Citações

Esta frase aguardando revisão.

“Tropeçar é um luxo reservado somente aos que se atrevem a fazer o que todos os outros protelam, medindo esforços.

Há quem veja o tropeço como uma falha, como um desvio indesejado de uma trajetória idealizada, limpa, sem marcas. 

Mas essa visão, embora confortável demais, ignora uma verdade muito incômoda: só tropeça quem está em movimento. 

E movimento, por si só, já é uma ruptura com a inércia que domina tantos caminhos adiados.

Enquanto alguns calculam demais, esperando o cenário perfeito, o momento exato, a garantia de sucesso — outros simplesmente vão. 

E ao ir, erram. 

E, ao errar, aprendem. 

O tropeço, nesse sentido, deixa de ser um acidente e passa a ser um rito silencioso de coragem. 

Não é sobre cair, mas sobre ter saído do lugar onde cair sequer seria possível.

Medir esforços, muitas vezes, é apenas uma forma elegante de mascarar o medo. 

O medo de falhar, de ser visto, de não corresponder às expectativas — próprias ou alheias. 

E assim, na tentativa de evitar o tropeço, muitos acabam evitando também a experiência. 

Permanecem intactos, sim, mas também intocados pela transformação que só o risco proporciona.

Tropeçar exige exposição. 

Exige assumir que não se sabe tudo, que não se controla tudo, que o caminho se revela enquanto se caminha. 

E isso, para muitos, é desconfortável demais. 

Preferem a segurança do planejamento eterno à vulnerabilidade da ação imperfeita.

Mas há algo profundamente humano em perder o equilíbrio por um instante. 

É nesse breve desalinho que nos reconhecemos vivos, tentantes e inacabados. 

O tropeço não diminui — ele denuncia a tentativa. 

E tentativa, no fim das contas, é o que separa quem vive de quem apenas ensaia viver.

Talvez o verdadeiro luxo não seja evitar a queda, mas poder se permitir caminhar sem a obsessão de nunca falhar. 

Porque quem nunca tropeça, talvez nunca tenha ido longe o bastante para descobrir o próprio limite.”

Esta frase aguardando revisão.

“Talvez uma das principais comprovações de que a realidade humana seja muito dura seja a aceitação da nossa própria robotização.

Porque, no fundo, ninguém se transforma em máquina por acaso. 

Não é apenas a tecnologia que nos molda — é o cansaço de sentir demais, pensar demais, carregar demais. 

A automatização da vida não nasce do fascínio pelo artificial, mas da exaustão diante do real.

Ser previsível, repetir padrões, reagir como se tudo já estivesse programado… tudo isso oferece um tipo de alívio bastante silencioso. 

Não é felicidade — é anestesia. 

É mais fácil seguir um roteiro invisível do que encarar o peso de escolher, errar e se responsabilizar. 

Tudo que honestamente quase ninguém quer, é Liberdade.

A liberdade, quando levada a sério, assusta muito mais do que qualquer algoritmo.

E assim, pouco a pouco, vamos terceirizando até a própria consciência. 

Deixamos que tendências decidam gostos, que opiniões prontas substituam pensamentos, que notificações ditem o ritmo do dia. 

A vida deixa de ser vivida e passa a ser apenas respondida. 

Não há pausa, só reação.

O mais inquietante não é o avanço das máquinas — é o quanto nos tornamos compatíveis com elas. 

Já não estranhamos agir sem refletir, consumir sem questionar, concordar sem compreender…

A robotização deixa de ser ameaça e passa a ser conforto.

Mas há um preço. 

Sempre há.

Ao abrir mão da complexidade humana, também abrimos mão da profundidade. 

Perdemos a capacidade de nos surpreender, de nos contradizer, de crescer a partir do desconforto. 

Tornamo-nos eficientes, mas rasos. 

Conectados, mas distantes. 

Informados, mas pouco conscientes e muito vazios.

Talvez a realidade seja muito dura mesmo. 

Talvez seja difícil demais sustentar a lucidez cobrada lá fora o tempo todo. 

Mas aceitar a própria robotização não é solução — é desistência disfarçada de adaptação.

E, no meio de tanta fuga, a pergunta que insiste em permanecer é tão simples quanto incômoda:

em que momento sobreviver deixou de significar, também, sentir?”

Fernando Pessoa photo

“MÁRIO DE SÁ-CARNEIRO

(1890-1916)

Atque in perpetuum, frater, ave atque vale!
CAT.

Morre jovem o que os Deuses amam, é um preceito da sabedoria antiga. E por certo a imaginação, que figura novos mundos, e a arte, que em obras os finge, são os sinais notáveis desse amor divino. Não concedem os Deuses esses dons para que sejamos felizes, senão para que sejamos seus pares. Quem ama, ama só a igual, porque o faz igual com amá-lo. Como porém o homem não pode ser igual dos Deuses, pois o Destino os separou, não corre homem nem se alteia deus pelo amor divino; estagna só deus fingido, doente da sua ficção.

Não morrem jovens todos a que os Deuses amam, senão entendendo-se por morte o acabamento do que constitui a vida. E como à vida, além da mesma vida, a constitui o instinto natural com que se a vive, os Deuses, aos que amam, matam jovens ou na vida, ou no instinto natural com que vivê-la. Uns morrem; aos outros, tirado o instinto com que vivam, pesa a vida como morte, vivem morte, morrem a vida em ela mesma. E é na juventude, quando neles desabrocha a flor fatal e única, que começam a sua morte vivida.

