„Um homem sentado no meio
da calçada,
sem um dos braços
e cheio de feridas nas
pernas,
me diz mais sobre
a vida
do que qualquer mantra
a respeito de
energias espirituais
e positividade.
Eu e mais uma centena de
pessoas
passamos por ele,
e a questão fundamental
a ser tratada: é quantas
o percebem.
Ele pede ajuda, com o pouco
de voz
que lhe resta,
mas ninguém ouve,
e os que ouvem,
como eu,
fingem que não foi
nada.
Nossas próprias realidades
são mais importantes
do que a de qualquer
outro
e o mundo não é bom,
não de verdade,
não para ele.
Eu me sento em um banco
aleatório
enquanto esse frio que
vem do mar
bate em meu rosto,
e minha vida
continuará a prosseguir,
com minhas pernas,
e meus braços
que funcionam perfeitamente,
mas não ele,
ele ainda está lá,
machucado,
sujo,
largado com fome,
como se fosse
um animal.
O sistema que criamos
deu completamente
errado,
e quanto mais caminho
para vender
esses brigadeiros
pelas ruas de Ipanema,
mais certeza disso
eu tenho.
Um homem morre
aos poucos, bem diante
de nossos
olhos,
mas estamos mais preocupados
em observar os montes
de vitrines que
expõem sonhos
que a maioria de nós
nunca será capaz
de alcançar.
É estranho pensar que todos
nós vamos
para o mesmo lugar,
mas levamos
nossa existência
como se não fossemos,
e isso sem dúvida
é de longe
o nosso erro mais
tenebroso.“

Última atualização 8 de Outubro de 2019. História

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„O bonde passa cheio de pernas: / pernas brancas pretas amarelas. Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração. / Porém meus olhos / não perguntam nada“

—  Carlos Drummond de Andrade Poeta brasileiro 1902 - 1987

Poesia até agora: capa de Santa Rosa - página 9, Carlos Drummond de Andrade - J. Olympio, 1948 - 257 páginas

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„Um dos meus passatempos na vida, é sentar em um banco de uma praça qualquer aonde passam bastante pessoas, gosto de sentar e observar os seres humanos. É Sempre possível observar o ‘’ Homem bem sucedido’’ de terno e gravata transitando com seu sorriso no rosto, a senhora com a bíblia na mão com esperança e amor nos olhos, a criança inocente que de nada sabe sobre a vida cuja sua preocupação é alimentar os pombos.

Cada humano que observo percebo algo incomum, nenhum deles se preocupa com o que eu me preocupo, não consigo passar nem mesmo algumas horas sem refletir em o quão inútil nós somos perante o universo, ou como irei me portar no enterro da minha mãe – ou como meu filho irá se sentir diante da minha morte.

A Habilidade que os seres humanos possuem em trabalhar como formigas, e sorrir como palhaços me parece um tanto quanto vantajosa a ignorância permite ao homem existir – pensem bem o que seria da humanidade se todos fossemos Niilistas?

Sentado naquele banco observando os humanos que transitam sem parar, sinto-me como alguém que saiu da caverna de platão, e não consegue explicar aos outros a realidade fora dela.

O Quão cruel eu seria? Como posso eu querer tirar do homem feliz a ignorância? Como posso eu tirar do homem a caverna que o protege da realidade.

Então vivo sozinho fora da caverna observando aqueles que ainda vivem nela, lamento-me por aqueles prisioneiros que morrerão sem saber que em suas pernas haviam correntes….“

—  Gerson De Rodrigues poeta, escritor e anarquista Brasileiro 1995

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„O homem superior é impassível por natureza: pouco se lhe dá que o elogiem ou censurem, ele não ouve senão a voz da própria consciência.“

—  Napoleão Bonaparte monarca francês, militar e líder político 1769 - 1821

L'homme supérieur, dit Napoléon, est impassible de sa nature; on le loue, on le blâme, peu lui importe; c'est sa conscience qu'il écoule.
Napoleão Bonaparte como citado in: Le Spectateur militaire: Recueil de science, d'art et d'histoire militaires, página 113 https://books.google.com.br/books?id=ZFo8AAAAYAAJ&pg=PA113, Jean Maximilien Lamarque, ‎Franciois Nicolas baron Fririon - Bureau de Spectateur militaire, 1877
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