Esta frase aguardando revisão.
“Todo bom Político-influencer já sabe que a moeda de troca mais forte na Economia da Atenção é o ruído, só faltam os apaixonados pela Política do Espetáculo assimilarem isso.
O ruído não precisa ser verdadeiro, nem consistente — basta ser alto, constante e emocionalmente carregado.
Ele ocupa espaço, desloca debates mais complexos e cria a sensação de urgência permanente.
Nesse ambiente, a reflexão perde terreno para a reação, e o pensamento crítico cede lugar ao impulso.
O que se consome não são exatamente informações, mas estímulos.
Há uma lógica quase industrial por trás disso: quanto mais simples a mensagem, maior sua capacidade de circulação; quanto mais polarizadora, maior seu alcance; quanto mais indignação provoca, mais engajamento gera.
O resultado é um ciclo perverso que se retroalimenta — o público reage, o algoritmo amplifica, o emissor intensifica…
E assim, pouco a pouco, o conteúdo vai sendo moldado não pelo que é relevante, mas pelo que reverbera.
O problema não está apenas em quem produz esse ruído, mas também em quem o consome.
Existe um conforto deveras estranho nas certezas rápidas e inquestionáveis, nas respostas prontas e bem empacotadas, nas narrativas que dispensam nuances.
A complexidade exige muito esforço; o ruído, nenhum.
Ele oferece pertencimento imediato, ainda que superficial, e transforma a discordância em espetáculo.
Nesse cenário, a política deixa de ser um espaço de construção coletiva e passa a operar como palco.
Personagens substituem propostas, frases de efeito ocupam o lugar de argumentos, e a performance se torna mais importante que o conteúdo.
A atenção, disputada a cada segundo, já não premia a consistência, mas a capacidade de capturar olhares — ainda que por meio da distorção e encenação.
Talvez o desafio maior esteja em reaprender a escutar o silêncio entre os ruídos.
Em desacelerar o consumo, questionar a forma antes de aceitar o conteúdo — e resistir à tentação de reagir imediatamente a tudo.
Porque, no fim, o ruído só se sustenta enquanto encontra eco dos asseclas ou rivais igualmente apaixonados.”
Última atualização 2 de Maio de 2026.
História
Tópicos
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Esta frase aguardando revisão.
“Bem tentais não vos ocupar de política, mas a política ocupa-se de vós.”
Charles Forbes René de Montalembert
(1810–1870) político francês
Diogo Mainardi
(1962)
no artigo "O meu panelaço"; Revista Veja http://veja.abril.com.br/100304/mainardi.html; Edição 1844 . 10 de março de 2004