Frases sobre grupo
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“Se a economia liberal é a economia dos indivíduos em estado de liberdade mais ou menos absoluta, a economia corporativa fascista é a economia dos indivíduos e também dos grupos associados e do Estado.”

Benito Mussolini (1883–1945) político italiano

Em discurso http://www.ebooksbrasil.org/eLibris/corporativo.html#bm2 de 12 de janeiro de 1934.

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“DOCUMENTÁRIO
GUERRA INVISÍVEL – COVID-19
Produtora paulista Strada Filmes e Entretenimento inicia produção de um documentário através de depoimentos via vídeo

Durante o período da pandemia global oriunda do novo coronavírus, produtores brasileiros de diferentes regiões do país trabalham na produção de documentário a respeito da doença e as consequências socioeconômicas que esta época trará ao mundo daqui pra frente.
O objetivo do projeto é abordar do epicentro à transmissão global do vírus, e de como todo o planeta teve que se adequar frente à crise causada pela COVID-19. Desde os heróis da saúde até os trabalhadores autônomos; das principais medidas de quarentena às dificuldades do isolamento social; das notícias reais às fakenews espalhadas em redes sociais; em suma, um levantamento geral será posto em prática durante a própria pandemia, trazendo à equipe o desafio de apurar e selecionar as informações mais relevantes, com o intuito de produzir um documentário com o máximo de informação possível para registrar essa fase.
Para Anderson Del Duque, Diretor Geral do projeto, produzir um documentário sobre um tema tão delicado e atual será um grande desafio. Não só pela abrangência que o tema exige, mas em respeito e solidariedade a todos que enfrentam esse período das mais diversas formas possíveis.
Para completar o trabalho, o documentário apresentará depoimentos de pessoas que estão vivendo diante do isolamento social. Mais do que ilustrar toda a informação que será abordada, os depoimentos são uma forma de dar voz aos reais envolvidos na história: nós. De diversas partes do país, e do mundo, as participações são fundamentais para que o projeto cumpra o dever social de informar e aproximar os espectadores dos depoimentos recolhidos, tanto que este trabalho é continuo, e a produtora ainda reúne vídeos de quem se propõem a participar dessa grande produção.
O Diretor de Jornalismo, Renan Rezende, ressalta que o tratamento humanista deve ser e sempre será o norte para a produção do filme. “Não se trata de uma abordagem fria e distante da sociedade, mas algo que coloque as pessoas e tudo o que elas viveram e presenciaram durante este difícil período em primeiro lugar. E, para tal, apresentaremos esses relatos de vida da forma mais verídica e delicada possível”.
A concepção e início de produção tiveram início há cerca de um mês, e o documentário não tem data de lançamento definida. Entretanto, a Strada Filmes e Entretenimento continuará a divulgar maiores informações no decorrer do projeto.

