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“O que sobraria de nós, se pudéssemos desumanizar todos os que julgamos desprovidos de santidade?

Talvez restasse muito pouco — ou nada — não deles, mas de nós mesmos. 

Porque, ao retirar do outro a sua condição humana, não estamos apenas julgando; estamos também esculpindo os contornos do nosso próprio abismo. 

A desumanização nunca é um ato isolado: ela reverbera, ecoa, corrói silenciosamente aquele que a pratica.

É tentador acreditar que a falha alheia nos autoriza a elevar muros morais, como se pudéssemos habitar um território puro, livre das contradições que enxergamos nos outros. 

Mas essa pureza é uma ficção assustadoramente confortável. 

A linha que separa o “santo” do “profano” não é um muro — é um fio tênue que atravessa cada um de nós.

Quando negamos humanidade ao outro, fazemos isso porque reconhecemos, ainda que inconscientemente, algo dele em nós que nos incomoda. 

A imperfeição alheia funciona como um espelho indesejado. 

E, incapazes de sustentar esse reflexo, preferimos quebrá-lo — mesmo que isso custe a nossa própria integridade.

No fim, desumanizar é uma forma de fugir. 

Fugir da complexidade, da empatia, da responsabilidade de reconhecer que ninguém é inteiramente digno de santidade — e, ao mesmo tempo, ninguém é completamente destituído dela.

Se pudéssemos, de fato, retirar a humanidade de todos os que julgamos indignos, talvez descobríssemos tarde demais que éramos os últimos a permanecer… e já não haveria mais nada de humano em nós para sustentar essa medonha solidão.”

Última atualização 17 de Abril de 2026. História

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“Donde pode nascer o amor? Talvez de uma súbita falha do universo, talvez de um erro, nunca de um ato de vontade.”

Vous demandez comment le sentiment d'aimer pourrait survenir. Elle vous répond : Peut-être d'une faille soudaine dans la logique de l'univers. Elle dit : Par exemple d'une erreur. Elle dit : jamais d'un vouloir.
"La maladie de la mort" - páginas 39-52, Marguerite Duras, Paris, Les Éditions de Minuit, 1982.

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“Sou humano, nada humano me é alheio”

Terencio (-185–-159 a.C.) dramaturgo e poeta romano
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“Nunca admiro o ato ou o fato, mas apenas o espírito humano. O ato, o fato, são vestimentas e a história não é mais do que o velho guarda-roupa do espírito humano.”

Heinrich Heine (1797–1856)

Variante: Nunca admiro o acto ou o facto, mas apenas o espírito humano. O acto, o facto, são vestimentas e a história não é mais do que o velho guarda-roupa do espírito humano.

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