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“Somos quase todos Juízes Seletivos: só condenamos pecados que diferem dos nossos.

Talvez haja algo de profundamente humano — e perigosamente confortável — em apontar o dedo para aquilo que não nos espelha. 

Condenamos com muita firmeza o erro alheio, desde que ele não dialogue com as nossas próprias falhas. 

É uma justiça que não nasce do compromisso com o certo, mas da necessidade de preservar a própria imagem.

Quando o erro do outro é distante do nosso, ele nos parece mais grave, mais imperdoável, mais digno de punição. 

Mas quando nos reconhecemos na falha — ou na pessoa detrás dela —, ainda que parcialmente, nossa régua muda: relativizamos, contextualizamos, buscamos compreender. 

Não há Passação de Pano gratuita: ela nasce da identificação, do pertencimento.

A mesma ação pode ser vista como crime ou deslize, dependendo de quem a comete — ou de quem julga.

Essa seletividade não é apenas hipocrisia; é também um mecanismo de defesa. 

Admitir que o erro do outro se parece com o nosso exige muita coragem. 

Exige desmontar a ilusão de superioridade moral que sustenta muitos dos nossos julgamentos. 

É mais fácil condenar do que refletir, mais simples punir do que reconhecer.

O problema é que essa lógica distorce totalmente a nossa percepção de justiça. 

Passamos a viver em um tribunal invisível, onde cada um absolve a si mesmo enquanto endurece a sentença do outro. 

E, nesse processo, a empatia se enfraquece, o diálogo se rompe e a compreensão dá lugar ao rótulo.

Talvez o verdadeiro exercício moral não esteja em julgar menos, mas em julgar melhor — com a consciência de que somos, todos, imperfeitos. 

Reconhecer isso não nos torna coniventes com o erro, mas nos torna mais honestos diante dele. 

Afinal, a justiça que ignora a própria fragilidade corre o risco de se tornar apenas vaidade disfarçada de virtude.”

Última atualização 6 de Abril de 2026. História

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“Eu não ligo para nada do que os outros exaltam ou condenam. Eu simplesmente sigo meus próprios sentimentos.”

Wolfgang Amadeus Mozart (1756–1791) compositor austríaco

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“Há quem pense que bons governos devem ter maiorias próprias; outros se satisfazem com maiorias conquistadas por coalizão entre partidos diferentes, e quase todos, por fim, condenam as maiorias formadas pela chamada cooptação.”

Moreira Franco (1944) político brasileiro

Ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Moreira Franco, em artigo A realidade de governar
Folha de S. Paulo http://www1.folha.uol.com.br/opiniao/2017/09/1917909-a-realidade-de-governar.shtml, 13/09/17

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