Texto por Renan Rezende
SINOPSE
Segunda-feira, 20 de janeiro de 2020. Portais de grandes veículos de comunicação como o “G1”, “O Estado de São Paulo” e “BBC News” relatam os casos iniciais de um vírus misterioso que teria surgido na virada do ano em Wuhan, China, e que começara a se espalhar em países vizinhos, cuja transmissão entre humanos já havia sido confirmada. O governo Chinês estava confiante na contenção da nova ameaça, mas medidas de precaução já estavam sendo tomadas em aeroportos na Ásia e nos Estados Unidos. Entre especialistas e pesquisadores, a situação era inquietante, pois um novo vírus em contato com células humanas poderia causar mutações cujo sistema imunológico não estava familiarizado em conter.
Em menos de três meses, o novo coronavírus (Sars-Cov-2) tornou-se uma pandemia sem precedentes. O vírus atingiu quase dois milhões de pessoas em todo mundo, com aproximadamente 125 mil mortes*, e o número não para de crescer. Frente a uma situação emergencial, informações, verdadeiras ou não, circulam diariamente na rede e em mídias sociais. Medicações são apontadas como aliadas ou inimigas ao combate da doença. Profissionais da saúde tornam-se verdadeiros heróis, assim como os trabalhadores de serviços essenciais, mas grande parte da população se encontra literalmente isolada do mundo.
Como a principal medida de prevenção à doença COVID-19, o isolamento social transforma a vida das pessoas, além de revelar uma crise econômica em escala global, semelhante somente ao grande “crash” de 1929. O trabalho se reinventa, o ensino não tem alternativa a não ser a distância. Setores, como a Cultura, são amplamente prejudicados, e trabalhadores autônomos não têm alternativas. Alguns governos ao redor do planeta se veem obrigados a tomarem medidas de supressão para obrigar pessoas a manterem-se em suas casas.
Avanços tecnológicos e medicinais parecem não conter a contaminação acelerada da doença, isso somado ao número limitado de leitos e hospitais disponíveis, obrigando o mundo a pensar em alternativas emergenciais para atender toda a população. Mas nem todos têm os mesmos privilégios ou até acesso aos serviços de saúde, nem mesmo os mais básicos.
Em contrapartida, no anseio a uma fagulha de esperança, a humanidade se une. Correntes em mídias sociais visam à aproximação das pessoas por meio de ações que possam entreter ou divertir. Redes de solidariedade ajudam comunidades carentes e aqueles que mais necessitam. O contato nunca se fez tão necessário, e o ser humano passa a dar valor a algo que antes era corriqueiro e, portanto, esquecível. A cultura do “selfie”, o individualismo que tanto é compartilhado nas redes sociais, dá espaço à valorização do plural.
Como na teoria darwinista, o ser humano se vê obrigado a evoluir. Quais as consequências de uma pandemia em um mundo globalizado, só o tempo dirá.
*informações captadas até 14/04/2020
Texto por Renan Rezende
Ficha Técnica:
Direção Geral e autoria - Anderson Del Duque
Diretor, produtor e roteirista, Anderson é morador da cidade de Sumaré, na região metropolitana de Campinas, e trabalhou em 16 produções cinematográficas ao longo da carreira em diversas funções, sendo vencedor de três prêmios em festivais. Anderson também é colunista e crítico de cinema, com textos publicados na revista Adoro Cinema. Além de ter participado como júri e banca em diversos eventos relacionados ao cinema e ao audiovisual.
Diretor de Jornalismo – Renan Rezende
Renan iniciou a carreira nas extintas Rádio Estadão ESPN e Rádio Estadão, do Grupo O Estado de São Paulo, como produtor e redator. Em seguida atuou como roteirista e produtor numa produtora audiovisual e tem experiência em agência de análise de mídia. Além disso, trabalhou como repórter e redator freelancer para o MEON, veículo que cobre o Vale do Paraíba e Litoral Norte de São Paulo. Renan também é ator profissional.
Diretora de Produção – Patricia Iglésias
Patricia tem vasta experiência na produção executiva de novelas, programas de TV e eventos. Com carreira consolidada na TV Globo, destacam-se produções como, Os Maias, Queridos Amigos, Vídeo Show, Criança Esperança, e as novelas Sol Nascente e Malhação. Para a Rede Record, participou de títulos como Apocalipse, Jesus e Jezabel. Além disso, também é especialista em gestão de planejamento, orçamento e gerenciamento e possui domínio de roteirizarão.
Colaborador de matérias jornalísticas - Jean Custo
Produção Executiva -
Renata Di Carmo

Assistente de Produção – Henrique Zeferino

Arte finalista – Adrian Silva Adrian Silva ten em seu currículo trabalhos como;
Editor, diretor de fotografia, operador de câmera, fotógrafo de making-of e assistente de Produção.

Produção de Elenco – Penha Penaforte
Pesquisa de matérias jornalísticas – Lorena Valentini”

Anderson Del Duque

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“O mais trágico da Polarização não foi revelar a face medonha dos Cheios de Certezas, mas Espalhá-los tão estrategicamente para tropeçarmos neles aonde quer que formos.

Eles estão por quase todos os lugares…

Nas reuniões e confraternizações familiares e profissionais, nas praças e esquinas, nas mesas de jantar, nos grupos de mensagens, nas filas de espera e até nos comentários mais triviais.

Não chegam mais como exceção ruidosa, mas como regra silenciosa — aquela presença que não escuta, apenas aguarda sua vez de afirmar.

