“O Bandido Assumido consegue ser muito mais Honesto do que qualquer covarde que se esconda sob a segunda pele do Braço Armado do Estado.
É uma verdade que incomoda — especialmente aos apaixonados —, e talvez deva incomodar mesmo.
Porque ela não tem a menor pretensão de absolver o crime, nem romantizar a violência, mas expõe uma contradição moral que quase sempre preferimos ignorar: a diferença entre assumir o que se é e se esconder atrás de um papel, de um uniforme, de uma autorização institucional.
O bandido assumido não pede aplausos.
Ele não mascara sua natureza, não constrói um discurso para justificar seus atos como sendo “necessários” ou “pelo bem maior”.
Há, paradoxalmente, uma crueldade honesta nisso — uma exposição sem verniz.
Ele não exige confiança, nem reivindica moralidade.
Já o covarde que se esconde atrás do poder institucional carrega algo muito mais perigoso: a ilusão de legitimidade.
Seus atos, por mais violentos, ardilosos e injustos que sejam, são muitas vezes protegidos por narrativas, por discursos oficiais, por estruturas que o blindam da responsabilidade individual.
Ele não apenas age — ele se esconde enquanto age.
E nisso reside a sua desonestidade mais profunda.
O problema não é a existência da autoridade em si, mas o uso dela como máscara.
Quando o poder deixa de ser instrumento de justiça e passa a ser escudo para abusos, ele corrompe não só quem o exerce, mas também a confiança de toda uma sociedade desapaixonada.
Porque o dano causado por quem deveria proteger é sempre mais corrosivo do que o dano causado por quem nunca prometeu fazê-lo.
No fim, a reflexão não é sobre quem é “melhor”, mas sobre o peso da verdade.
Assumir a própria natureza, ainda que condenável, exige um tipo de coragem bruta.
Já esconder-se atrás de uma aparência de virtude, enquanto se pratica o oposto, exige apenas conveniência — e isso, talvez, seja o que mais nos ameaça.
Porque o mundo não se destrói apenas pela violência explícita, mas também — e talvez principalmente — pela hipocrisia silenciosa que a justifica.”
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Variante: Sejam as leis claras, uniformes e precisas, porque interpretá-las é o mesmo, quase sempre, que corrompê-las.
“Quase sempre preferimos o conforto da opinião sem o desconforto da reflexão.”
We enjoy the comfort of opinion without the discomfort of thought.
John F. Kennedy: Containing the Public Messages, Speeches, and Statements of the President - Página 471, United States. President (1961-1963 : Kennedy), John Fitzgerald Kennedy - United States. Office of the Federal Register, Office of the Federal Register, 1962
em entrevista publicada no Financial Times, em abril de 2002
Non-violence and cowardice go ill together. I can imagine a fully armed man to be at heart a coward. Possession of arms implies an element of fear, if not cowardice. But true non-violence is an impossibility without the possession of unadulterated fearlessness.
Teachings of Mahatma Gandhi - página 137, Gandhi (Mahatma) - he Indian Printing Works, 1947 - 620 páginas
Paz
“O mal de quase todos nós é que preferimos ser arruinados pelo elogio a ser salvos pela crítica.”
The trouble with most of us is that we would rather be ruined by praise than saved by criticism
citado em "Peter's Quotations: Ideas for Our Time" - Página 417, de Laurence J. Peter, Peter, Laurence J., 1919-, John Dann MacDonald, John D. MacDonald Collection - Publicado por Bantam, 1979, ISBN 0553121596, 9780553121599 - 579 páginas