“Antigamente, não havia senão noite. E Deus pastoreava as estrelas no céu. Quando lhes dava mais alimento elas engordavam e a sua pança abarrotava de luz. Nesse tempo, todas as estrelas comiam, todas luziam de igual alegria. Os dias ainda não haviam nascido e, por isso, o Tempo caminhava com uma perna só. E tudo era tão lento no infinito firmamento! Até que no rebanho do pastor, nasceu uma estrela com ganancia de ser maior que todas as outras. Essa estrela chamava-se Sol e cedo se apropriou dos pastos celestiais, expulsando para longe as outras estrelas que começaram a definhar. Pela primeira vez houve estrelas que penaram e, magrinhas, foram engolidas pelo escuro. Mais e mais o Sol ostentava grandeza, vaidoso dos seus domínios e do seu nome tão masculino. Ele, então, se intitulou patrão de todos os astros, assumindo arrogâncias de centro do universo. Não tardou a proclamar que ele é que tinha criado Deus. O que aconteceu na verdade, é que, com o Sol, assim soberano e imenso, tinha nascido o Dia. A Noite só se atrevia a aproximar-se quando o Sol, já cansado, se ia deitar. Com o Dia, os homens esqueceram-se dos tempos infinitos em que todas as estrelas brilhavam de igual felicidade. E esqueceram a lição da Noite que sempre tinha sido rainha sem nunca ter que reinar.”
A Confissão da Leoa
Última atualização 2 de Dezembro de 2023. História
Tópicos
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1955Citações relacionadas
“Deus dá a todos uma estrela. Uns fazem da estrela um sol. Outros nem conseguem vê-la.”
Helena Kolody (1912–2004)
"Dom" in: "Viagem no espelho : e vinte e um poemas inéditos" - página 46, Helena Kolody - Editora criar edições, 2001, ISBN 8588141086, 9788588141087 - 241 páginas
“Se de noite chorares pelo sol, não verás as estrelas.”
Rabindranath Tagore (1861–1941) Poeta bengali e filósofo