E afirmar, para eles, não é um gesto de construção, mas de encerramento: como se cada frase pudesse ser um ponto final definitivo num mundo que, por natureza, só sabe falar em reticências — e que não pode ignorar ser habitado por mais de oito bilhões de pessoas.

O problema nunca foi a divergência.

É ela que precede e oportuniza qualquer debate.

O atrito, quando honesto, ilumina.

O choque de ideias pode literalmente expandir horizontes, revelar nuances, produzir algo novo.

Mas os Cheios de Certezas e Verdades não se interessam por horizontes — eles carregam e preferem paredes e trincheiras.

Onde poderiam existir pontes, erguem-se fronteiras invisíveis, delimitando territórios onde só ecoa aquilo que já pensam ou acreditam pensar.

E talvez o mais inquietante seja que essa distribuição não parece aleatória.

É como se cada espaço humano tivesse sido cuidadosamente ocupado por uma certeza inflexível, garantindo que o desconforto nunca nos abandone.

Não há mais refúgio no diálogo leve, na dúvida compartilhada, no “talvez” dito sem medo e sem culpa.

A dúvida, aliás, virou fraqueza.

Pensar em voz alta tornou-se quase um risco.

Nesse cenário, o cansaço se instala.

Não o cansaço físico, mas o cansaço de existir entre verdades fabricadas.

Um desgaste que vem da necessidade constante de filtrar palavras, de medir silêncios, de escolher batalhas que muito raramente valem o preço.

Porque discutir com quem não admite a menor possibilidade de estar errado não é debate — é desgaste com roteiro previsível.

Ainda assim, há uma escolha muito honesta e silenciosa que resiste: a de não se tornar só mais um Cheio de Certezas.

A de preservar o incômodo da dúvida, o espaço do outro, a coragem de dizer “não sei”.

Pode parecer pouco diante do barulho dominante, mas talvez seja justamente aí que mora uma forma discreta de lucidez.

No fim, o que a Polarização realmente espalhou não foram apenas posições opostas, mas a tentação de abandonar a beleza da complexidade.

E resistir a isso, hoje, talvez seja um dos gestos mais difíceis — e mais necessários — que ainda podemos fazer.”

Alessandro Teodoro

Esta frase aguardando revisão.

“Os negacionistas apaixonados ainda não se atreveram a negar o aluguel das próprias cabeças só porque  ainda acreditam que pensam com elas.

Talvez esse seja um dos retratos mais perigosos do nosso tempo: gente que já não raciocina para concluir, mas conclui primeiro para depois procurar argumentos que sustentem a própria paixão. 

E quanto mais apaixonada a cegueira, mais ofensiva parece qualquer tentativa de reflexão.

A polarização conseguiu transformar convicções em propriedades privadas. 

Opiniões deixaram de ser ideias defendidas para se tornarem identidades superprotegidas.

Discordar passou a soar como agressão pessoal. 

Questionar virou sinônimo de traição. 

E pensar… pensar passou a ser um risco para quem se acostumou ao conforto das certezas inquestionáveis.

Os donos das narrativas entenderam isso antes de muita gente…

Descobriram que não precisam mais convencer multidões; basta mantê-las emocionalmente ocupadas. 

Porque uma cabeça tomada pelo medo, pelo ódio ou pela idolatria dificilmente encontra espaço para a lucidez.

E assim seguimos assistindo pessoas abrirem mão da própria autonomia enquanto juram defendê-la. 

Repetem slogans, acreditando formular pensamentos. 

Compartilham produto de manipulações, acreditando espalhar consciência. 

Atacam qualquer divergência como se proteger uma versão da realidade fosse mais importante do que buscar a verdade.

O mais trágico é que muitos negacionismos modernos não nascem da falta de informação, mas da recusa emocional em aceitar aquilo que ameaça os próprios interesses, paixões ou pertencimentos. 

Há quem negue fatos só para não perder um líder, um grupo, uma ideologia ou a sensação de fazer parte de algum lado “certo” da história.

E talvez a maior ironia esteja justamente aí: enquanto acusam os outros de alienação, não percebem que terceirizaram o próprio discernimento. 

Trocaram reflexão por torcida, consciência por conveniência e humanidade por pertencimento.

