“O orgulho é a certeza emotiva da grandeza própria. A vaidade é a certeza emotiva de que os outros vêem em nós, ou nos atribuem, tal grandeza. Os dois sentimentos nem necessariamente se conjugam, nem por natureza se opõem. São diferentes porém conjugáveis.
O orgulho, quando existe só, sem acrescentamento de vaidade, manifesta-se, no seu resultado, como timidez: quem se sente grande, porém não confia em que os outros o reconheçam por tal, receia confrontar a opinião que tem de si mesmo com a opinião que os outros possam ter dele.
A vaidade, quando existe só, sem acrescentamento de orgulho, o que é possível porém raro, manifesta-se, no seu resultado, pela audácia. Quem tem a certeza de que os outros vêem nele valor nada receia deles. Pode haver coragem física sem vaidade; pode haver coragem moral sem vaidade; não pode haver audácia sem vaidade. E por audácia se entende a confiança na iniciativa. A audácia pode ser desacompanhada de coragem, física ou moral, pois estas disposições da índole são de ordem diferente, e com ela incomensuráveis.”
Livro do desassossego
Citações relacionadas
Jane Austen livro Orgulho e Preconceito
Vanity and pride are different things, though the words are often used synonymously. A person may be proud without being vain. Pride relates more to our opinion of ourselves, vanity to what we would have others think of us
Pride and Prejudice, Chapter 5
Variante: A vaidade e o orgulho são coisas diferentes, embora as palavras sejam frequentemente usadas como sinónimos. Uma pessoa pode ser orgulhosa sem ser vaidosa. O orgulho relaciona-se mais com a opinião que temos de nós mesmos, e a vaidade, com o que desejaríamos que os outros pensassem de nós.
“Agradar a si mesmo é orgulho; aos demais, vaidade.”
Paul Valéry (1871–1945)
Plaire à soi est orgueil; aux autres, vanité.
Mélange - página 185, Paul Valéry - Gallimard, 1941 - 244 páginas
“A vaidade é o feminino do orgulho.”
Variante: A vaidade é o feminismo do orgulho.
“Orgulho não é grandeza, mas inchaço. E o que está inchado parece grande, mas não é sadio.”
Aurélio Agostinho (354–430) bispo, teólogo e filósofo cristão
Atribuídas
“O orgulho mantém-se sempre e não perde nada de si mesmo quando renuncia à vaidade.”
François de La Rochefoucauld (1613–1680) Escritor, moralista e memorialista francês