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“A súbita e idealizada paixão política faz quase tudo descambar para o esvaziamento medonho do debate público.

Não é a paixão em si que corrompe o diálogo, mas a forma descarada como ela se instala: rápida demais, inflamada e, sobretudo, impermeável. 

Quando a política deixa de ser um campo de construção coletiva e passa a funcionar como extensão da identidade individual, qualquer discordância soa como ameaça — não a uma ideia, mas à própria pessoa. 

Nesse ponto, o debate deixa de ser uma troca e se transforma em confronto.

A idealização cumpre um papel ainda mais sutil. 

Ela simplifica o mundo, reduz complexidades e oferece narrativas muito fáceis, quase reconfortantes. 

Há sempre heróis irrepreensíveis e vilões absolutizados. 

Mas o preço dessa simplificação é alto demais: perde-se a nuance, a ambiguidade e, com elas, a possibilidade de compreender o outro. 

Sem isso, não há debate — apenas reafirmação.

O esvaziamento do debate público já não acontece por falta de opiniões, mas pelo excesso de certezas. 

Quando todos já chegam convencidos, o espaço comum deixa de ser um lugar de escuta e passa a ser um palco de monólogos simultâneos. 

Argumentos são substituídos por rótulos, e a dúvida — elemento essencial do pensamento — passa a ser vista como fraqueza.

Talvez o desafio não seja conter a paixão política, mas desacelerá-la. 

Permitir que ela amadureça, que conviva com a dúvida, que aceite a frustração. 

Uma paixão que não precise ser absoluta para ser verdadeira. 

Porque é nesse intervalo — entre convicção e a escuta — que o debate pode, enfim, voltar a existir.”

Última atualização 3 de Maio de 2026. História

Citações relacionadas

“Chega de exaltar hipocritamente o debate de idéias. Onde já se viu um político brasileiro dotado de idéias?”

no artigo "Queremos jogo sujo"; Revista Veja http://veja.abril.com.br/231002/mainardi.html; Edição 1 774 - 23 de outubro de 2002

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“A diferença entre a moral e a política está no fato de que, para a moral, o homem é um fim, enquanto que para a política é um meio. A moral, portanto, nunca pode ser política, e a política que for moral deixa de ser política.”

Pío Baroja (1872–1956)

Variante: A diferença entre a moral e a política está no facto de que, para a moral, o homem é um fim, enquanto que para a política é um meio. A moral, portanto, nunca pode ser política, e a política que for moral deixa de ser política.

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“Não tenho vocação para a política e não quero ser político. Quero apenas colaborar com as políticas públicas e com políticos que merecem meu respeito.”

Aziz Ab'Sáber (1924–2012)

Ciência Hoje, julho de 1992, pág. 54..
Fonte: "AB'SABER, Aziz. Aziz Nacib Ab'Saber: O xeque da geografia.", Ciência Hoje, vol. 14, nº 82. Julho de 1992. (Entrevista concedida a Carmen Weingrill e Vera Rita Costa). Disponível em: < http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/arquivos/o-xeque-da-geografia.pdf>. Acesso em 2 de junho de 2014.

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“Se a paixão conduz, deixe a razão segurar as rédeas.”

Benjamin Franklin (1706–1790) político e fundador dos EUA

If Passion drives, let Reason hold the Reins.
The Old Franklin Almanac, for ... - Página 40, American Almanac Collection (Library of Congress), Editora John Haslett, 1860
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