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“Dizer que a indenização é irrisória não seria relativizar o crime — descaradamente — continuado pelo Estado?

Pois há indenizações tão ínfimas que acabam se tornando outro crime.

Há algo de profundamente perturbador quando o reconhecimento de uma injustiça vem acompanhado de uma reparação que mal arranha a superfície do dano causado. 

É como se o Estado, ao mesmo tempo em que admite a falha, tentasse reduzi-la a uma formalidade contábil — um número lançado para encerrar um processo, não para restaurar uma dignidade.

Indenizar não é apenas pagar. 

É reconhecer a extensão de uma violação, é dar peso concreto àquilo que foi abstratamente destruído: o tempo perdido, a dor acumulada, as oportunidades interrompidas, a confiança dilacerada. 

Quando o valor é irrisório, a mensagem implícita é cruel: o sofrimento cabe em cifras pequenas; a injustiça, afinal, não foi tão grave assim.

E nesse gesto aparentemente técnico, instala-se uma perversidade silenciosa. 

O Estado deixa de ser apenas autor do erro inicial e passa a ser também agente de sua banalização. 

A indenização insuficiente não repara — ela reitera. 

Não encerra o crime — prolonga-o em outra forma, mais sutil, porém igualmente ofensiva.

Talvez o mais grave não seja o valor em si, mas o que ele revela: uma régua moral distorcida, incapaz de medir o impacto real de suas próprias falhas. 

Porque quando a reparação não corresponde ao dano, o que se perpetua não é apenas a injustiça passada, mas a certeza de que ela pode — e talvez vá — se repetir.

E assim, entre números gélidos e decisões protocoladas, o que deveria ser justiça se aproxima perigosamente de um novo tipo de violação: aquela que, sob o pretexto de reparar, ensina que certos crimes são, na prática, precificáveis e toleráveis.”

Última atualização 3 de Abril de 2026. História

Citações relacionadas

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“Crime e vidas ruins são a medida da falha do Estado, todo crime no final é o crime da comunidade.”

Crime and bad lives are the measure of a State's failure, all crime in the end is the crime of the community.
A Modern Utopia - Página 86 http://books.google.com.br/books?id=w_HY2By17g4C&pg=PA86, Herbert George Wells - Forgotten Books, 1936, ISBN 1606201840, 9781606201848 - 392 páginas
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“Se a escravidão não é crime, não há crimes.”

Abraham Lincoln (1809–1865) 16° Presidente dos Estados Unidos

“No capitalismo de Estado, o domínio do Estado sobre a economia é acompanhado pela ampliação contínua dos lucros e do poder pelas organizações privadas.”

Seymour Melman (1917–2004)

Depois do Capitalismo (After Capitalism)
Fonte: Página 53, Seymour Melman, traduzido por Bazán Tecnologia e Linguística. Revisado por Mônica Di Giacomo. Editora Futura. ISBN: 85-7413-128-8.

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