grande virtude. 

O problema é quando a comoção seletiva vira espetáculo e a indignação terceirizada serve apenas para aliviar a consciência enquanto as mazelas domésticas seguem intactas.

É curioso: somos rápidos para apontar injustiças além-mar, mas lentos para reconhecer que também somos parte — ativa ou omissa — das injustiças daqui. 

Escolher um lado em guerras estrangeiras pode até dar a sensação de lucidez moral. 

Mas escolher enfrentar as próprias contradições exige maturidade cívica.

Talvez o que nos falte não seja opinião, mas prioridade. 

Não seja engajamento digital, mas responsabilidade real. 
Porque enquanto gastamos energia demais disputando narrativas globais, há batalhas locais esperando por gente disposta a lutar menos com o teclado e mais com atitudes.

E, no fim, a pergunta que fica é bastante desconfortável: estamos escolhendo lados por consciência… ou por conveniência?”

Última atualização 4 de Março de 2026. História

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“A guerra cria um outro ciclo no tempo. Já não são os anos, as estações que marcam as nossas vidas. Já não são as colheitas, as fomes, as inundações. A guerra instala o ciclo do sangue. Passamos a dizer: "antes da guerra, depois da guerra". A guerra engole os mortos e devora os sobreviventes.”

Mia Couto (1955)

A Varanda do Frangipani
Variante: A guerra cria um outro ciclo no tempo. Já não são os anos, as estações que marcam as nossas vidas. Já não são as colheitas, as fomes, as inundações. A guerra instala o ciclo do sangue. Passamos a dizer: “antes da guerra, depois da guerra”. A guerra engole os mortos e devora os sobreviventes.

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“Guerra, horrível guerra".”

Virgilio (-70–-19 a.C.) poeta romano clássico, autor de três grandes obras da literatura latina
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