“Ainda me lembro de meu pai. Era um homem alto e bonito, com os olhos grandes e um bigode preto. Sempre que estava comigo, era a beijar-me, a contar-me histórias, a fazer-mes as vontades. Tudo dele era para mim. Eu mexia nos seus [livro]]s, sujava as suas roupas, e meu pai não se importava. As vezes, porém, ele entrava em casa calado. Sentava-se numa cadeira ou passeava no corredor com as mãos atrás das costas, e discutia muito com minha mãe. Gritava, dizia tanta coisa, ficava com uma cara de raiva que me fazia medo(…) Coitado de meu pai! Parece que o vejo quando saiu de casa com os soldados, no dia do seu crime.(…) Vim a compreender, com o tempo, porque razão se deixara a levar ao desespero. O amor que tinha pela esposa era o amor de um louco. O seu lugar não era no presídio para onde o levaram. O meu pobre pai, dez anos depois, morria na casa de saúde, liquidado por uma paralisia geral.”José Lins do Rego livro Menino de EngenhoPágina 9 Menino de Engenho
“Bom dia, mestre Zé- foi dizendo o pintor Laurentino a um velho, de aparência doentia, de olhos amarelos, de barba crescida. – Está de passagem, seu Laurentino?– Vou ao Santa-Rosa. O Coronel mandou-me chamar para um serviço de pintura na casa-grande (…) O mestre José Amaro, seleiro dos velhos tempos(…) trabalhava à porta de casa(…) e grita : – Vai trabalhar para o velho José Paulino? É bom homem, mas eu lhe digo:estas mãos que o senhor vê nunca cortaram sola para ele. Não sou criado de ninguém. Grito comigo não vai.”José Lins do Rego livro Fogo MortoFogo Morto
“Antônio Bento estava tocando a primeira chamada para a missa das seis horas. Do alto da torre ele via a vila dormindo, a névoa do mês de Dezembro cobrindo a tamarineira do meio da rua. Tudo calado. As primeiras badaladas do sino quebravam o silêncio violentamente (…)Dia de Nossa Senhora da Conceição, oito de Dezembro. O Padre Amâncio celebrava duas missas, a das seis e a das onze horas. Sem dúvida, já se acordara com o toque do sino.”José Lins do Rego Página 11 Pedra Bonita
“Bom dia, mestre Zé- foi dizendo o pintor Laurentino a um velho, de aparência doentia, de olhos amarelos, de barba crescida.”José Lins do Rego livro Fogo Morto" Fogo Morto