“O Brasil que me dói é o Brasil que padece da Metástase Cultural da Corrupção Estrutural.
O que me dói não é apenas o dos escândalos que estampam manchetes, nem o das cifras desviadas que nos indignam por alguns dias.
O Brasil que me dói é aquele em que a corrupção deixou de ser episódio e virou ambiente — deixou de ser exceção e passou a ser método.
É um Brasil que já não se escandaliza com os erros — justifica-os — e até estranha a honestidade.
Onde o “jeitinho” é celebrado como inteligência e a integridade é tratada como ingenuidade.
A metástase cultural da corrupção estrutural não começa nos palácios; ela se espalha quando pequenas concessões morais se tornam hábitos sociais.
Quando furar a fila, fraudar um atestado, comprar produtos de procedência duvidosa ou sonegar um imposto parecem pecados menores diante de outros pecados…
Essa metástase é muito silenciosa.
Não dói de imediato.
Vai corroendo a confiança — essa argamassa invisível que sustenta qualquer nação.
E quando a confiança apodrece, tudo começa a desmoronar: instituições, relações e sonhos coletivos.
O cidadão já não acredita no Estado, o eleitor já não acredita no voto, o jovem já não acredita no mérito.
Mas talvez a dor seja também um sinal vital.
Algo de bom no meio do caos.
Só dói o que ainda tem um pouco de vida.
E se o Brasil nos dói, é porque ainda nos importamos.
É porque ainda enxergamos a possibilidade de um país onde o certo não seja heroísmo, mas normalidade; onde caráter não seja exceção, mas cultura.
A cura de uma Metástase Cultural não começa apenas nas urnas ou nos tribunais — começa no espelho.
Começa quando decidimos que não aceitaremos, em pequena escala, aquilo que condenamos em grande escala.
Porque a corrupção estrutural se alimenta de microcorrupções diárias; e a transformação estrutural também nasce de microatos de integridade.
O Brasil que me dói é o mesmo Brasil que ainda pode florescer.
E talvez a verdadeira revolução não seja a que grita nas ruas, mas a que ainda sussurra na consciência de cada um de nós: ou mudamos a cultura, ou a cultura continuará nos mudando.”
Tópicos
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“O Brasil é muito impopular no Brasil.”
Flor de Obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues
Fonte: Flor de Obsessão: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues; Coleção das obras de Nelson Rodrigues: as 1000 melhores frases de Nelson Rodrigues", de Nelson Rodrigues, Ruy Castro - Publicado por Companhia das Letras, 1992 ISBN 8571646678, 9788571646674 - 183 páginas, Página 29
“O Brasil é um país que não deve ser levado à sério.”
Frase atribuída ao general, mas de origem negada por historiadores. Eles dizem que a frase é do embaixador brasileiro na França, Carlos Alves de Souza, dita ao jornalista Luiz Edgar de Andrade, na época correspondente do "Jornal do Brasil" em Paris. Depois de discutir com De Gaulle a "guerra da lagosta", em 1962, quando barcos franceses pescavam o crustáceo na costa brasileira, Souza relatou a Edgar o encontro dizendo-lhe que falaram sobre o samba carnavalesco "A lagosta é nossa", das caricaturas que faziam dele (De Gaulle), terminando a conversa assim: "Edgar, le Brésil n'est pas un pays sérieux". O jornalista mandou o despacho para o jornal e a frase acabou outorgada a De Gaulle. http://www.raulsartori.com.br/index.php
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ensaio Uma Trajetória no Subdesenvolvimento, como citado http://www.cultura.gov.br/site/2005/07/18/o-pos-modernismo-brasileiro-e-o-ministro-gil/ em O pós-modernismo brasileiro e o ministro Gil, publicado no O Estado de São Paulo, Luiz Zanin Oricchio, 17/07/2005
“Esse aqui é o dono do Brasil. Ele manda no Brasil.”
dirigindo-se a Lázaro Brandão, presidente do Bradesco, em reunião com empresários, em São Paulo; citado em Veja, 23.03.05.
“O Brasil é os Estados Unidos onde eu vivo.”
Citações verificadas