“Talvez, se tivéssemos nos interessado pela política antes da sua influencerização, não teríamos alugado nossas cabeças.
Porque, no fundo, o que se vê hoje não é exatamente o engajamento genuíno — é terceirização de consciência.
A política, que deveria ser um exercício coletivo de responsabilidade, virou um palco de performance onde argumentos disputam espaço com slogans e convicções são moldadas por algoritmos.
Em vez de cidadãos conscientes, formam-se plateias.
Em vez de reflexão — pura e apaixonada repetição.
As redes sociais nos deram voz, mas também nos ofereceram um atalho muito perigoso: o conforto de pensar através de outros.
Seguimos, curtimos e compartilhamos não necessariamente o que entendemos, mas o que nos representa superficialmente.
E, nesse processo, passamos a defender narrativas como quem defende times — com muita paixão, mas sem nenhuma revisão.
Talvez o problema não seja termos opiniões, mas a forma como as adquirimos.
Quando a política se transforma em conteúdo, ela precisa entreter para sobreviver.
E o que entretém raramente é o que aprofunda.
Assim, nuances se perdem, complexidades são simplificadas e qualquer tentativa de diálogo vira confronto.
Mas há uma possibilidade ignorada nesse cenário: utilizar as mesmas redes não para amplificar vozes alheias, mas para construir as nossas.
Defender agendas próprias, baseadas em experiências reais, em escuta ativa, em dúvidas legítimas.
Não agendas prontas, embaladas e distribuídas como produtos…
Recuperar o interesse pela política talvez não signifique consumir mais dela, mas se responsabilizar por ela.
Questionar antes de compartilhar.
Entender antes de reagir.
Discordar sem demonizar e desumanizar.
E, principalmente, reconhecer que pensar dá trabalho — e que terceirizar esse trabalho tem um custo alto demais.
No fim, alugar a cabeça é sempre mais fácil.
Difícil é habitá-la.”
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“Posso conciliar a literatura com a política, porque hoje a política tem muito de ficção.”
Politics are almost as exciting as war, and quite as dangerous. In war you can only be killed once, but in politics many times.
The Churchill wit - página 5, Sir Winston Churchill, Bill Adler, Editora Coward-McCann, 1965, 85 páginas
“No Brasil de hoje, os cidadãos têm medo do futuro. Os políticos têm medo do passado.”
“Há uma responsabilidade em ser uma pessoa. É mais do que apenas ocupar espaço onde o ar estaria.”
“Em política, o único verdadeiro, é o que não se vê.”
En la política, lo real es lo que no se ve.
Escenas Latinoamericanas - página 130 https://books.google.com.br/books?id=UMSICgAAQBAJ&pg=PA130, Pensamiento Series, Jose Marti y Perez, Linkgua digital, 2010, ISBN 8499536565, 9788499536569, 384 páginas
“Nós somos contrários à burguesia política, e somos a favor do genuíno nacionalismo!”
Fonte: Die verfluchten Hakenkreuzler. Etwas zum Nachdenken. Munich: Verlag Frz. Eher, 1932.