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“Pai, se não puderes passar de mim esse cálice, poupe-me ao menos dos amantes da espetacularização. 

Não temo os tropeços, as tempestades ou a morte — nem  minha, nem dos meus — pois nenhum destes barulhos consegue ser mais ensurdecedor que o espetáculo feito deles.

Há cálices que não doem pelo amargor do conteúdo, mas pelo coro que se forma ao redor deles. 

O tropeço ensina, a tempestade depura, a morte silencia — todas cumprem um papel sagrado no trato da alma. 

O que fere é o aplauso, o holofote aceso sobre a dor alheia, a pressa em transformar cruz em palco e lágrima em argumento.

Quem caminha com fé não pede a ausência da noite, mas a dignidade do escuro. 

Não implora pela fuga da provação, mas pelo recolhimento necessário para atravessá-la. 

Há dores que só frutificam no segredo, há processos que se perdem quando exibidos. 

O espetáculo rouba o sentido; o silêncio, ao contrário, devolve profundidade.

Por isso, minha súplica parece-me justa: se o cálice não puder ser afastado, que ao menos não venha acompanhado da plateia. 

Que a dor seja escola, não vitrine. 

E que o barulho venha do céu, não dos que confundem compaixão com curiosidade e fé com entretenimento.

Amém!”

Última atualização 28 de Dezembro de 2025. História

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“Depois de todas as tempestades e naufrágios, o que fica de mim em mim é cada vez mais essencial e verdadeiro.”

Caio Fernando Abreu (1948–1996) escritor brasileiro

"Ovelhas negras, de 1962 a 1995‎" - Página 117, de Caio Fernando Abreu - Editora Sulina, 1995, 2a. ed., ISBN 8520500684, 9788520500682 - 258 páginas

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