No herói, no santo e no génio os Deuses se lembram dos homens. O herói é um homem como todos, a quem coube por sorte o auxílio divino; não está nele a luz que lhe estreia a fronte, sol da glória ou luar da morte, e lhe separa o rosto dos de seus pares. O santo é um homem bom a que os Deuses, por misericórdia, cegaram, para que não sofresse; cego, pode crer no bem, em si, e em deuses melhores, pois não vê, na alma que cuida própria e nas coisas incertas que o cercam, a operação irremediável do capricho dos Deuses, o jugo superior do Destino. Os Deuses são amigos do herói, compadecem-se do santo; só ao génio, porém, é que verdadeiramente amam. Mas o amor dos Deuses, como por destino não é humano, revela-se em aquilo em que humanamente se não revelara amor. Se só ao génio, amando-o, tornam seu igual, só ao génio dão, sem que queiram, a maldição fatal do abraço de fogo com que tal o afagam. Se a quem deram a beleza, só seu atributo, castigam com a consciência da mortalidade dela; se a quem deram a ciência, seu atributo também, punem com o conhecimento do que nela há de eterna limitação; que angústias não farão pesar sobre aqueles, génios do pensamento ou da arte, a quem, tornando-os criadores, deram a sua mesma essência? Assim ao génio caberá, além da dor da morte da beleza alheia, e da mágoa de conhecer a universal ignorância, o sofrimento próprio, de se sentir par dos Deuses sendo homem, par dos homens sendo deus, êxul ao mesmo tempo em duas terras.

Génio na arte, não teve Sá-Carneiro nem alegria nem felicidade nesta vida. Só a arte, que fez ou que sentiu, por instantes o turbou de consolação. São assim os que os Deuses fadaram seus. Nem o amor os quer, nem a esperança os busca, nem a glória os acolhe. Ou morrem jovens, ou a si mesmos sobrevivem, íncolas da incompreensão ou da indiferença. Este morreu jovem, porque os Deuses lhe tiveram muito amor.

Mas para Sá-Carneiro, génio não só da arte mas da inovação nela, juntou-se, à indiferença que circunda os génios, o escárnio que persegue os inovadores, profetas, como Cassandra, de verdades que todos têm por mentira. In qua scribebat, barbara terrafuit. Mas, se a terra fora outra, não variara o destino. Hoje, mais que em outro tempo, qualquer privilégio é um castigo. Hoje, mais que nunca, se sofre a própria grandeza. As plebes de todas as classes cobrem, como uma maré morta, as ruínas do que foi grande e os alicerces desertos do que poderia sê-lo. O circo, mais que em Roma que morria, é hoje a vida de todos; porém alargou os seus muros até os confins da terra. A glória é dos gladiadores e dos mimos. Decide supremo qualquer soldado bárbaro, que a guarda impôs imperador. Nada nasce de grande que não nasça maldito, nem cresce de nobre que se não definhe, crescendo. Se assim é, assim seja! Os Deuses o quiseram assim.

Fernando Pessoa, 1924.”

Fernando Pessoa (1888–1935) poeta português

Loucura...

Charlie Chaplin photo

“Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, por que o mundo pertence a quem se atreve. E a vida é muito para ser insignificante.”

Charlie Chaplin (1889–1977) Comediante, ator e cineasta britânico

Última estrofe do poema 'Vida' ("Já perdoei erros quase imperdoáveis..."), de Augusto Branco
Atribuição incorreta
Variante: Lute com determinação, abrace a vida com paixão, perca com classe e vença com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito bela para ser insignificante.
Fonte: Biblioteca Nacional: "Vida", Augusto Branco (pseudônimo) registro 449.877 http://www.bn.br/portal/index.jsp?plugin=FbnBuscaEDA&radio=CpfCnpj&codPer=68661690200

Mansour al-Hallaj photo

“Deus, o Altíssimo, é ele mesmo que afirma sua própria unidade pela língua de qualquer de Suas criaturas que Ele deseja. Se Ele próprio afirma sua unidade com a minha língua, é Ele quem o quer. Caso contrário, irmão, eu não tenho nada a ver com a afirmação da Unidade de Deus.”

Mansour al-Hallaj (858–922)

Como citado em Palavras de êxtase no Sufismo (1985) por Carl W. Ernst, p. 45
Tradução alternativa: Deus, o Altíssimo, é quem afirma sua unidade pela língua de entre Suas criaturas, a que ele deseja. Se Ele afirma Sua Unidade na minha língua é Ele quem o faz, e porque o quer. Caso contrário, meu irmão, eu mesmo não tenho nada a ver com a afirmação da Unidade de Deus.
Como citado em "Husayn ibn Mansur al-Hallaj" em Sidi Muhammad Edições http://www.sufimaster.org/teachings/husayn.htm
Orígem

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“Se as pessoas são boas só por temerem o castigo e almejarem uma recompensa, então realmente somos um grupo muito desprezível.”

Albert Einstein (1879–1955)

"A man's ethical behavior should be based effectually on sympathy, education, and social ties; no religious basis is necessary. Man would indeeded be in a poor way if he had to be restrained by fear of punishment and hope of reward after death."
Atribuídas
Variante: Se as pessoas são boas só porque temem a punição, e esperam a recompensa, então nós somos mesmo uns pobres coitados.

