“Todos os retratos que tenho de minha mãe não me dão nunca a fisionomia que eu guardo dela-a doce fisionomia daquele rosto, daquela melancólica beleza do seu olhar. "(…) " O seu destino fora cruel: morrer como morreu, vítima de um excesso de cólera do homem que tanto amara.”José Lins do Rego livro Menino de EngenhoPagina 12 Menino de Engenho
“Afastara-me uns dez anos de Santa-Rosa. O engenho vinha sendo para mim um campo de recreio nas férias do colégio e da universidade. Fizera-me um homem entre gente estranha, nos exames, nos estudos, em casas de pensão. O Mundo cresceu tanto para mim que quase Santa-Rosa se reduzira a um quase nada. Vinte e quatro anos, homem, senhor do meu destino, formado em Direito, sem saber faze nada.”José Lins do Rego Página 9 Bangüé
“Pode deixar o menino, sem cuidados. Aqui eles endireitam-se, saem feitos gente- dizia um velho alto e magro para o meu tio Juca, que me levara para o colégio de Itabaiana(…) Estávamos na sala de visitas. Eu, encolhido, numa cadeira, todo enfiado para um canto, o meu tio Juca e o mestre. Queria este saber da minha idade, do meu adiantamento. O meu tio informava-o de tudo : doze nos, segundo livro do Felisberto de Carvalho, tabuada de multiplicar.”José Lins do Rego Página 115 Doidinho:
“Antônio Bento estava tocando a primeira chamada para a missa das seis horas. Do alto da torre ele via a vila dormindo, a névoa do mês de Dezembro cobrindo a tamarineira do meio da rua. Tudo calado. As primeiras badaladas do sino quebravam o silêncio violentamente (…)Dia de Nossa Senhora da Conceição, oito de Dezembro. O Padre Amâncio celebrava duas missas, a das seis e a das onze horas. Sem dúvida, já se acordara com o toque do sino.”José Lins do Rego Página 11 Pedra Bonita