Esta frase aguardando revisão.

“É perigoso o resto do mundo acabar e sobrar só o Brasil… Para cada maluco aparece um maluco e meio.

E talvez o mais inquietante não seja a quantidade de “malucos”, mas a naturalidade com que nos acostumamos a eles. 

Aqui, o absurdo já não pede licença — ele entra, se espalha pelo chão ou senta no sofá, opina sobre tudo e ainda ganha plateia. 

O exagero vira folclore, o delírio vira narrativa, e, quando percebemos, já estamos rindo do que antes deveria causar silêncio.

O Brasil tem essa estranha capacidade de transformar tensão em piada, crise em meme, tragédia em comentário espirituoso. 

É um mecanismo de defesa, sem dúvida — mas também pode ser uma anestesia muito perigosa. 

Porque quando tudo parece ridículo demais para ser levado a sério, a gente corre o risco de não levar mais nada a sério.

E nesse terreno fértil, onde o improvável brota fácil, cada voz dissonante encontra eco. 

Não importa o quão desconectada da realidade ela seja — sempre haverá alguém disposto a amplificá-la, a reinventá-la, a levá-la um passo além. 

Um maluco nunca anda só; ele é sempre o início de uma pequena multidão ainda em formação.

Talvez o verdadeiro risco não seja “sobrar só o Brasil”, mas sobrar um Brasil que já não estranha mais o que deveria estranhar. 

Um país onde o espanto foi substituído pela ironia permanente, e a crítica deu lugar ao entretenimento.

Porque, no fim, quando tudo vira espetáculo, até o caos encontra aplauso. 

E aí, o problema já não é quantos “malucos” existem — é quantos de nós ainda conseguem reconhecer que algo saiu do lugar.”

Última atualização 30 de Abril de 2026. História

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“O sonho do careta é a realidade do maluco.”

Raul Seixas (1945–1989) cantor e compositor brasileiro
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“Minha música não segue uma sonoridade, é tudo meio maluco, misturado. Acho que é por causa da minha cor. Todo albino tem a cor universal, passa por várias raças.”

Hermeto Pascoal (1936) Compositor, arranjador e multi-instrumentalista brasileiro

Em entrevista ao jornal O Estado de São Paulo, em abril de 1998

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““Eu quase desintegrei minha imagem com aquela história de ser maluco. Por pouco não virei idiota.“”

Cesar Maia (1945) Político Brasileiro

Cesar Maia, prefeito do Rio, renegando sua fase de criador de factóides; citado em Revista Veja http://veja.abril.com.br/240903/vejaessa.html, Edição 1821 . 24 de setembro de 2003

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