Gerson De Rodrigues photo

“Poema - O Mártir dos desajustados

Você já sentiu
como se houvesse um buraco em seu peito
acompanhado de uma dor que te sufoca
e cega os seus olhos
impedindo-o de ver a felicidade

Uma tristeza tão profunda
capaz de partir a sua alma ao meio
e corroer os despojos podres da carne

Como se cada átomo do seu corpo
sofresse tão profundamente
todas as dores do mundo

E ainda que as suas conquistas pessoais se realizassem
e os deuses o perdoassem pelo seus pecados
o martírio que corrói as entranhas do seu ser
o impedem de sorrir
ao menos uma vez…

Não se preocupem
estas dores que sentem
esse vazio em seu peito que não consegues explicar

É a doença rogada pelos deuses
sobre a carcaça podre dos homens malditos

Abracem a sua dor
sintam-na nas suas entranhas
deixem as suas feridas sangrarem
e afogarem o mundo em sua miséria

Não há nada de errado
em flertar com a morte em momentos de dor

Não há nada de errado
em sentir-se excluído em um mundo
do qual não pertences

Não existe nada de errado em ser diferente,
essa voz gritando na sua cabeça,
essa raiva pulsando em seu coração,
e aquela maldita vontade de mudar o mundo
é exatamente isso que te torna único!

Em um mundo de ovelhas,
orgulhe-se de ser um bode!

Nós não somos monstros
porque sentimos na solidão o abrigo para a nossa loucura

Caminhei solitário por ruas lotadas,
de pessoas vazias e mentes fechadas
e a alegria de não pertencer ao paraíso dos homens
sufocavam-me em uma doentia felicidade

Afastem de mim o perdão dos deuses
e a mentira dos homens

Eu sou o Deus dos fracos
dos desajustados
e excluídos

O mártir de todas as dores
e corações partidos

Há em mim a loucura de mil diabos
e a santidade de todos os deuses

Tudo o que eu amei
amei recluso em um ninho de ratos
aonde nada era sagrado
e nada era perfeito
mas ainda assim,
amei a mim mesmo
e todos os meus defeitos

Flertamos com a morte
para matar as nossas dores

Nos suicidamos todos os dias
para que o dia
que sucede o de amanhã
torne-se possível de se viver

Que a maldição do meu nascimento
e a miséria do meu ser
se alastre por cada canto deste mundo

Coloquem-me sobre o altar de suas catedrais
e chamem-me de cristo
pois eu sou a luz do mundo
e a escuridão que o consome!”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Poema Niilismo

Orhan Pamuk photo

“Quando aquela senhora que me lembrava minha tia disse que me conhecia, ela não estava dizendo que conhecia minha história de vida e minha família, que sabia onde eu morava, que escolas frequentei, os romances que escrevi e as dificuldades políticas que enfrentei. Nem que conhecia minha vida particular, meus hábitos pessoais ou minha natureza essencial e minha visão de mundo, que eu tentara expressar relacionando-as com minha cidade natal em meu livro Istambul. A velha senhora não estava confundindo a minha história com as histórias de minhas personagens fictícias. Ela parecia falar de algo mais profundo, mais íntimo, mais secreto, e senti que a entendia. O que permitiu que a tia perspicaz me conhecesse tão bem foram minhas próprias experiências sensoriais, que inconscientemente eu colocara em todos os meus livros, em todas as minhas personagens. Eu projetara minhas experiências em minhas personagens: como me sinto quando aspiro o cheiro da terra molhada de chuva, quando me embriago num restaurante barulhento, quando toco a dentadura de meu pai depois de sua morte, quando lamento estar apaixonado, quando eu consigo me safar quando conto uma mentirinha, quando aguardo na fila de uma repartição pública segurando um documento molhado de suor, quando observo as crianças jogando futebol na rua, quando corto o cabelo, quando vejo retratos de paxás e frutas pendurados nas bancas de Istambul, quando sou reprovado na prova de direção, quando fico triste depois que todo mundo deixou a praia no fim do verão, quando sou incapaz de me levantar e ir embora no final de uma longa visita a alguém apesar do adiantado da hora, quando desligo o falatório da TV na sala de espera do médico, quando encontro um velho amigo do serviço militar, quando há um súbito silêncio no meio de uma conversa interessante. Nunca me senti embaraçado quando meus leitores pensavam que as aventuras de meus heróis também haviam ocorrido comigo, porque eu sabia que isso não era verdade. Ademais, eu tinha o suporte de três séculos de teoria do romance e da ficção, que podia usar para me proteger dessas afirmações. E estava bem ciente de que a teoria do romance existia para defender e manter essa independência da imaginação em relação à realidade. No entanto, quando uma leitora inteligente me disse que sentira, nos detalhes do romance, a experiência da vida real que "os tornavam meus", eu me senti embaraçado como alguém que confessou coisas íntimas a respeito da própria alma, como alguém cujas confissões escritas foram lidas por outra pessoa.”

Orhan Pamuk (1952) escritor turco, vencedor do Prêmio Nobel de literatura de 2006

The Naive and the Sentimental Novelist

Pablo Neruda photo

“Os animais foram
imperfeitos,
compridos de rabo, tristes
de cabeça.
Pouco a pouco foram se
compondo,
fazendo-se paisagem,
adquirindo manchas, graça, voo.
O gato
só gato
apareceu completo
e orgulhoso
nasceu completamente terminado,
caminha sozinho e sabe o que quer.

O homem quer ser peixe e pássaro,
a serpente queria ter asas,
o cachorro é um leão desorientado,
o engenheiro quer ser poeta,
a mosca estuda para ser andorinha,
o poeta tenta imitar a mosca,
mas o gato só quer ser gato
e todo gato é gato
do bigode até o rabo,
do pressentimento ao rato vivo,
da noite até seus olhos de ouro.

