Esta frase aguardando revisão.

“Não há Crime Grave o bastante para relativizar qualquer outro.

Em tempos de tantas justificativas vazias e malabarismos morais, parece que a régua da ética se elastificou — estica conforme a conveniência de quem julga, de quem fala, quiçá de quem tenta se eximir. 

Como se a existência de um erro maior tivesse o poder mágico e poético de diminuir ou até absolver um erro menor.

Mas definitivamente não tem.

Um crime não anula o outro. 

Não o equilibra. 

Nem o compensa. 

Apenas revela o quanto estamos dispostos a negociar princípios quando eles deixam de nos favorecer. 

É o velho impulso de apontar o dedo com uma mão enquanto a outra esconde aquilo que não queremos ver.

Relativizar o erro alheio com base em um erro maior é, no fundo, uma forma forçosamente elegante de aceitar o inaceitável. 

É transformar justiça em comparação, quando deveria ser compromisso. 

É escolher lados quando o certo seria escolher valores.

A lógica da compensação moral é sedutora porque alivia consciências. 

“Perto daquilo, isso nem é tão grave.”

E assim, aos poucos, vamos rebaixando o que deveria ser inegociável. 

Vamos nos acostumando com pequenas concessões que, somadas, constroem grandes e medonhas distorções.

O problema nunca foi apenas o tamanho do crime, mas a disposição em aceitá-lo quando convém. 

Porque quando a indignação depende de contexto, ela deixa de ser princípio e passa a ser estratégia.

E é nesse ponto que tudo se fragiliza, tudo se perde.

Quando começamos a pesar erros em balanças seletivas, já não estamos mais buscando justiça — estamos apenas escolhendo qual incoerência, qual injustiça estamos dispostos a defender.

No fim, não é sobre quem errou mais nem menos.

É sobre quem ainda se recusa a tratar o erro como erro, independentemente de quem o cometeu e como cometeu.”

Última atualização 28 de Março de 2026. História

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“Se os judeus foram mortos em Auschwitz ou Treblinka ou em qualquer outro lugar … não foi um crime porque eles eram judeus, era um crime porque eram judeus inocentes que estavam sendo mortos. Foi a sua inocência que fez … um crime e não o judaísmo deles que o tornaram um crime.”

David Irving (1938)

If the Jews were killed at Auschwitz or Treblinka or anywhere else...it wasn't a crime because they were Jews, it was a crime because they were innocent Jews who were being killed. It was their innocence that made...it a crime and not their Jewishness that made it a crime.
www.youtube.com/watch?v=jgGP_evkvOk

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“O maior erro que um homem pode cometer é sacrificar a sua saúde a qualquer outra vantagem.”

Arthur Schopenhauer (1788–1860) filósofo alemão

greatest mistake a man can make is to sacrifice health for any other advantage.
Arthur Schopenhauer citado em Lifetime speaker's encyclopedia - Volume 1 - Página 354, Jacob Morton Braude - Prentice-Hall, 1962, 1224 páginas
Atribuídas

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“A verdade em um tempo é erro em outro.”

Charles Louis Montesquieu (1689–1755) mostequis

Variante: Verdade num tempo, erro num outro.

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