Frases sobre lenço

Uma coleção de frases e citações sobre o tema da lenço, coisa, vida, homens.

Frases sobre lenço

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“Saudade! um lenço branco me acenando…/ Uma vontade de chorar sorrindo,/ Uma vontade de sorrir chorando.”

J. G. de Araújo Jorge (1914–1987)

Antología da nova poesia brasileira‎ - Página 78, de José Guilherme de Araújo Jorge - Publicado por Vecchi, 1948 - 430 páginas

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“Mas don Rigoberto sabia que não havia outro remédio, tinha que se resignar e esperar. Provavelmente as únicas brigas do casal ao longo de todos os anos que estavam juntos foram causadas pelos atrasos de Lucrecia sempre que iam sair, para onde fosse, um cinema, um jantar, uma exposição, fazer compras, uma operação bancária, uma viagem. No começo, quando começaram a morar juntos, recém-casados, ele pensava que sua mulher demorava por mera inapetência e desprezo pela pontualidade. Tiveram discussões, desavenças, brigas por causa disso. Pouco a pouco, do Rigoberto, observando-a, refletindo, entendeu que esses atrasos da esposa na hora de sair para qualquer compromisso não eram uma coisa superficial, um desleixo de mulher orgulhosa. Obedeciam a algo mais profundo, um estado ontológico da alma, porque, sem que ela tivesse consciência do que lhe ocorria, toda vez que precisava sair de algum lugar, da sua própria casa, a de uma amiga que estava visitando, o restaurante onde acabara de jantar, era dominada por uma inquietação recôndita, uma insegurança, um medo obscuro, primitivo, de ter que ir embora, sair dali, mudar de lugar, e então inventava todo tipo de pretextos - pegar um lenço, trocar a bolsa, procurar as chaves, verificar se as janelas estavam bem fechadas, a televisão desligada, se o fogão não estava acesso ou o telefone fora do gancho -, qualquer coisa que atrasasse por alguns minutos ou segundos a pavorosa ação de partir.
Ela sempre foi assim? Quando era pequena também? Não se atreveu a perguntar. Mas já havia constatado que, com o passar dos anos, esse prurido, mania ou fatalidade se acentuava, a tal ponto que Rigoberto às vezes pensava, com um calafrio, que talvez chegasse o dia que Lucrecia, com a mesma benignidade do personagem de Melville, ia contrair a letargia ou indolência metafísica de Bartleby e decidir não mais sair da sua casa, quem sabe do seu quarto e até da sua cama. "Medo de abandonar o ser, de perder o ser, de ficar sem seu ser", pensou mais uma vez. Era o diagnóstico que havia chegado em relação aos atrasos da esposa.”

Mario Vargas Llosa livro El héroe discreto

El héroe discreto

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“Para Garrincha, a superfície de um lenço era um latifundio.”

Armando Nogueira (1927–2010)

Bola na rede‎ - Página 62, Armando Nogueira - J. Olympio, 1973 - 191 páginas

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“A princípio o taumaturgo descreveu as delícias do céu, os querubins tocando harpa e uma nuvem de incenso vagando no azul, entre anjos e santos. A multidão ouvia em silêncio, maravilhada e boquiaberta. Então, de repente, o frade mudou. Sacudiu os braços e soltou a maldição terrível: - Homens sem Deus, mergulhados na lama do pecado. Amancebados! Mentirosos! Adúlteros! Arrependei-vos de vossos pecados! - E passou a descrever as torturas do inferno. Labaredas subiam, tochas ardendo, um relógio marcando: Sempre! Sempre! Nunca! Nunca! Que são as horas da Eternidade. E no meio da fornalha, o suplício do fumaceiro de enxofre sufocando tudo. Aí a multidão se abateu, lábias ciciavam. "Eu pecador, me confesso a Deus", almas tremendo de pavor, como corpos sacudidos de maleita. Junto de mim um matuto de Quitimbu tinha os olhos esgazeados. Cheguei mesmo a ver o suor lhe empastando a fronte morena. Uma velha traçou o xale com força, cobrindo a cabeça tôda, temendo a baforada do satanás. E ao meu lado um soldado desatou o lenço que trazia ao pescoço, como se a coisa lhe abafasse a respiração. E, voltando-se para um companheiro, avisou que ia tomar uma "bicada" pois o cheiro de enxofre estava lhe sufocando a garganta. Depois, Frei Damião baixou os braços, serenou a voz. Nunca, na minha vida, vi silêncio maior. A praça parada, o povo de lábios chumbados, os ohos fitos no frade (…) então o frade rezou. E a multidão respondeu, contrita e imóvel, como se, ao invés de milhares de vozes ali estivesse apenas uma só pessoa, postada diante do pregador famoso, na hora do juízo final, prestando contas ao Altíssimo.”

Luiz Cristóvão dos Santos (1916–1997)

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“Comprei este lenço para ela ... e nem sabia o tamanho dela.”

Woody Allen (1935) cineasta, roteirista, escritor, ator e músico norte-americano

Esta frase aguardando revisão.

“⁠⁠Meu Pai só permitiu a Tristeza me abraçar até a minha alma aprender a chorar, porque Ele já havia tecido os Lenços de Misericórdia.

Há dores que não chegam para nos destruir, mas para nos ensinar a linguagem que antes não sabíamos falar.

A Tristeza, quando autorizada pelo Pai, não vem como castigo, vem como professora silenciosa.

Ela nos abraça não para nos aprisionar, mas para que a alma — ainda rígida, ainda orgulhosa de resistir — aprenda a chorar.

Embora haja choros de remorsos e infortúnios, chorar é um verbo sagrado.

Ainda que muitos que se acham infalivelmente fortes considerem fraqueza.

Mas admitir isso seria também admitir que o Filho do Homem fraquejou.

É quando o coração finalmente admite que não é de ferro, que precisa ser cuidado, que não foi criado para atravessar desertos sozinho, longe do Pai.

E Ele sabe disso.

Por isso, Ele não impede o abraço da Tristeza de imediato.

Ele permite o tempo exato: nem um minuto além do necessário, nem um segundo aquém do aprendizado.

Enquanto a alma aprende a chorar, o céu trabalha em silêncio.

Cada lágrima encontra um destino, cada soluço é ouvido, cada queda é contada.

Antes mesmo que o pranto escorra pelo rosto, Lenços de Misericórdia já estavam sendo tecidos — fio por fio, com paciência eterna, do tamanho exato da dor.

Esses lenços não apagam a história, mas secam o excesso de peso.

Não negam a ferida, mas impedem que ela infeccione.

São gestos suaves de um Pai que nunca esteve ausente, apenas respeitou o processo.

Quando a Tristeza se retira, não leva consigo a fé; deixa uma alma mais humana no lugar, mais inteira, mais capaz de consolar.

Porque quem foi enxugado pela Misericórdia aprende, um dia, até a ser lenço nas mãos de Deus.”

Alessandro Teodoro