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“É muito difícil — quase impossível — a Sororidade incomodar alguém que não se identifique com o Machismo Estrutural.

Porque aquilo que nasce da empatia raramente pode ameaçar quem aprendeu a conviver com a igualdade. 

O incômodo quase sempre surge quando a solidariedade feminina deixa de ser silenciosa, obediente ou ornamental, e passa a confrontar privilégios históricos tratados como naturais durante séculos.

Há quem confunda sororidade com blindagem moral, quando, na verdade, ela frequentemente nasce da necessidade de sobrevivência emocional, social e até física. 

Mulheres aprendem cedo que o julgamento coletivo costuma ser mais cruel com elas, que a violência muda conformemente o ambiente, e que muitas disputas femininas foram incentivadas por estruturas que sempre lucraram com a desunião entre elas.

Talvez por isso tanta gente se incomode quando mulheres começam a se apoiar sem pedir autorização cultural para isso. 

Porque o Machismo Estrutural não vive apenas em agressões explícitas; ele também se esconde nas ironias, nos desconfortos seletivos, nas piadas normalizadas e na estranha necessidade de deslegitimar qualquer movimento de acolhimento feminino como exagero, vitimismo ou ameaça.

Curioso é perceber que ninguém costuma se irritar com alianças masculinas historicamente normalizadas — políticas, econômicas, corporativas ou sociais. 

Mas basta mulheres defenderem ou orientarem umas às outras com mais consciência para surgir a acusação de parcialidade. 

Como se o privilégio pudesse se organizar livremente, mas a resistência tivesse obrigação permanente de se justificar.

No fundo, a sororidade não assusta quem acredita na dignidade humana compartilhada. 

O que realmente incomoda é o enfraquecimento gradual das estruturas medonhas que sempre dependeram do silêncio, da rivalidade induzida e da submissão disfarçada de tradição.

E talvez seja exatamente por isso que ela continue sendo tão necessária.”

Última atualização 7 de Maio de 2026. História

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“O pródigo pode ser lastimado, mas o avarento é quase sempre aborrecido.”

Marquês de Maricá (1773–1848)

Máximas e Pensamento, Departamento Nacional do Livro, Fundação Biblioteca Nacional

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