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“Não há desperdício maior que falar de civilidade para os apaixonados pelos que usam o nome de Deus e da igreja para se esconder, aparecer e se promover.

A civilidade exige algo que a idolatria jamais consegue oferecer: senso crítico.

Quando uma pessoa se apaixona por figuras, líderes ou discursos a ponto de abdicar da própria capacidade de questionar, a verdade deixa de ser um valor e passa a ser apenas um detalhe, e muito inconveniente.

Ao longo da história, muitos aprenderam que símbolos religiosos possuem um enorme poder de mobilização.

Por isso, não são raros aqueles que transformam a fé em palco, a devoção em marketing e a espiritualidade em instrumento de autopromoção.

Escondem interesses pessoais atrás de discursos piedosos, vestem a aparência da virtude e utilizam o respeito que as pessoas têm pelo sagrado como uma espécie de escudo contra críticas e questionamentos.

O problema se agrava quando admiradores confundem reverência com submissão intelectual.

Nesse momento, qualquer análise equilibrada passa a ser interpretada como perseguição, qualquer crítica se torna blasfêmia e qualquer evidência contrária é descartada em nome da lealdade ao personagem admirado.

A civilidade, que pressupõe diálogo, responsabilidade e coerência, perde espaço para a paixão acrítica.

A fé autêntica não deveria temer perguntas…

Pelo contrário, deveria acolhê-las.

Quem confia na verdade não precisa esconder-se atrás de slogans, nem transformar líderes em figuras intocáveis.

A maturidade espiritual se revela justamente na capacidade de separar a mensagem do mensageiro, os princípios das conveniências e a devoção sincera dos interesses disfarçados de santidade.

Talvez uma das maiores tragédias de qualquer sociedade seja quando a aparência de religiosidade passa a valer mais do que a prática dos valores que ela proclama.

Nesse cenário, a compaixão cede lugar ao fanatismo, a humildade dá lugar ao exibicionismo e a busca pela verdade é substituída pela defesa incondicional de pessoas e grupos.

A civilidade floresce onde existe honestidade intelectual.

E a honestidade intelectual começa quando alguém encontra coragem para admitir que nem todo aquele que fala em nome de Deus está a serviço dos valores que afirma defender.

Afinal, o sagrado não se mede pelo volume dos discursos, pela quantidade de seguidores ou pela visibilidade dos púlpitos, mas pela coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se vive.”

Última atualização 31 de Maio de 2026. História

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“Sempre há o risco de um demagogo. Não quero personalizar, mas tem pessoas aí que estão mudando de partido com a pretensão de ser presidente. E são capazes de falar. O problema num País como o nosso é que a capacidade de expressão conta mais que o resto, a capacidade de empenho, de ser ator. Na política contemporânea, político tem que ser um pouco ator. Tem muitos atores que usam o script necessário e depois vão fazer bobagem.”

Fernando Henrique Cardoso (1931) Sociólogo e político brasileiro, ex-presidente do Brasil

Fonte: Estadão. Para FHC, processo de impeachment encaminhado por Cunha ficou difícil http://politica.estadao.com.br/noticias/geral,para-fhc--processo-de-impeachment-encaminhado-por-cunha-ficou-dificil,10000007486. Publicação: 19 de janeiro de 2016

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