Não existe unidade
como ele,
nem têm a lua nem a flor
tal contextura:
é uma coisa só
como o sol ou o topázio,
e a elástica linhade seu contorno
firme e sutil é como
a linha da proa de uma nave.
Seus olhos amarelos
deixaram uma só
ranhura
para pôr as moedas da noite.

Ó pequeno imperador sem orbe,
conquistador sem pátria,
mínimo tigre de salão, nupcial
sultão do céu
das telhas eróticas,
o vento do amor
na intempérie
reclamas
quando passas
e pousas
quatro pés delicados
no solo,
farejando,
desconfiado
de tudo que é terrestre,
porque tudo
é imundo
para o imaculado pé do gato.

Ó fera independente
da casa, arrogante
vestígio da noite,
preguiçoso,
ginástico,
e alheio,
profundíssimo gato,
polícia secreta
das moradas,
talvez não sejas mistério,
todo mundo sabe-te e pertences
ao habitante menos misterioso,
talvez todos o creiam,
todos se creiam donos,
proprietários, tios
de gatos, companheiros,
colegas,
discípulos ou amigos
de seu gato.

Eu não.
Eu não concordo.
Eu não conheço o gato.
Tudo sei, a vida e seu arquipélago,
o mar e a cidade incalculável,
a botânica,
o gineceu com seus extravios,
o mais e o menos da matemática,
os funis vilcânicos do mundo,
a casca irreal do crocodilo,
a bondade ignorada do bombeiro, o atavismo azul do sacerdote,
mas não posso decifrar um gato.
Minha razão resvalou em sua indiferença,
seus olhos têm números de ouro.”

Pablo Neruda (1904–1973) Escritor

Navegaciones y Regresos

Gerson De Rodrigues photo

“Poema – O Grito da solidão
‘’O som do nada
É o grito dos mortos
Ao serem atormentados pela vida’’

Não amo a solidão
Como uma benção dos Deuses

Tampouco a odeio
Como uma maldição rogada por Diabos

Compreendo-a como a dor de mulheres grávidas
Que tiveram suas crias arrancadas por
Facas finas a sangue frio
Enquanto gritavam enlouquecidamente
Para serem deixadas em paz

Destes gritos de dor e agonia
Nasceu a solidão

Banhada em Desespero e angustias
Rasgando o ventre das almas cansadas;

Não lembram de como choraram
No dia em que chegaram a esta prisão?

Como podem rir e rezar?
Como podem esquecer que toda a dor,
Todo o sofrimento e toda a angustia do mundo
Só és, o que és, porque nasceste para senti-la

Ah (…)
Os gritos da solidão
Atormentam até mesmo as estrelas
Que já se apagaram

E me enlouquecem todas as noites
Enquanto bato com a minha cabeça contra a parede
Até que o barulho do crânio se rompendo
Soe mais alto do que estes murmúrios do inferno

Lunático
Com o sangue escorrendo pelos meus olhos
Sou afrontado por uma crise de risos

Deitado no chão se contorcendo como o Diabo
No corpo de Freiras que masturbam-se com o crucifixo

Grito mais alto do que mil tambores
Mas as vozes nunca se calam!

- Calem-se!
- Calem-se!
(Grito incansavelmente com todo o ar dos meus pulmões)

Com os próprios punhos
Quebro todos os móveis do quarto

Pedaços de vidro se espalham pelo corredor
Destes corredores da vida
Do qual muitas vezes me vi enforcado
Enquanto me socorriam de uma overdose mental

Rasgo os meus braços
Formando cicatrizes
Que nunca vão se realizar

A solidão continua gritando
E gritando! E Gritando!

Abraço as minhas pernas
Recluso em um canto escuro
Sangrando e tremendo

Cantarolando em voz alta
Musicas que me fazem lembrar você

Doente como um escravo
Que grita de fome
Enquanto se alimenta das próprias fezes

O meu corpo treme com o frio
E o sangue na minha roupa é o único abraço
Que eu vou sentir

Os meus olhos turvos enxergam as estrelas
E o meu pulmão cansado de tanto gritar
Respira tranquilamente

A solidão cansou de gritar
Agora escuto os mortos
A cantarolarem em seu lugar…”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Fonte: Poesias & Maldições

Gerson De Rodrigues photo

“Poema - O Equinócio part 2

Não sou um homem de virtudes
Tampouco acredito que desta vida
Levarei alguma honraria

Morrerei tal como tenho vivido
Um Diabo a dançar nas labaredas
Do meu próprio inferno

Estou hoje convencido de todas as minhas incertezas
Lúcido como um homem que perdeu a razão

Nunca obtive sucesso na vida
Destas falhas que colecionei por este longo caminho
Transformei o meu ninho de desprezo e decepções
Em um paraíso de Tolos e Suicidas

Se a criança que eu fui um dia
Soubesse o monstro que eu me tornei

Arrancaria suas próprias tripas com as mãos
E se enforcaria até que não sobrasse um único suspiro;

E há tantos caminhos que eu poderia ter percorrido
Mas quais destes caminhos me levariam ao céu?
Se a alma que um dia eu tive
A vendi só pelo prazer de vê-la queimar!

