“Dançava como um títere, tendo os cordéis dentro dela, atados na alma. Depois tomou-me nos seus braços e, sem pedir, desapegou-me das roupas. De todas as roupas. Colocou-me a outra coroa e convidou-me para dançar com ela, os dois nus. O meu corpo não tinha cordéis na alma, apenas acanhamento; sentia-se vazio de música. Mas ela pegava-me nos braços, endemoninhava-me o corpo, arrastava-me no seu bailado revolto. E ria. Um sorriso que se media a palmos como se mede o diâmetro do mundo, redondo, grávido, imenso. E eu entrei dentro desse sorriso, onde coube nu e sem vergonha. E dancei com ela como dança um louco, como se não houvesse amanhã, como se o hoje fosse pouco. E quando os nossos corpos caíram na cama, despidos e cansados, dormimos como dormem as flores, caídas umas sobre as outras, a partilhar o calor, a dividir o luar. Só quando tudo dormia já, senti que havia música dentro de mim. Finalmente. Música…”
Fonte: Diário dos Imperfeitos
Citações relacionadas
“Toda a roupa recebe a alma de quem a usa.”
Mia Couto (1955)
Um Rio Chamado Tempo, Uma Casa Chamada Terra
“Um Oratório sem música, é um corpo sem alma!”
João Bosco (santo) (1815–1888)
Un oratorio senza musica è come un corpo senz'anima <br class="br">citado in: Il borgo e la borgata: i ragazzi di don Bosco e l'altra Roma del dopoguerra - página 100 https://books.google.com.br/books?id=KxajSvMDCwQC&pg=PA100, Alessandro Portelli - Donzelli Editore, 2002, ISBN 8879897292, 9788879897297, 148 páginas
“A mesma alma governa dois corpos.”
Leonardo Da Vinci (1452–1519) pintor renascentista
un'anima governa due corpi
Leonardo nella Roma di Leone X (c. 1513-16): gli studi anatomici, la vita, l'arte - Volume 43 de Lettura vinciana, Página 20, Domenico Laurenza - Biblioteca leonardiana, 2004, ISBN 8809036727, 9788809036727 - 46 páginas
Sobre inteligência fetal, sugerindo que o que a mãe faz e sente influencia na formação do bebê
“Uma amizade verdadeira é como uma alma em dois corpos.”
Aristoteles (-384–-321 a.C.) filósofo grego
Variante: A amizade é uma alma com dois corpos.
Manuel Bandeira (1886–1968)
(Ibidem, páginaa 91).
Poemas
Variante: ARTE DE AMAR
Se queres sentir a felicidade de amar, esquece a tua alma.
A alma é que estraga o amor.
Só em Deus ela pode encontrar satisfação.
Não noutra alma.
Só em Deus - ou fora do mundo.
As almas são incomunicáveis.
Deixa o teu corpo entender-se com outro corpo.
Porque os corpos se entendem, mas as almas não.