No fim, nenhuma prisão é mais difícil de romper do que aquela em que o prisioneiro acredita estar completamente livre.

Viva a todas as formas de Liberdade, sobretudo a de pensar por conta própria!”

Alessandro Teodoro

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“⁠Para fazer frente à enxurrada de eleitores apaixonados, basta uma enxurrada de políticos-influencers igualmente apaixonados.


Talvez isso soe como ironia, mas talvez seja também um retrato fiel do nosso tempo.


Em uma era em que a atenção se tornou moeda de troca e a emoção passou a disputar espaço com os fatos, a política parece cada vez menos um campo de deliberação e cada vez mais um mercado de engajamento.


O eleitor apaixonado não procura apenas propostas.


Procura pertencimento, identidade e reconhecimento.


Quer sentir que faz parte de uma causa maior do que si mesmo.


Nesse ambiente, argumentos cuidadosamente construídos muitas vezes perdem terreno para frases de efeito, vídeos curtos e narrativas capazes de provocar indignação, esperança ou medo em poucos segundos.


Não surpreende, então, que os políticos se adaptem à lógica vigente.


Se a arena pública recompensa visibilidade, surgem os políticos-influencers.


Se a paixão mobiliza mais do que a ponderação, multiplica-se a encenação da paixão.


O resultado é uma dinâmica medonha em que representantes e representados passam a se retroalimentar emocionalmente, cada grupo incentivando no outro exatamente aquilo que mais dificulta o diálogo.


Mas há um risco evidente nessa simetria.


Quando a política se transforma em um espelho de afetos intensificados, a mediação perde valor.


A dúvida vira fraqueza.


A complexidade vira obstáculo.


A prudência passa a parecer falta de convicção.


E a própria atividade política, que deveria lidar com interesses conflitantes e problemas multifacetados, é pressionada a se comportar como entretenimento permanente.


E daí nasce a política do espetáculo.


Talvez a questão não seja apenas a existência de eleitores apaixonados ou de políticos-influencers.


Paixões sempre estiveram presentes na vida pública.


O problema surge quando a paixão deixa de ser combustível para a participação e passa a ser critério único para julgar a realidade.


Nesse ponto, a intensidade do sentimento substitui a qualidade do argumento.


A democracia depende de entusiasmo, mas também de freios.


Depende de convicções, mas igualmente de disposição para revisar certezas.


Se a resposta para uma enxurrada de eleitores apaixonados for apenas uma enxurrada de políticos-influencers igualmente apaixonados, talvez estejamos apenas aumentando o volume da correnteza, sem perguntar para onde ela está nos levando.


E correntes muito fortes têm uma característica bastante curiosa: arrastam não apenas aqueles que desejam avançar, mas também aqueles que já deixaram de distinguir movimento de direção.”

Alessandro Teodoro

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“Sem o avanço exponencial do Fanatismo, talvez a Instrumentalização Religiosa não tivesse tanto Palco ou Plateia.

Há uma verdade muito incômoda nessa provocação: nenhuma Instrumentalização Religiosa prospera sozinha.

Ela precisa de um ambiente em que a fé tenha sido suficientemente capturada pelas paixões, pelos medos e pelas certezas absolutas para que Deus deixe de ser o centro e passe a funcionar como argumento.

O fanatismo não é simplesmente uma fé intensa.

Fé e fanatismo podem até usar as mesmas palavras, mas caminham em direções totalmente opostas.

A fé madura conduz à humildade; o fanatismo conduz à convicção de que somente nós, nosso grupo ou nossa causa possuímos a verdade.

A fé reconhece o mistério de Deus; o fanatismo transforma Deus em propriedade particular.

A fé se deixa corrigir pela verdade; o fanatismo transforma qualquer crítica em perseguição.

É nesse terreno infértil que a Instrumentalização Religiosa encontra seu palco.

Quando uma pessoa deixa de perguntar “o que Deus exige de mim?” e passa a perguntar apenas “como posso usar Deus para legitimar aquilo que já decidi?”, a religião corre o risco de deixar de ser caminho de transformação para tornar-se ferramenta de poder.

A Bíblia é profundamente crítica a esse tipo de apropriação.

