“Eu misturei tudo, eu lia livro, romance para mocinha, livro cor de rosa, misturado com Dostoievski, eu escolhia os livros pelos títulos e não por autores, porque eu não tinha conhecimento…fui ler aos 13 anos Herman Hesse, tomei um choque: O Lobo da Estepe. Aí comecei a escrever um conto que não acabava nunca mais. Terminei rasgando e jogando fora.”Clarice Lispector livro A Paixão segundo G.H.A paixão segundo G.H.De livros, Cor, Conhecimento, Lobo
“Todavia, Gengis Khan mudou o mundo. Ajudou involuntariamente a Europa cristã a erguer-se acima do Império Muçulmano e pôs termo a um período de secessão chinesa. Alguns tentaram fazer dele um apóstolo antecipado do globalismo e do comércio livre. Na sua própria terra, a Mongólia, é um herói nacional formidável: a sua estátua equestre, a maior do mundo, refulge pelas estepes, e os seus olhos penetrantes brilham no seu rosto, nas notas do banco, nas vertentes das colinas e nos painéis publicitários. Porém, a verdade é que, embora o mundo houvesse sido muito diferente sem a ascensão do rapaz proscrito, é provável que também tivesse passado muito melhor.”Andrew Marr (1959) jornalista britânicoHistória do MundoDe verdade, De livros, De mundo, Passado
“Contudo, dois anos após a morte de Marco Polo, em 1329, algo aconteceu nas estepes para onde ele viajara, e no vale do rio Amarelo chinês, que fez com que tudo mudasse.Uma estranha epidemia estava a dizimar vastos números de pessoas. Em 1345, chegara à costa chinesa. Em 1346, estava na Crimeia, onde o pai e o tio de Marco haviam negociado e iniciado a sua viagem épica. No ano seguinte, a Peste Negra, transportada em navios e provavelmente por ratos, propagou-se ao Mediterrâneo. Em Março de 1348, os venezianos morriam à razão de seiscentos por dia. Barcaças seguiam para as ilhas remotas carregadas de cadáveres para serem sepultados. A maioria dos médicos já morrera também. Esse mesmo intercâmbio de mercadorias, gente e histórias que possibilitara a ascensão da impiedosa república marítima estava agora a cobrar vingança. Estima-se que tenham morrido três quintos de todos os venezianos e que cinquenta das suas famílias aristocratas se tenham extinguido para sempre.”Andrew Marr (1959) jornalista britânicoHistória do MundoDe morte, De pessoas, De família, História