Aonde se perdeu aquela inocente criança?
Que dizia com lágrimas em seus olhos

‘"Subirei aos céus e erguerei o meu trono
acima do cadáver de Deus
eu me assentarei no monte da assembleia
no ponto mais elevado e matarei todos os arcanjos

Subirei mais alto que as mais altas nuvens
serei como o Altíssimo espirito santo"

Mas fui condenado as profundezas de Sheol
E fui levado ao mais profundo abismo!

Eu que sempre sonhei em ser o filho da alvorada!
Sou hoje a escuridão no coração dos loucos e dos suicidas (…)

‘’ Na ala psiquiátrica a insanidade e a razão
Tiveram um filho e o chamaram de Deus

Hoje devo chama-lo de pai
Porque estas são as chamas da minha loucura’’

O mundo é feito para as almas que desejam viver
Não para os suicidas que mutilam seu próprio corpo
Com a esperança de que algum dia fecharão os seus olhos
E a morte beijará os seus lábios

Tenho sonhado todas as noites com uma nova vida
Um novo rumo, até mesmo um novo nome

Filosofei com sofistas e poetas gregos
Sobre a origem e o renascimento do universo

Dialoguei com cristo sobre o seu sacrifício
E invejei seu amor pelos homens

Nesta longa jornada descobri que sou só uma criança
Com medo do escuro e sonhos que nunca vão se realizar

Serei sempre esta alma vazia
Sentada no lado escuro da Lua

Admirando a luz das estrelas
Que há muito tempo já se apagou…
- Gerson De Rodrigues”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

Fonte: Lúcifer fernando pessoa poesias maldições
nietzche

“NAMORO À DISTÂNCIA


Na quinta feira eu a busco na rodoviária
E a gente vai para casa
E não se acanha nem mesmo no elevador do prédio
E espalha as roupas e sapatos e mochilas pelo chão do apartamento E ali ficamos, em silêncio de pequena morte.

Já na sexta feira levantamos tarde Só que acordamos cedo Despertados pelo maior dos desejos Quando assim começa o dia
Entre gozos e gemidos
E com a cama antiga rangendo desesperada Cada vez mais alto.

Sábado é dia de receber amigos sempre tão queridos E eu fico orgulhoso de mãos dadas
Quase que me exibindo aos convidados
Com a minha namorada tão maravilhosa
E que veio para estar no feriado
Ao meu lado
Fazendo o nosso almoço italiano
E encantando com o seu sorriso
A todos os ali presentes.

Domingo bem cedo andamos de bicicleta lá no parque da cidade Visitamos os meus pais idosos
Almoçamos uma barca de comida japonesa
Mas alguma coisa
(Eu já sinto)
Está severamente errada.
O dia transcorre
O meu enfado já está patente
A minha irritação fica notória

O mau-humor impera
E a minha namorada inaugura o pranto mais discreto
Disfarçado e silencioso
Sem saber o que de fato
Está conosco acontecendo.

Não se culpe, namorada
Porque a distância é que não permite
Que entremos
Com recíproca e com entrega
Na estranha liturgia de nossas rotinas
A centenas de quilômetros distantes

E assim eu sinto que sou invadido
Alcunhando-lhe covardemente como Invasiva
Estrangeira
Forasteira

E você, por consequência
Sente medo e insegurança
Acionando a perigosa chave de ciúmes
Com as reações de defensiva clássicas.

E é quando, então, a gente briga de verdade
E a gente chora junto
E eu deixo você na rodoviária no início da noite Em silêncio de sepulcro

E dessa maneira o feriado acaba.

Eu preciso ter você mais perto
Eu preciso ter você no dia-a-dia
Eu preciso viajar mais vezes
Eu preciso que retorne muitas outras vezes
E que nos comprometamos com o fato de que somos a prioridade um do outro.
Eu preciso lhe pedir desculpas
E dizer mil vezes o quanto eu a cada dia mais
Te amo.

E dizer também que a sua mera existência dá sentido à minha vida.”

Esta frase aguardando revisão.

“Fomos tão seduzidos pelo Universo Digital ao ponto de romantizar um mundo onde políticos-influencers fingem preocupação.

Ficamos tão apaixonados que já nem percebemos quando a luz da tela substitui a luz da nossa consciência. 

A promessa era conexão; entregaram-nos performance…

Era participação; acostumaram-nos ao aplauso virtual. 

E, nesse palco infinito, aprendemos a confundir engajamento com compromisso.

Romantizamos um mundo onde políticos-influencers fingem preocupação como se stories fossem políticas públicas e como se uma live substituísse a presença concreta nas ruas, nos hospitais e nas escolas. 

A estética do cuidado passou a valer mais do que o cuidado em si. 

O roteiro é simples: indignação calculada, frases de efeito, trilha sonora emotiva e um corte estratégico para as próximas eleições. 

O algoritmo aplaude. A plateia compartilha. E a realidade, silenciosa, continua exigindo mais do que curtidas.

Não é que a política tenha se tornado espetáculo; talvez sempre tenha flertado com ele. 

A diferença é que agora o espetáculo cabe no bolso e até vibra. 

A cada notificação, reforça-se a sensação de proximidade com quem, muitas vezes, está distante das consequências do que decide — ou não. 

A encenação é convincente porque fala a língua da emoção rápida — e emoções rápidas não exigem memória longa.

O risco não está apenas nos que fingem; está também em nós, que passamos a preferir o conforto da narrativa à complexidade da verdade nua e crua. 

É mais fácil seguir quem fala bonito do que cobrar quem trabalha em silêncio. 

E é mais sedutor compartilhar um corte inflamado do que acompanhar um projeto até o fim. Assim, a política vira conteúdo, e o cidadão, audiência.

