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“Não bastasse a justiça brasileira fazer tanta cerimônia para se amostrar, só para o povo acreditar que ela ainda existe, ainda incita o justiçamento.

Há algo de profundamente contraditório quando a instituição que deveria ser o último refúgio da razão se transforma, aos olhos do povo, em um palco de encenações. 

A liturgia excessiva, os ritos intermináveis e os discursos rebuscados parecem, muitas vezes, menos comprometidos com a justiça em si e mais com a manutenção de sua aparência. 

E quando a forma passa a valer mais que o conteúdo, abre-se um vazio extremamente perigoso — aquele onde a confiança deixa de habitar.

Nesse vazio, cresce a sensação de abandono. 

O cidadão comum, cansado de esperar por decisões que nunca chegam ou que chegam tarde demais, começa a flertar com soluções imediatas, ainda que brutais. 

Não por vocação à violência, mas por desespero diante da ausência de respostas justas. 

E é nesse ponto que o risco se torna ainda maior: quando a justiça institucional, ao falhar em ser justa, acaba, ainda que indiretamente, legitimando a injustiça praticada pelas próprias mãos.

O justiçamento não nasce do nada. 

Ele é fruto de um terreno onde a impunidade é percebida como regra e a lei como um privilégio seletivo. 

Quando o povo deixa de acreditar na justiça, não é apenas a credibilidade de um sistema que se perde — é o próprio pacto social que começa a ruir. 

Afinal, se cada um passa a ser juiz, júri e executor, o que resta da convivência civilizada?

Talvez o maior desafio não seja apenas fazer justiça, mas fazê-la de forma visível, compreensível e, sobretudo, confiável. 

Porque a justiça que precisa se provar o tempo todo, talvez já tenha, em algum momento, deixado de ser reconhecida como tal.

E quando a justiça precisa gritar para ser notada, é possível que o silêncio da sua ausência já esteja ecoando há muito mais tempo.”

Última atualização 3 de Abril de 2026. História

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“A violência nas mãos do povo não é violência mas justiça.”

Eva Perón (1919–1952) Ex-primeira-dama da Argentina

la violencia en manos del pueblo no es violencia, es justicia
Enciclopedia Planeta, 1997: 160; citado por Tosca Hernández; " Des-cubriendo la violencia http://bibliotecavirtual.clacso.org.ar/ar/libros/violencia/hernandez.pdf"

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“É preciso ampliar o acesso, ainda ridículo, do povo brasileiro ao cinema.”

entrevista a Rodrigo Capella, Cineminha http://cineminha.com.br/noticia/274-Entrevista-exclusiva-com-o-cineasta-Joao-Batista-de-Andrade

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