“Os políticos-influencers são especialistas em duas coisas: gerar despesa e conteúdo para a política do espetáculo.
Vivemos um tempo em que a visibilidade passou a ser confundida com relevância.
Em vez de prestar contas sobre resultados, muitos agentes públicos passaram a caçar likes, comentários, compartilhamentos e engajamento.
A política, que deveria ser o espaço do planejamento, da negociação e da construção de soluções coletivas, transforma-se, frequentemente, em um palco onde a performance vale mais do que a entrega.
Não há problema em um representante usar as redes sociais para informar, dialogar e prestar contas.
Pelo contrário: transparência e comunicação são partes importantes da democracia.
O problema surge quando a comunicação deixa de ser instrumento e se torna finalidade.
Quando a câmera passa a determinar a agenda, o gesto simbólico substitui a ação concreta e o algoritmo passa a valer mais do que o interesse público.
Nesse cenário, a lógica do espetáculo produz uma inversão muito perigosa.
O anúncio importa mais que a obra.
A polêmica rende mais do que a proposta.
Vídeos viralizam, enquanto os problemas permanecem.
O mandato deixa de ser medido por políticas públicas eficientes e passa a ser avaliado pelo alcance das publicações.
O custo dessa transformação não se limita ao orçamento destinado à comunicação ou à produção de conteúdo.
O maior prejuízo é institucional.
A confiança nas instituições se desgasta quando a população percebe que há excesso de marketing e escassez de resultados.
A política perde profundidade, o debate público empobrece e temas complexos passam a ser tratados como produtos de consumo rápido.
Democracias sólidas precisam de representantes que comuniquem bem, mas, acima de tudo, que governem bem.
A boa comunicação deve ser consequência de um trabalho consistente, e não um substituto para ele.
Afinal, a função de um mandato não é colecionar visualizações, mas produzir transformações que resistam ao tempo — mesmo quando as câmeras já foram desligadas.”
Tópicos
ser, trabalho, torno, profundidade, público, política, obra, alcance, transparência, câmera, sobra, problema, debate, limite, engajamento, polêmica, consequência, ação, sólido, agenda, despesa, tema, instituição, cenário, visibilidade, solução, conteúdo, usar, desgaste, conta, agente, finalidade, espetáculo, custo, complexo, comunicação, vale, medida, afinal, relevância, publicação, importante, excesso, perda, produção, negociação, coletiva, produto, democracia, população, bem, resultado, palco, performance, entrega, passo, enquanto, função, especialista, conto, planejamento, espaço, instrumento, renda, tratado, escassez, parte, concreto, interesse, comentário, consumo, construção, substituto, transformação, inversão, video, prejuízo, gesto, proposta, orçamento, lógico, rede, mandato, representante, marketing, maior, contrário, anúncio, boa, onde, vez, coisa, tempo, confiançaCitações relacionadas
Aziz Ab'Sáber (1924–2012)
Ciência Hoje, julho de 1992, pág. 54.. <br class="br">Fonte: "AB'SABER, Aziz. Aziz Nacib Ab'Saber: O xeque da geografia.", Ciência Hoje, vol. 14, nº 82. Julho de 1992. (Entrevista concedida a Carmen Weingrill e Vera Rita Costa). Disponível em: < http://cienciahoje.uol.com.br/blogues/bussola/arquivos/o-xeque-da-geografia.pdf>. Acesso em 2 de junho de 2014.
“Os políticos são como fraldas: eles devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”
Mark Twain (1835–1910) escritor, humorista e inventor norte-americano
“Ser político é politicamente correto?”
Alex Periscinoto (1925)
pessoal http://bloglog.globo.com/alexperiscinoto/blogue
“Não há soluções políticas para problemas econômicos.”
Joelmir Beting (1936–2012) Jornalista e sociólogo brasileiro
Max Weber (1864–1920) Jurista e sociólogo alemão
"Ciência e Política: Duas Vocações" - Página 64, Max Weber - Editora Cultrix, 2004, ISBN 8531600472, 9788531600470 - 128 páginas
“Os políticos e a as fraldas são semelhantes, possuem o mesmo conteúdo”
Eça de Queiroz (1845–1900) Escritor e diplomata português