“Custa tanto ser sincero quando se é inteligente! É como ser honesto quando se é ambicioso.”Fernando Pessoa
“O misticismo é apenas a forma mais complexa de se ser efeminado e decadente. O único lado útil da inutilidade.”Fernando Pessoa
“Tão abstrata é a ideia do teu ser que me vem de te olhar, que, ao entreter os meus olhos nos teus, perco-os de vista.”Fernando Pessoa
“Mesmo a circunstância de eu ir publicar um livro vem alterar a minha vida. Perco uma coisa - o ser inédito.”Fernando Pessoa
“Dorme sobre meu seio, Sem mágoa nem amor… No teu olhar eu leio O íntimo torpor De quem conhece o nada-ser De vida e gozo e dor.”Fernando Pessoa
“A essência da ironia consiste em não se poder descobrir o segundo sentido do texto por nenhuma palavra dele, deduzindo-se porém esse segundo sentido do facto de ser impossível dever o texto dizer aquilo que diz.”Fernando Pessoa
“A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido. Ter consciência dela e ela ser grande é ser génio.”Fernando Pessoa
“Viver é ser outro. Nem sentir é possível se hoje se sente como ontem se sentiu: sentir hoje o mesmo que ontem não é sentir - é lembrar hoje o que se sentiu ontem, ser hoje o cadáver vivo do que ontem foi a vida perdida.”Fernando Pessoa
“Eu queria era dormir, dormi, dormir,Longo dormir, meio sentindo em sono,E dormir sempre, sem consciência terDo tempo, só do sono sonolentoE da vacuidade do meu ser;Dormir sem vir a morte, nem sonharMas dormir só dormir, sempre dormir.Que hoje já de dormir desaprendi.Cansado de pensar, a pensar fico,E as noites longas, longas, longas, longas,E o pálido raiar de inda doutro dia…Inda outro dia que trará aindaUma outra noite e essa mais dias, mais…Insone sentir isto, e o deslizarSuave e horroroso do tempo.Cai então sobre mim todo o horror claroE nítido e visível do mistério,E eu tal fico em abalo e em comoçãoQue durmo — sim que durmo de pesar-meTudo de mais p'ra mais poder sentir.Então durmo… e antes eu não dormissePorque desordenadas incoerênciasMas não visões, só abstracções terríveis(…)”Fernando Pessoa
“Mais vale a sombra de uma árvore do que o conhecimento da verdade, porque a sombra da árvore é verdadeira enquanto dura, e o conhecimento da verdade é falso no próprio conhecimento. Mais vale, para um justo entendimento, o verdor das folhas que um grande pensamento, pois o verdor das folhas, podeis mostrá-lo aos outros, e nunca podereis mostrar aos outros um grande pensamento. Nascemos sem saber falar e morremos sem ter sabido dizer. Passa-se nossa vida entre o silêncio de quem está calado e o silêncio de quem não foi entendido, e em torno disto, como uma abelha em torno de onde não há flores, paira incógnito um inútil destino.[…]Desenganemo-nos da esperança, porque trai, do amor, porque cansa, da vida, porque farta e não sacia, e até da morte, porque traz mais do que se quer e menos do que se espera.Desenganemo-nos, ó Velada, do nosso próprio tédio, porque se envelhece de si próprio e não ousa ser toda a angústia que é.Não choremos, não odiemos, não desejemos…Cubramos, ó Silenciosa, com um lençol de linho fino o perfil hirto e morto da nossa Imperfeição…”Fernando Pessoa
“A Natureza nunca se recorda, e por isso é bela. E se tiverem a necessidade doentia de "interpretar" a erva verde sobre a minha sepultura, Digam que eu continuo a verdecer e a ser natural.”Fernando Pessoa Poesia Completa de Alberto Caeiro
“O orgulho é a certeza emotiva da grandeza própria. A vaidade é a certeza emotiva de que os outros vêem em nós, ou nos atribuem, tal grandeza. Os dois sentimentos nem necessariamente se conjugam, nem por natureza se opõem. São diferentes porém conjugáveis.O orgulho, quando existe só, sem acrescentamento de vaidade, manifesta-se, no seu resultado, como timidez: quem se sente grande, porém não confia em que os outros o reconheçam por tal, receia confrontar a opinião que tem de si mesmo com a opinião que os outros possam ter dele.A vaidade, quando existe só, sem acrescentamento de orgulho, o que é possível porém raro, manifesta-se, no seu resultado, pela audácia. Quem tem a certeza de que os outros vêem nele valor nada receia deles. Pode haver coragem física sem vaidade; pode haver coragem moral sem vaidade; não pode haver audácia sem vaidade. E por audácia se entende a confiança na iniciativa. A audácia pode ser desacompanhada de coragem, física ou moral, pois estas disposições da índole são de ordem diferente, e com ela incomensuráveis.”Fernando Pessoa Livro do desassossego
“Dormimos ali acordados dias, contentes de não ser nada, de não ter desejos nem esperanças, de nos termos esquecido da cor dos amores e do sabor dos ódios.”Fernando Pessoa O Eu profundo e os outros Eus
“Ao contrário do catolicismo, o comunismo não tem uma doutrina. Enganam-se os que supõem que ela a tem. O catolicismo é um sistema dogmático perfeitamente definido e compreensível, quer teologicamente, quer sociologicamente. O comunismo não é um sistema: é um dogmatismo sem sistema – o dogmatismo informe da brutalidade e da dissolução. Se o que há de lixo moral e mental em todos os cérebros pudesse ser varrido e reunido, e com ele se formar uma figura gigantesca, tal seria a figura do comunismo, inimigo supremo da liberdade e da humanidade, como o é tudo quanto dorme nos baixo instintos que se escondem em cada um de nós.O comunismo não é uma doutrina porque é uma antidoutrina, ou uma contradoutrina. Tudo quanto o homem tem conquistado até hoje, de espiritualidade moral e mental – isto é de civilização e de cultura -, tudo isso ele inverte para formar a doutrina que não tem.”Fernando Pessoa livro Livro do DesassossegoThe Book of Disquiet