Esta frase aguardando revisão.

“Na política do espetáculo, fingir preocupação é o único ofício que os políticos-influencers dominam com maestria; o curioso é o povo acreditar.

Talvez porque, em tempos de carência coletiva, qualquer encenação minimamente convincente pareça acolhimento. 

Há quem já não consiga distinguir empatia de performance, compromisso de marketing e indignação de roteiro. 

E assim, pouco a pouco, a política vai deixando de ser espaço de construção pública para se tornar palco de monetização emocional.

Os antigos coronéis precisavam controlar territórios; os novos aprenderam a controlar narrativas. 

Não precisam resolver problemas — basta reagir a eles diante das câmeras. 

Não precisam ter coerência — basta ter alcance. 

Não precisam sustentar a verdade — basta sustentar o engajamento.

Enquanto isso, parte do povo, cansada, ferida e desacreditada, consome políticos como quem escolhe personagens favoritos numa série interminável de conflitos fabricados. 

A lógica deixa de ser “quem governa melhor?” para se tornar “quem lacra melhor?”. 

E, quando a política vira entretenimento, a realidade sempre paga a conta.

Porque hospitais continuam lotados mesmo depois dos vídeos emocionados. 

A fome não diminui com cortes bem editados. 

A violência não recua diante de discursos performáticos. 

E o desemprego não se impressiona com milhões de seguidores.

O mais perigoso não é o político aprender a fingir. 

O teatro do poder sempre existiu. 

O mais grave é quando a sociedade desaprende a reconhecer sinceridade, coerência e responsabilidade porque se acostuma a ser seduzida pelo barulho, pela estética e pela histeria calculada.

Há líderes preocupados de verdade, sim. 

Mas estes quase sempre parecem menos interessantes ao público acostumado ao exagero. 

Quem trabalha raramente viraliza tanto quanto quem grita. 

Quem constrói dificilmente compete com quem provoca. 

E quem assume responsabilidades costuma perder espaço para quem apenas terceiriza culpas.

No fim, o espetáculo só continua porque existe plateia disposta a confundir representação com caráter.

E talvez a maturidade política de um povo comece exatamente no dia em que ele parar de se preocupar com as falas, sobretudo as mais bonitas — e voltar a observar as ações.”

Última atualização 11 de Maio de 2026. História

Citações relacionadas

“Não tenho vocação para a política e não quero ser político. Quero apenas colaborar com as políticas públicas e com políticos que merecem meu respeito.”

Aziz Ab'Sáber (1924–2012)

Ciência Hoje, julho de 1992, pág. 54..
Fonte: "AB'SABER, Aziz. Aziz Nacib Ab'Saber: O xeque da geografia.", Ciência Hoje, vol. 14, nº 82. Julho de 1992. (Entrevista concedida a Carmen Weingrill e Vera Rita Costa). Disponível em: < http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/arquivos/o-xeque-da-geografia.pdf>. Acesso em 2 de junho de 2014.

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“Em política, o que parece é.”

Salazar (1889–1970) Chefe de governo de Portugal

citado em "Salazar visto do Brasil antologia de textos de autores brasileiros e portugueses: antologia de textos de autores brasileiros e portugueses"; de Armando Pinto - Publicado por Editôra Felman-Rego, 1962 - 186 páginas, Página 83

“Ser político é politicamente correto?”

pessoal http://bloglog.globo.com/alexperiscinoto/blogue

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“A política talvez seja a única profissão para a qual não se julga necessária uma preparação.”

Robert Louis Stevenson (1850–1894)

politics is perhaps the only profession for which no preparation is thought necessary.
"The works of Robert Louis Stevenson" - Vol. 2, Página 166, de Robert Louis Stevenson - printed by T. and A. Constable for Longmans Green and Co., 1895

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