“Sim, ela vai esquecer a igreja branca e dourada como tinha esquecido tantas outras. Aquela curiosidade que havia mantido quase intacta lhe parecia com frequência como uma sobrevivência obstinada: mas de que servia se as lembranças se reduzem a poeira? A lua brilhava, como a estrelinha que a acompanha fielmente, e Nicole se lembrou dos versos bonitos de Aucassin e Nicolette: “Estrelinha, eu te vi/ Que a lua traz a si.” Esta é a vantagem da literatura, pensou ela: nós guardamos as palavras conosco. As imagens murcham, deformam-se, apagam-se. Mas ela reencontrava as velhas palavras em suas cordas vocais, quase como foram escritas. As palavras os uniam aos séculos passados, quando os astros brilhavam exatamente como hoje. E esse renascimento e essa permanência lhe davam uma impressão de eternidade.”
Misverstand in Moskou
Última atualização 8 de Março de 2022. História
Tópicos
frequência, palavra, literatura, século, branco, corda, vantagem, impressão, imagem, escrita, lua, igreja, astro, verso, sérvio, outro, hoje, passado, tanto, renascimento, curiosidade, eternidade, lembrança, velho, sim, bonito, poeira, sobrevivência, fiel, permanência, vaiSimone de Beauvoir82
Escritora francesa 1908–1986Citações relacionadas
Fernão de Magalhães (1480–1521) navegador português ao serviço da Espanha, conhecido por ter organizado e iniciado a primeira viagem de cir…