Talvez a maturidade digital comece quando entendermos que preocupação não se mede por visualizações, mas por coerência; não se prova com filtros, mas com atitudes; não se sustenta com hashtags, mas com responsabilidade. 

Enquanto confundirmos presença online com compromisso real, continuaremos aplaudindo performances e chamando de liderança o que, no fundo, é apenas expertise digital.

No fim, o universo digital não é vilão nem salvador — é espelho. 

E todo espelho revela muito menos sobre quem está do outro lado da tela do que sobre quem escolhe acreditar nele — o reflexo.”

Esta frase aguardando revisão.

“Com tantas Guerras descaradamente ignoradas no “nosso” país, não deveríamos ter tanto tempo nem disposição para ficarmos escolhendo um lado nas guerras dos outros.

Quem vê a assustadora parte de um povo palpitar tanto em outras guerras, pode até acreditar que não temos tantos conflitos internos para lutar.

Mas temos. 

E não são poucos. 

São guerras sem sirenes internacionais, sem transmissões ao vivo em alta definição, sem mapas coloridos nos telejornais. 

São guerras silenciosas, travadas nas periferias esquecidas, nas filas dos hospitais, nas salas de aula sucateadas, nos lares onde a dignidade perdeu território para a sobrevivência.

Há uma guerra diária contra a desigualdade que normalizamos. 

Uma guerra contra a corrupção que denunciamos em ano eleitoral e relativizamos no resto do tempo. 

É guerra contra a ignorância cultivada, contra a desinformação compartilhada com convicção e preguiça de checar. 

Contra o desalento que transforma cidadãos em espectadores.

Ainda assim, muitos preferem empunhar bandeiras internacionais com a mesma facilidade com que ignoram as trincheiras da própria rua. 

Opinar sobre conflitos distantes exige apenas conexão à internet. 

Enfrentar os conflitos internos exige caráter, constância e compromisso — três virtudes que não rendem tantos aplausos nas redes.

Não se trata de indiferença ao sofrimento alheio. 

Solidariedade é uma grande virtude. 

O problema é quando a comoção seletiva vira espetáculo e a indignação terceirizada serve apenas para aliviar a consciência enquanto as mazelas domésticas seguem intactas.

É curioso: somos rápidos para apontar injustiças além-mar, mas lentos para reconhecer que também somos parte — ativa ou omissa — das injustiças daqui. 

Escolher um lado em guerras estrangeiras pode até dar a sensação de lucidez moral. 

Mas escolher enfrentar as próprias contradições exige maturidade cívica.

Talvez o que nos falte não seja opinião, mas prioridade. 

Não seja engajamento digital, mas responsabilidade real. 
Porque enquanto gastamos energia demais disputando narrativas globais, há batalhas locais esperando por gente disposta a lutar menos com o teclado e mais com atitudes.

E, no fim, a pergunta que fica é bastante desconfortável: estamos escolhendo lados por consciência… ou por conveniência?”

Esta frase aguardando revisão.

“Com tanto bandido se escondendo sob a segunda pele do braço armado do Estado, a linha entre o Crime Organizado e o Desorganizado fica cada vez mais tênue.

A farda, que deveria simbolizar ordem, proteção e confiança, passa a carregar também o peso da dúvida.

Já não é apenas o medo do desconhecido na esquina escura, mas a inquietação diante daquilo que deveria ser nosso porto seguro.

Quando o distintivo deixa de ser garantia e passa a ser interrogação, o cidadão se vê encurralado em um labirinto moral onde escolher em quem confiar se torna um exercício de risco.

Não se trata de negar a existência de profissionais íntegros — eles existem, resistem e, muitas vezes, pagam um preço muito alto por isso.

Mas o problema não está apenas nos indivíduos, e sim no terreno fértil que permite que a corrupção floresça.

Quando os mecanismos de controle falham, quando o silêncio corporativo fala mais alto que a justiça, e quando a impunidade se torna regra não escrita, o sistema deixa de ser escudo e passa a ser arma.

Nesse cenário, o crime deixa de ter uma única face.

Ele se fragmenta, se infiltra, se adapta.

Ora veste o capuz, ora se esconde sob a insígnia.

E o mais perigoso: começa a operar com a legitimidade que deveria combatê-lo.

A violência, então, deixa de ser apenas um ato ilegal e passa a ser também institucionalizada, ainda que veladamente.

O cidadão comum, no meio desse conflito, é reduzido à estatística ou ao dano colateral.

Vive sob a constante sensação de que, em algum momento, será obrigado a escolher entre dois riscos — e nenhum deles representa, de fato, proteção.

É o tipo de escolha que não deveria existir em uma sociedade que se pretende justa.

Talvez o ponto mais crítico dessa jornada seja perceber que o problema não se resolve apenas com mais força, mais repressão ou mais poder concentrado.

Sem transparência, responsabilidade e coragem para enfrentar as próprias falhas, qualquer estrutura — por mais necessária que seja — corre o risco de se corromper por dentro.

E, quando isso acontece, o que se perde não é apenas a confiança em uma instituição, mas a própria noção de justiça. 

Porque, no fim, o que mais assusta não é o crime em si — é quando já não conseguimos distinguir de que lado ele está.”

“Este problema da relação entre realidade e aparência permanece na raiz das coisas, e de uma forma ou outra constitui a diferença fundamental entre filosofias rivais. De um lado, temos um complexo de idéias cuja base pode-se resumir frouxamente em termos como empirismo, positivismo, fenomenalismo, relativismo e humanismo. As aparências estão continuamente em mudança, de um momento a outro entre um indivíduo e outro, constituindo elas mesmas a única realidade.”