Os profetas denunciaram repetidamente uma religiosidade que mantinha ritos, discursos e aparências enquanto negligenciava justiça, misericórdia e verdade.

O Cristo também confrontou religiosos que honravam a Deus com os lábios, enquanto o coração permanecia distante.

Talvez essa seja uma das grandes tragédias espirituais do nosso tempo: não é que Deus tenha desaparecido do Discursou Público.

Pelo contrário.

Deus é frequentemente citado, invocado, defendido e utilizado.

O problema é que podemos falar muito sobre Deus e, ao mesmo tempo, revelar muito pouco d'Ele.

Há uma diferença enorme entre testemunhar a fé e utilizá-la como instrumento.

Quem testemunha a fé procura encarnar aquilo que anuncia.

Quem instrumentaliza a fé procura fazer com que aquilo que anuncia sirva às suas agendas ocultas.

Um, busca coerência; o outro, eficácia.

Um aceita perder privilégios por fidelidade ao Evangelho; o outro adapta o Evangelho para não perder privilégios.

E talvez seja justamente aí que o fanatismo se torna perigoso: ele oferece ao indivíduo a confortável sensação de estar lutando em nome de Deus, quando, na realidade, pode estar apenas santificando os próprios desejos.

O fanático não precisa necessariamente abandonar a religião.

Às vezes, ele se torna ainda mais religioso — mais barulhento, mais combativo, mais indignado, mais disposto a defender símbolos.

Mas a pergunta teológica essencial permanece: que Deus está sendo defendido?

Porque o Deus revelado em Jesus Cristo não parece interessado em conquistar consciências pela violência da imposição, nem em transformar adversários em inimigos absolutos.

Ele se aproxima dos feridos, acolhe os pecadores, confronta os poderosos, denuncia a hipocrisia e chama seus discípulos a amar até mesmo aqueles que pensam de maneira diferente.

Por isso, quando a fé produz ódio permanente, talvez seja necessário perguntar se ainda estamos diante da fé ou diante de uma ideologia religiosa.

O problema não está apenas nos que instrumentalizam a religião.

Está também em nós, quando entregamos nossa consciência ao grupo, quando confundimos fidelidade a Cristo com fidelidade a uma liderança, quando transformamos opinião em dogma e quando aceitamos qualquer discurso, desde que ele venha acompanhado de uma linguagem religiosa.

A Instrumentalização precisa de palanque, mas também precisa de plateia.

E talvez a responsabilidade cristã comece justamente quando deixamos de ser plateia.

Uma fé intelectualmente responsável não teme perguntas.

Uma Espiritualidade Saudável não precisa fabricar inimigos para sobreviver.

Uma consciência iluminada pelo Evangelho não precisa demonizar o outro para afirmar a própria identidade.

No fundo, a grande questão não é apenas quem está usando a religião.

É também porque permitimos que nossa fé seja usada.

Talvez seja tempo de recuperar uma espiritualidade menos apaixonada por guerras culturais e políticas, e mais apaixonada pela verdade; menos preocupada em vencer discussões e mais comprometida em praticar justiça; menos interessada em controlar o outro e mais disposta a converter a si mesma.

Porque, quando Deus se torna instrumento das nossas paixões, já não estamos colocando nossas paixões a serviço d'Ele.

E essa inversão talvez seja uma das formas mais sofisticadas de idolatria: não negar Deus, mas colocá-lo a serviço de nós mesmos.”

Alessandro Teodoro

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“A Idolatria Funcional a serviço da Instrumentalização Religiosa.

Há formas de idolatria que não exigem estátuas, imagens, altares ou templos.

Algumas são muito mais sofisticadas: vestem-se de Discurso Religioso, apropriam-se de símbolos sagrados e, silenciosamente, ocupam o lugar que deveria pertencer somente a Deus.

A Idolatria Funcional acontece quando algo criado — uma pessoa, um líder, uma ideologia, uma instituição, uma causa ou mesmo uma visão de mundo — passa a receber uma confiança, uma lealdade e uma devoção que ultrapassam os limites daquilo que é legítimo.

Não precisa ser chamado de deus para funcionar como um.

É nesse terreno medonho que a Instrumentalização Religiosa encontra sua maior oportunidade.

Quando a fé deixa de formar consciências e passa a fabricar lealdade, algo essencial se perdeu.

