Esta frase aguardando revisão.
“Não bastasse a justiça brasileira fazer tanta cerimônia para se amostrar, só para o povo acreditar que ela ainda existe, ainda incita o justiçamento.
Há algo de profundamente contraditório quando a instituição que deveria ser o último refúgio da razão se transforma, aos olhos do povo, em um palco de encenações.
A liturgia excessiva, os ritos intermináveis e os discursos rebuscados parecem, muitas vezes, menos comprometidos com a justiça em si e mais com a manutenção de sua aparência.
E quando a forma passa a valer mais que o conteúdo, abre-se um vazio extremamente perigoso — aquele onde a confiança deixa de habitar.
Nesse vazio, cresce a sensação de abandono.
O cidadão comum, cansado de esperar por decisões que nunca chegam ou que chegam tarde demais, começa a flertar com soluções imediatas, ainda que brutais.
Não por vocação à violência, mas por desespero diante da ausência de respostas justas.
E é nesse ponto que o risco se torna ainda maior: quando a justiça institucional, ao falhar em ser justa, acaba, ainda que indiretamente, legitimando a injustiça praticada pelas próprias mãos.
O justiçamento não nasce do nada.
Ele é fruto de um terreno onde a impunidade é percebida como regra e a lei como um privilégio seletivo.
Quando o povo deixa de acreditar na justiça, não é apenas a credibilidade de um sistema que se perde — é o próprio pacto social que começa a ruir.
Afinal, se cada um passa a ser juiz, júri e executor, o que resta da convivência civilizada?
Talvez o maior desafio não seja apenas fazer justiça, mas fazê-la de forma visível, compreensível e, sobretudo, confiável.
Porque a justiça que precisa se provar o tempo todo, talvez já tenha, em algum momento, deixado de ser reconhecida como tal.
E quando a justiça precisa gritar para ser notada, é possível que o silêncio da sua ausência já esteja ecoando há muito mais tempo.”
Última atualização 3 de Abril de 2026. História
Tópicos
ser, torno, vazio, todo, olho, júri, pacto, possível, sistema, ponto, regra, sensação, executor, ainda, momento, começo, resto, tarde, lei, instituição, cada, abandono, solução, conteúdo, ponta, violência, manutenção, comum, impunidade, cidadão, próprio, afinal, diante, encenação, aparência, vocação, perda, risco, cerimónia, privilégio, povo, ponte, algum, palco, razão, passo, silêncio, esperar, desafio, decisão, desespero, discurso, nada, terreno, tanto, convivência, imediato, menos, credibilidade, justo, brasileiro, justiça, último, leis, injustiça, maior, mães, fruto, onde, juiz, extremo, justiça, resposta, vez, tempo, ausência, refúgio, forma, confiançaCitações relacionadas
Revista Manchete, (3 de Dezembro de 1977)
“A violência nas mãos do povo não é violência mas justiça.”
Eva Perón (1919–1952) Ex-primeira-dama da Argentina
la violencia en manos del pueblo no es violencia, es justicia <br class="br">Enciclopedia Planeta, 1997: 160; citado por Tosca Hernández; " Des-cubriendo la violencia http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/violencia/hernandez.pdf"
“É preciso ampliar o acesso, ainda ridículo, do povo brasileiro ao cinema.”
João Batista de Andrade (1939)
entrevista a Rodrigo Capella, Cineminha http://cineminha.com.br/noticia/274-Entrevista-exclusiva-com-o-cineasta-Joao-Batista-de-Andrade