W. K. C. Guthrie (1906–1981)

Os Sofistas, W. K. C. Guthrie, Introdução, Página 10, Tradução de João Resende Costa. São Paulo: Paulus, 1995.
"This question of the relation between reality and appearance remains at the root of things, and in one form or another constitutes the fundamental difference between rival philosophies. On the one hand we have a complex of ideas whose basis may be loosely summed up in such terms as empiricism, positivism, phenomenalism, individualism, relativism and humanism. Appearences are constantly shifting, from one moment to the next and between one individual and another, and they themselves constitute the only reality."
A History of Greek Philosophy: Volume 3, The Fifth Century Enlightenment, Part 1, The Sophists, Introduction, Página 4 http://books.google.com.br/books?id=pDOqZfQ5tqUC&pg=PA4, W. K. C. Guthrie, Cambridge University Press, 1969 - 345. páginas.

Gerson De Rodrigues photo

“Diálogo entre um Psicólogo Niilista e um Depressivo Existencialista

- Você poderia me explicar o por quê da consulta? Perguntou o nobre Psicólogo arrumando os óculos; Com a cabeça baixa e o cabelo cobrindo seu rosto Adam responde – Existe algo em mim que eu não sei explicar, e esse algo fere a todos que se aproximam de mim (…) – E o que seria esse algo Adam? Perguntou.

É Como um peso que tira de mim a vontade de viver, que dilacera toda esperança que havia em mim, um peso tão pesado que há dias do qual eu simplesmente não quero e não consigo sair da cama. E esse peso se transforma em uma dor gritante que ecoa no vazio do meu coração mostrando para mim que meu nascimento foi um erro, e tudo que eu sou é decepção (…) Adam olha com os olhos cheios de lágrimas para o psicólogo, e desvia o olhar.

- E Para que viver? Respondeu o psicólogo de forma fria, ajeitando seus óculos finos.

Adam sem saber o que responder, apenas disse aquilo que havia preso em seu coração; - Para que viver? Porque todos vivem, amam, festejam, abraçam e sorriem enquanto eu sofro e choro em um quarto escuro escutando todos a minha volta dizer que eu sou um fracasso! Queria eu sair desse quarto e realizar algum sonho, escrever, publicar, e alcançar alguma coisa! Para que viver? A vida é bela e cruel mas não foi feita para mim, eu só queria viver e conquistar alguma coisa!

- A Vida não foi feita para nenhum de nós, tudo que existe ou já existiu nesse planeta nada mais é do que o reflexo do tempo repelido nesta vastidão cósmica que conosco nada se importa, somos apenas macacos… macacos vivendo em sociedade com outros macacos buscando desesperadamente um motivo para viver! Então eu te pergunto novamente adam.

Para que viver?

Adam espantado com o discurso do psicólogo, não compreendia a situação afinal tudo que ele queria era ajuda para sua depressão. E ao tirar o cabelo da cara e respirar fundo Adam responde

Por que você vive?

Eu não vivo, eu só existo (…) Existo para mim e amo a mim mesmo, todos os dias durmo e acordo comigo, e no auge do meu egoísmo Niilista eu ajudo aqueles que ainda não entenderam para que serve a vida. Respondeu o psicólogo ajeitando seus óculos

Então para que serve a vida!!! gritou Adam

- Para nada… só para existir.”

Gerson De Rodrigues (1995) poeta, escritor e anarquista Brasileiro

“Vamos conversar?
Quero falar sobre a importância da EMPATIA e não digo somente de compreender a dor alheia não, pois empatia vai muito além.
Garanto que você começou 2020 fazendo aquela velha promessa de ajudar mais, de compreender, de querer bem, sem olhar a quem.
O ano já começou faz tempo, tantas coisas de Janeiro até aqui Março aconteceram, entre elas essa pandemia que assusta do menor ao maior, do mais novo ao mais velho.
O que você está fazendo para ajudar o seu próximo?
E aí? Vai esperar ver a necessidade do outro chegar bem perto de você para que olhe com mais amor?
Não estou me referindo somente a um apoio emocional, mas aquele apoio de dizer: eu tenho pouco, mas quero dividir com você.
Saiba que nesses dias de aflições tanto a saúde fisica como a mental estão sofrendo surtos terríveis.
A saúde fisica mostra hospitais lotados, pessoas morrendo, e a saúde mental precisa de atenção porque muitos estão chorando por seus entes queridos, aqueles que estão acamados e aqueles que se foram.
Precisamos ser solidários até de alma para alma. De coração pára coração.
Escrevo não para ter curtidas ou visualizações, mas para que você olhe um pouco a realidade de quem não está no conforto de um lar, no isolamento dentro de casa. Eu falo daqueles que estão nas ruas, nas calçadas, (esses corações precisa ser cuidados),
E, com certeza eles se tornaram uma grande isca para esse vírus que nos assombra.
Não víamos tanta gente correndo de um lado para o outro, atrás de se proteger.
E, com certeza muita gente por aí aumentou a depressão, as crises de ansiedade, a sindrome do pânico.
Muita gente por ai ( inclusive os moradores de rua) estão se sentindo mais excluídos, mais solitários, menos e menos vistos.
Vamos cuidar da nossa saude? E a do outro como podemos cuidar?
Não espere a necessidade ou a mídia mostrar que você pode ajudar.

