“De fato, o homem mais prejudicial pode ser o homem mais útil à conservação da espécie; com efeito, ele sustenta em si ou, por sua influência, nos outros, instintos sem os quais a humanidade estaria há muito entorpecida ou corrompida. O ódio, o prazer de ver o outro sofrer, a sede de rapina e de dominação e de tudo aquilo a que se dá o nome de mal: tudo isso faz parte da espantosa economia da conservação das espécies, uma economia dispendiosa certamente, pródiga e no fundo totalmente insensata: - mas que, como está provado, manteve nossa espécie até agora.”Friedrich Nietzsche (1844–1900) filósofo alemão do século XIXThe Gay ScienceDe homens, De ódio, De prazer
“Vede, pois, esse supérfluos! Roubam as obras dos inventores e os tesouros dos sábios. Cultura, eis o nome que dão a essa rapina e para eles tudo se transforma em doença e incômodo.”Friedrich Nietzsche (1844–1900) filósofo alemão do século XIXAssim falou ZaratustraDe doenças
“O homem mata o homem, quando odeia, quer o ódio seja inspirado pela rapina ou pela vingança; os povos matam e roubam colectivamente, chamando conquista ao roubo e guerra ao assassinato em grande escala.”Paolo Mantegazza (1831–1910) De homens, De ódio, De guerra, Vingança
“Do aniquilamento do vencido emerge a lei que se impõe ao derrotado. A lei humana é sempre a lei do mais forte, com a qual se tem de conformar o mais fraco. Considerada como algo de permanentemente válido entre as tribos, essa lei constitui a "paz". Paz semelhante existe também dentro da tribo, com o fim de manter suas forças disponíveis para a acção externa. O Estado é a ordem interna de um povo para os fins externos. O Estado é, como forma, como possibilidade, o que a história de um povo é como realidade. Mas a história, tanto a antiga como a de agora, é a história da guerra. A política é apenas um substituto temporário da guerra que usa mais as armas do intelecto. E a parte masculina de uma comunidade é originariamente um sinónimo de hoste. O carácter do animal de rapina livre se trasladou, com seu traços essenciais, do indivíduo para o povo organizado, que é o animal que tem uma alma e muitas mãos. A técnica do governo, da guerra e da diplomacia têm todas essa mesma raiz e em todos os tempos revelaram uma profunda afinidade.”Oswald Spengler (1880–1936) Animais, História, De guerra, De livros
“A Cultura, conjunto das formas artificiais, pessoais e próprias da vida, desenvolve-se até se transformar numa jaula de barras estreitas para a alma indomável. (…) A desejada fuga da absorção pelo grande número assume várias formas - o domínio desse grande número, a fuga dele ou o desprezo. A ideia de personalidade, em seu sombrio despontar, é um protesto contra o homem da massa. E a tensão entre ambos cresce cada vez mais até um trágico final.O ódio, o mais legítimo de todos os sentimentos raciais do animal de rapina, pressupõe o respeito pelo adversário. Há nele um reconhecimento de igualdade em categoria espiritual. Mas o animal de rapina despreza os seres que estão por baixo. E os seres que estão por baixo são invejosos. Todos os contos, todos os mitos divinos, todas as legendas heróicas estão cheios desses motivos. A águia odeia apenas os seus iguais, não inveja ninguém, despreza a muitos, ou melhor, a todos.O desprezo olha das alturas para baixo. A inveja espreita de baixo para cima. Esses são os dois sentimentos universais históricos da humanidade organizada em Estado e classes. Seus exemplares pacíficos sacodem, impotentes, as grades da jaula em que estão presos todos juntos. Desse fato e de suas consequências nada os pode livrar. Assim foi e assim há de ser, ou então nada no mundo poderá ser. Esse fato do respeito e do desprezo tem um sentido. Alterá-lo é impossível. O destino do homem está seguindo o seu curso e tem de ser cumprido.”Oswald Spengler (1880–1936) Sentido, Animais, Personalidade, De vida
“Se um Deus bondoso e infinitamente poderoso governa este mundo, como podemos justificar os ciclones, os terremotos, a pestilência e a fome? Como podemos justificar o câncer, os micróbios, a difteria e milhares de outras doenças que atacam durante a infância? Como podemos justificar as bestas selvagens que devoram seres humanos e as serpentes cujas mordidas são letais? Como podemos justificar um mundo onde a vida alimenta-se da vida? Será que os bicos, garras, dentes e presas foram inventados e produzidos pela infinita misericórdia? A bondade infinita deu asas às águias para que suas presas fugazes pudessem ser arrebatadas? A bondade infinita criou os animais de rapina com a intenção de que eles devorassem os fracos e os desamparados? A bondade infinita criou as inumeráveis criaturas inúteis que se reproduzem dentro de outros seres e se alimentam de sua carne? A sabedoria infinita produziu intencionalmente os seres microscópicos que se alimentam do nervo óptico? Pense na idéia de cegar um homem para satisfazer o apetite de um micróbio! Pense na vida alimentando-se da própria vida! Pense nas vítimas! Pense no Niagara de sangue derramando-se no precipício da crueldade!”Robert Green Ingersoll (1833–1899) Porque sou agnósticoDe doenças, De mundo, De dor, Da sabedoria
“O homem que não tem a música dentro de si e que não se emociona com um concerto de doces acordes é capaz de traições, de conjuras e de rapinas.”William Shakespeare (1564–1616) dramaturgo e poeta inglêsDe música, De homens, Traição