Frases sobre contorno

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da contorno, ser, vida, verdade.

Frases sobre contorno

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“As mulheres durante todos estes séculos serviram de espelhos possuindo o poder mágico e delicioso de refletir uma imagem do homem com o dobro do seu tamanho natural. Sem esse poder, provavelmente, a Terra seria ainda pântano e selva. As glórias de todas as guerras seriam desconhecidas. Estaríamos ainda arranhando os contornos de cervos nos restos de ossos e trocando pederneiras por peles de carneiro ou qualquer outro ornamento simples que agradasse ao nosso gosto sem sofisticação. O Super Homem ou o Dedo do Destino nunca teriam existido. O Czar e o Kaiser nunca teriam portado suas coroas ou as perdido. Qualquer que possa ser sua utilidade em sociedades civilizadas, espelhos são essenciais a toda ação violenta e heróica. Eis porque tanto Mussolini quanto Napoleão insistem tão enfaticamente na inferioridade das mulheres, pois se elas não fossem inferiores, eles pararariam de engrandescer-se. Isso serve para explicar, em parte, a indispensável necessidade que as mulheres tão freqüentemente representam para os homens. E serve para explicar como eles ficam inquietos quando colocados sob a sua crítica, como é impossível para ela dizer-lhes que este livro é ruim, este quadro é fraco, ou o que quer que seja, sem causar mais dor ou despertar mais raiva que um homem que fizesse a mesma crítica. Pois, se ela começa a dizer a verdade, a figura no espelho encolhe, sua aptidão para a vida é diminuída. Como pode ele continuar a passar julgamentos, a civilizar nativos, a fazer leis, escrever livros, arrumar-se todo e discursar em banquetes, a menos que possa ver a si mesmo no café da manhã e no jantar com pelo menos o dobro do tamanho que realmente é?”

Um Teto Todo Seu

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“Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco foram se
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo manchas, graça, voo.
O gato
só gato
apareceu completo
e orgulhoso
nasceu completamente terminado,
caminha sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente queria ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para ser andorinha,
o poeta tenta imitar a mosca,
mas o gato só quer ser gato
e todo gato é gato
do bigode até o rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.

Não existe unidade
como ele,
nem têm a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linhade seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de uma nave.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para pôr as moedas da noite.

Ó pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
farejando,
desconfiado
de tudo que é terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Ó fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso,
ginástico,
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
das moradas,
talvez não sejas mistério,
todo mundo sabe-te e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o creiam,
todos se creiam donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
de seu gato.

Eu não.
Eu não concordo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o mais e o menos da matemática,
os funis vilcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro, o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou em sua indiferença,
seus olhos têm números de ouro.”

Pablo Neruda (1904–1973) Escritor

Navegaciones y Regresos

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“A lição política de Watergate é isto: Nunca mais deve a América permitir que um guarda arrogante da elite de adolescentes políticos contorne a organização regular do partido e dite os termos de uma eleição nacional.”

Gerald Ford (1913–2006) político americano

The political lesson of Watergate is this: Never again must America allow an arrogant, elite guard of political adolescents to by-pass the regular party organization and dictate the terms of a national election.
Observação sobre o Comitê Reeleição do Presidente (Committee to Re-elect the President), como citado em The New York Times (31 de março de 1974)

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“Nossos sonhos podem obscurecer as linhas intransigentes que desenham os contornos que nos aprisionam?”

Sylvia Plath (1932–1963) poetisa e escritora americana

The Collected Poems

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Esta frase aguardando revisão.

“Tropeçar na generalização e no floreio das narrativas é, no mínimo, atentar contra a complexidade.

Há uma tentação constante de transformar o mundo em algo mais simples do que ele realmente é.

Talvez porque a simplicidade ofereça conforto, rapidez e a ilusão de compreensão.

Narrativas bem acabadas, personagens facilmente identificáveis, causas e consequências organizadas em linhas retas: tudo isso nos dá a sensação de que dominamos aquilo que observamos.

No entanto, a realidade raramente se submete a esse tipo de enquadramento.

Quando comprimimos experiências humanas para caberem em discursos elegantes, frequentemente deixamos de fora as contradições, as ambiguidades e os silêncios que também compõem a verdade.

Generalizações podem funcionar como atalhos cognitivos, mas, quando adotadas sem cuidado, tornam-se ferramentas de apagamento.

O singular desaparece.

O contexto perde relevância.

E o que era vivo transforma-se em caricatura.

A complexidade não é um defeito a ser corrigido; é uma característica fundamental da existência.

Pessoas não são apenas a soma de suas opiniões.

Eventos não decorrem de uma única causa.

Conflitos não se explicam por uma única perspectiva.

Quanto mais nos aproximamos de algo com honestidade, mais percebemos que as respostas definitivas são escassas e que as perguntas costumam ser muito mais profundas do que imaginávamos.

Isso não significa abandonar a busca por sentido, mas reconhecer os limites das nossas interpretações.

Há uma diferença enorme entre tornar algo compreensível e torná-lo simplista.

A primeira atitude exige escuta, nuances e disposição para rever certezas.

A segunda apenas acomoda a realidade aos contornos das nossas expectativas.

Talvez a maturidade intelectual resida justamente nessa disposição de conviver com o que não se resolve facilmente.

Em aceitar que compreender não é dominar, mas aproximar-se.

E que, diante da complexidade do mundo e das pessoas, a humildade pode ser mais esclarecedora do que qualquer narrativa excessivamente polida.

Porque nem tudo precisa ser reduzido para ser entendido.

Algumas verdades exigem espaço para permanecerem amplas, contraditórias e, por isso mesmo, profundamente humanas.”