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“Dificilmente o Crime Desorganizado (leia-se, estado) subsistiria se os membros do Crime Organizado não se digladiassem.

A provocação parece muito dura, mas nos convida a uma reflexão sobre uma dinâmica recorrente da política e da sociedade: estruturas de poder frequentemente se fortalecem quando aqueles que poderiam questioná-las estão ocupados lutando entre si.

Enquanto facções disputam territórios, influência e recursos, o Estado amplia seu poder de intervenção, justifica novas medidas de controle, aumenta seu aparato repressivo e reafirma seu papel como mediador indispensável do conflito.

A violência passa a ser o argumento para mais vigilância; o medo, a justificativa para menos questionamento.

Isso não significa romantizar ou legitimar o crime organizado.

Muito pelo contrário.

Significa reconhecer que conflitos permanentes entre grupos criminosos costumam produzir um ambiente no qual a população é a principal vítima, e no qual o Estado, mesmo quando falha em garantir direitos básicos, encontra razões para expandir sua autoridade sem necessariamente resolver as causas profundas da violência.

Há uma ironia nisso: os que disputam poder pelas armas acabam, muitas vezes, reforçando a narrativa e a necessidade de um poder central crescente.

No fim, ambos se retroalimentam da instabilidade, enquanto o cidadão paga a conta em forma de insegurança, perda de liberdade, serviços precários e oportunidades desperdiçadas.

Talvez a questão mais incômoda não seja quem vence essa disputa, mas por que a sociedade continua aceitando um ciclo no qual o conflito se torna um instrumento de manutenção do poder, e não um problema a ser efetivamente solucionado.

Afinal, quando a guerra se torna permanente, sempre há alguém lucrando com ela — e raramente é quem apenas deseja viver em paz.”

Última atualização 1 de Julho de 2026. História

Citações relacionadas

Herbert George Wells photo

“Crime e vidas ruins são a medida da falha do Estado, todo crime no final é o crime da comunidade.”

Herbert George Wells livro A Modern Utopia

Crime and bad lives are the measure of a State&#x27;s failure, all crime in the end is the crime of the community. <br class="br">A Modern Utopia - Página 86 http://books.google.com.br/books?id=w_HY2By17g4C&amp;pg=PA86, Herbert George Wells - Forgotten Books, 1936, ISBN 1606201840, 9781606201848 - 392 páginas <br class="br">Modern Utopia

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“O poder é a escola do crime.”

William Shakespeare (1564–1616) dramaturgo e poeta inglês

Macbeth

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“Um mapa não é o território que representa. Mas, se correto, tem uma estrutura semelhante à do território, o que justifica sua utilização…”

Alfred Korzybski (1879–1950)

Alfred Korzybski, Science & Sanity, 4th Ed., 1958, pp. 58-60. como cit. p/ Bandler & Grinder em A Estrutura da Magia, Vol. 1, pp. 27-28; tradução de Raul Bezerra Pedreira Filho, Ed. LTC Editora, 1977 - 270 páginas.
Analogia na qual nossas interpretações/representações da realidade seriam mapas, enquanto a realidade em si, o território.

“As razões de poder transformam crimes em heroísmo.”

Rubem Alves (1933–2014) psicanalista, educador, teólogo e escritor brasileiro

“A sociedade civil organizada é uma mediação burocrática entre sociedade civil e estado”

Nildo Viana (1965)

Fonte: Estado, Democracia e Cidadania (Rio de Janeiro: Achiamé, 2003)

“No capitalismo de Estado, o domínio do Estado sobre a economia é acompanhado pela ampliação contínua dos lucros e do poder pelas organizações privadas.”

Seymour Melman (1917–2004)

Depois do Capitalismo (After Capitalism)
Fonte: Página 53, Seymour Melman, traduzido por Bazán Tecnologia e Linguística. Revisado por Mônica Di Giacomo. Editora Futura. ISBN: 85-7413-128-8.

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