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“Normalmente, quando a Crítica ou Julgamento é de Mulher para Mulher, só consigo ver Duas Vítimas.

Há, nesse tipo de embate, uma dor tão silenciosa que muito raramente alguém sabe — ou se atreve a — nomeá-la.

Não se trata apenas de um conflito entre indivíduos do mesmo gênero, mas de um reflexo profundo de estruturas que atravessam gerações. 

Quando uma mulher critica ou julga a outra, com ou sem dureza, muitas vezes não está exercendo poder — está reproduzindo um sistema que, historicamente, a ensinou a competir, a vigiar, a se moldar e a sobreviver dentro de limites mais estreitos.

O machismo não se sustenta apenas pela imposição direta, mas também pela internalização. 

Ele se infiltra nos gestos cotidianos, nas expectativas sobre o corpo, o comportamento, a maternidade, a carreira, a sexualidade…

E, quando não é questionado, passa a ser replicado até por quem também sofre seus medonhos efeitos. 

É assim que a opressão se disfarça de opinião, de conselho e de “preocupação”.

Isso não significa ignorar responsabilidades individuais, mas compreender que nenhuma mulher nasce julgando outra com base em padrões opressivos — isso é aprendido. 

E, como tudo que é aprendido, também pode ser desaprendido.

Por isso, talvez o primeiro passo não seja reagir com mais julgamento, mas com consciência. 

Perguntar de onde vem esse olhar, quem ele beneficia e quem ele fere. 

Reconhecer que, ao invés de rivais, mulheres compartilham experiências atravessadas por desigualdades comuns, ainda que vividas de formas diferentes.

Romper com esse ciclo exige muita coragem. 

Exige desconforto.

E exige, sobretudo, a disposição de substituir a crítica automática pela escuta, a comparação pela empatia, e o julgamento pela construção coletiva.

Porque, no fim, quando uma mulher tenta diminuir a outra para caber em padrões que nunca foram feitos para nenhuma delas, o sistema vence — e ambas perdem.

Mas quando há reconhecimento, acolhimento e consciência, algo se transforma. 

E talvez seja aí que a luta contra o Machismo Estrutural deixe de ser apenas árdua e comece, de fato, a ser libertadora.”

Última atualização 18 de Abril de 2026. História

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“A maldição de pensar fez suas vítimas: em minha geração, vi muitos poetas se transformarem em críticos, teóricos, professores de literatura.”

Paulo Leminski (1944–1989) poeta brasileiro

"Teses, tesões". In Ensaios e anseios crípticos.

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“Primeiro, os homens. Depois, me visto para mim. E então para as mulheres. Porque as mulheres são muito difíceis de agradar. São muito críticas umas com as outras. Ainda mais se você é famosa.”

Elizabeth Taylor (1932–2011)

Fonte: Revista ISTO É Gente, Edição 361 http://www.terra.com.br/istoegente/361/frases/index.htm

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“não basta ver uma mulher para a conhecer, é preciso ouvi-la também; ainda que muitas vezes basta ouvi-la para a não conhecer jamais.”

Machado de Assis (1839–1908) escritor brasileiro

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“Existe apenas uma mulher no mundo. Uma mulher, com muita faces.”

A Última Tentação de Cristo (1951)

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