Quando a Religião deixa de confrontar o poder e passa a ser utilizada para legitimá-lo, o sagrado corre o risco de transformar-se em ferramenta de interesses humanos.

E quando pessoas são ensinadas a enxergar determinado líder, grupo ou projeto como expressão quase irrefutável da vontade divina, a crítica passa a ser tratada como blasfêmia, e a discordância, como infidelidade.

Talvez uma das formas mais perigosas de idolatria seja aquela que consegue convencer o idólatra de que sua devoção não é idolatria, mas fidelidade.

A Escritura é particularmente incisiva ao denunciar essa inversão.

O problema dos ídolos nunca foi apenas o material de que eram feitos, mas o poder que lhes era atribuído.

Um ídolo é uma criatura que recebe aquilo que pertence ao Criador.

É a criatura ocupando o lugar do Criador; o meio tornando-se fim; o instrumento transformando-se em objeto de devoção.

Por isso, a pergunta teológica não deveria ser apenas: “Quem você adora?”

Talvez precisemos perguntar também: “Em quem você deposita uma confiança que somente Deus deveria receber?”

É possível louvar a Deus e, simultaneamente, construir ídolos funcionais.

É possível frequentar templos, citar versículos e defender valores religiosos enquanto, no porão da consciência, outra coisa ocupa o centro das atenções.

Porque a idolatria não se revela apenas no que os lábios professam, mas naquilo que determina nossas paixões, nossos medos, nossas lealdades e nossas escolhas.

E é justamente aí que a Instrumentalização Religiosa se torna tão eficiente.

Ela não precisa destruir a fé.

Basta cooptá-la.

Não precisa afastar as pessoas da religião.

Basta ensinar-lhes a enxergar Deus a partir de interesses previamente definidos.

Não precisa eliminar o discurso cristão.

Basta colocá-lo a serviço de uma agenda oculta que passa a ser considerada sagrada.

Quando isso acontece, a religião deixa de ser profética e torna-se legitimadora.

Em vez de perguntar ao poder se ele é justo, passa a perguntar quem deve ser obedecido.

Em vez de denunciar a corrupção da alma humana, começa a eleger seus próprios intocáveis.

Em vez de conduzir o indivíduo à conversão, conduz à identificação com um grupo.

O resultado é uma fé que já não consegue ouvir a voz de Deus quando ela contradiz seus próprios afetos.

Talvez essa seja uma das grandes tragédias espirituais do nosso tempo: pessoas tão apaixonadas por aquilo que defendem que já não conseguem discernir aquilo que estão adorando.

Jesus, porém, nunca ensinou seus discípulos a transformar o Reino de Deus em propriedade de um grupo.

Seu caminho foi outro.

Ele recusou ser instrumentalizado pelo poder, recusou transformar sua missão em projeto de dominação e recusou reduzir o Reino a uma plataforma de interesses humanos.

O Cristo dos Evangelhos não precisava de um poder político para provar ser o Messias.

Ao contrário, diante da tentação do poder, mostrou que existem vitórias que, quando conquistadas pelos métodos do mundo, já nascem derrotadas.

Por isso, uma Religião que precisa de ídolos humanos para sustentar sua fé talvez já tenha esquecido quem é o seu verdadeiro Senhor.

A verdadeira espiritualidade não produz súditos nos homens; produz pessoas livres diante de Deus.

Não exige unanimidade em torno de personalidades; exige fidelidade à verdade.

Não transforma líderes em objetos de veneração; lembra-lhes, inclusive, que também são criaturas sujeitas ao juízo divino.

Talvez seja necessário recuperar uma antiga e desconfortável pergunta: se retirarmos o líder, o partido, a ideologia, a instituição e a causa, ainda permanecerá a nossa fé?

Se a resposta for não, talvez não estejamos diante de uma fé suficientemente centrada em Deus.

Porque o Evangelho não foi dado para sacralizar nossos ídolos, mas para derrubá-los.

E, às vezes, o ídolo mais difícil de destruir não é aquele que está diante dos nossos olhos, mas aquele que construímos em nós — justamente porque aprendemos a chamá-lo de “fé”.”

Alessandro Teodoro