Vamos lá? Não importa como, mas mexa-se.
Se comprar dois álcool em gel, olhe para o lado e vê se alguém precisa de um e divida. Se você pode sair pra comprar seu alimento, olhe para quem já é idoso e não tem que faça por ele.
A propósito não abraçar, não apertar as mãos não quer dizer que o coração não deva sentir.
O toque mais bonito que existe, ainda se chama Amor, e esse até no olhar se transmite.
Fica a dica, meio longa de ler, mas que possa Fluir em você sentimentos que nos ajudem a vencer mais essa batalha.
Empatia, é o remédio adequado para salvar outras vidas.”

Esta frase aguardando revisão.

“⁠Num mundo tão Complexo e Diverso, poucos horrores flertam tanto com o Perigo da Injustiça quanto a Generalização.


Generalizar é, em essência, uma tentativa bastante preguiçosa de organizar o caos.


É o atalho que a mente preguiçosa toma quando a profundidade exige esforço demais e a nuance parece um luxo dispensável.


No entanto, é justamente nesse aparente conforto que reside o seu maior risco: ao simplificar o mundo, acabamos por distorcê-lo.


Cada indivíduo carrega consigo uma soma irrepetível de experiências, valores, contradições e escolhas.


Quando reduzimos pessoas a rótulos, grupos a estereótipos e histórias a versões simplificadas, não apenas empobrecemos a realidade — nós a violentamos.


A Generalização não erra apenas por excesso, mas por omissão: ela ignora o detalhe que transforma julgamento em compreensão.


É curioso como, muitas vezes, a generalização nasce de uma experiência legítima.


Uma dor real, uma frustração concreta, um encontro marcante.


Mas o erro começa quando aquilo que foi vivido como episódio passa a ser tratado como regra.


O particular, então, se disfarça de universal — e é nesse momento que a injustiça ganha forma.


Há também um certo conforto moral na generalização.


Ela nos poupa do trabalho de conhecer, de ouvir, de duvidar.


Ela nos dá a ilusão de controle em um mundo que insiste em ser tão imprevisível.


No entanto, esse conforto cobra um preço alto demais: a incapacidade de enxergar o outro como ele é, substituindo-o por uma caricatura conveniente.


Resistir à generalização é, antes de tudo, um exercício de Humildade Intelectual.


É reconhecer que não sabemos o suficiente, que nossas percepções são muito limitadas e que a realidade raramente cabe em categorias rígidas.


É aceitar que entender o mundo exige mais escuta do que fala, mais observação do que julgamento.


Num tempo em que tudo parece exigir respostas rápidas e posicionamentos imediatos, desacelerar o pensamento se torna quase um ato de resistência.


Questionar nossas próprias certezas, desconfiar das conclusões fáceis e admitir a complexidade das coisas não nos torna indecisos — nos torna mais justos.


Porque, no fim das contas, a Generalização não é apenas um erro de Pensamento.


É, muitas vezes, uma falha de caráter disfarçada de opinião.


E combatê-la não é apenas um exercício intelectual, mas um compromisso ético com a Verdade — e, sobretudo, com o outro.”

Esta frase aguardando revisão.

“É tanto Feminicídio com Suicídio e Fratricídio, que a Moral e a Psique do braço armado do Estado estão precisando de reavaliação rigorosíssima com urgência.

Quando aqueles que deveriam representar proteção passam a protagonizar episódios de destruição, algo mais profundo do que casos isolados está em colapso. 

Não se trata apenas de números crescentes ou manchetes recorrentes, mas de um sintoma coletivo que aponta para uma falência silenciosa — ética, emocional e institucional.

A farda, que deveria simbolizar equilíbrio e responsabilidade, parece, em muitos casos, tornar-se um peso mal distribuído sobre indivíduos que não foram preparados para sustentar o que ela de fato exige. 

E talvez aí resida uma das principais negligências: formar agentes para agir, sem antes cuidar de quem precisa suportar o agir. 

A violência que explode para fora quase sempre começou implodindo por dentro.

Feminicídios cometidos por quem jurou proteger, suicídios que revelam sofrimentos ignorados e fratricídios que denunciam a ruptura entre pares…

Tudo isso desenha um cenário medonho onde o inimigo já não está apenas lá fora, mas infiltrado nas estruturas morais e emocionais de muitos dos próprios agentes. 

O resultado é um ciclo onde a dor não tratada se converte em dor causada.

Reavaliar a moral não é apenas reforçar regras ou endurecer discursos. 

É questionar: que tipo de humanidade está sendo cultivada dentro dessas instituições?

É reconhecer que disciplina sem suporte psicológico pode produzir obediência, mas dificilmente produzirá equilíbrio. 

E equilíbrio é tudo que separa autoridade de abuso.

A psique, por sua vez, não pode continuar sendo tratada como detalhe ou fraqueza. 

Ignorá-la tem custado muitas vidas — de quem se oferece para vestir a farda e de quem é alcançado por quem está sob ela. 

Cuidar da mente desses indivíduos não é um luxo progressista, é uma necessidade urgente de Segurança Pública.

Talvez o maior desafio seja admitir que a força sem consciência é apenas potência desorientada. 

E, quando essa potência está armada, o risco deixa de ser individual e passa a ser coletivo.

No fim, a pergunta que não se atreve a calar não é apenas sobre quem vigia, mas sobre quem cuida de quem vigia. 

Porque quando o guardião adoece, o que se perde não é só o controle — é a confiança de toda uma sociedade desapaixonada.”